Como manter a sanidade na amamentação prolongada
Ana Rosa Ben Didicas

Como manter a sanidade na amamentação prolongada

Esse texto eu escrevi em 2016, numa contribuição para um e-book especial sobre Amamentação. Achei que seria justo trazê-lo para cá, afinal aqui eu já falei tanto sobre esse tema, e além do mais acredito que essas duas dicas possam ajudar alguém mais por aí. O Ben desmamou naturalmente aos 2a7m, e ainda não tenho certeza se Ana Rosa chegará lá. Mas não tenho dúvidas de que vou repetir essas duas estratégias novamente.

Duas estratégias para manter a sanidade na amamentação prolongada

A Organização Mundial de Saúde recomenda que os bebês sejam amamentados exclusivamente até os seis meses, e paralelamente à alimentação por dois anos ou mais. O leite materno é o alimento perfeito para o bebê, ele é feito sob medida, e nenhum outro alimento consegue substituí-lo à altura. Portanto, amamentar o bebê, pelo tempo que for, vai sempre beneficiá-lo de muitas formas.

O ideal é que o bebê seja amamentado pelo máximo de tempo possível. Possível, eu digo, para ele e para a mãe, pois ambos devem decidir juntos o momento de parar. Aliás, essa é uma decisão que cabe somente ao dois, e a mais ninguém!

Depois de um certo tempo de amamentação, é muito comum a mulher se sentir cansada, sobrecarregada e muitas vezes de saco cheio. Como manter a sanidade em uma amamentação prolongada?

Bom, ao longo de dois anos e quase sete meses de amamentação, eu acredito que duas estratégias foram cruciais para que eu não surtasse e mantivesse uma relação saudável com a amamentação (e com meu filho também).

Primeira estratégia: desmame noturno

Amamentar de madrugada é exaustivo, e é motivo para que boa parte das mulheres queira dar um fim na amamentação. Acordar diversas vezes à noite, ter alguém plugado por horas enquanto você procura uma posição confortável para dormir, não é fácil. Eu cheguei a esse momento quando o Ben tinha 1 ano e 4 meses. Procuramos aplicar a técnica de desmame gentil do Dr. Gordon. Como toda técnica, eu só apliquei o que funcionou no nosso contexto familiar (se quiser saber mais, aqui e aqui eu conto como foi). O que posso dizer é que a técnica nos ajudou a chegar a uma dinâmica que nos permitiu dormir por mais horas seguidas (veja bem, nunca por uma noite inteira ainda). Também preciso admitir aqui que o desmame noturno nunca se deu por completo, mas ele me ajudou muito a resgatar minha autonomia de sono e colocar um pouco de ordem na mamada noturna (com muitas regressões durante doencinhas e nascimento dos dentes, é claro).

Segunda estratégia: regular a livre demanda

Eu sempre acreditei que a melhor forma de amamentar um bebê é em livre demanda. Afinal de contas, só o bebê sabe quando e quanto quer mamar. Às vezes ele vai querer fazer uma “refeição completa”, e em outras vezes, só dar uma bicadinha para matar a sede. Isso sem contar que muitas vezes o mamá não tem nada a ver com fome ou sede, e sim com carência, aconchego, segurança. E somente o bebê sabe os momentos em que ele sente todas essas necessidades.

No entanto, depois da introdução alimentar, as mamadas começam a ficar mais espaçadas e com uma certa regra de horários. O bebê aprende a saciar a fome e a sede de outras formas, e é possível começar a regular também os horários de mamada.

No nosso caso, comecei a regular a livre demanda quando Ben tinha 1 ano e meio. A alimentação já estava mais do que estabelecida, ele já tinha alguma noção da diferença entre dia e noite e já era possível negociar algumas coisas. Então, a primeira regra que colocamos foi: de dia não é hora de mamar. Somente à noite. Nos momentos em que ele pedia “fora de hora”, a gente conversava primeiro. Na maioria das vezes ele queria atenção, colo, brincar, então eu propunha alguma atividade para desviar o foco. Quando realmente não funcionava, eu cedia. É importante ter em mente que ceder faz parte. Esse processo também teve muitas regressões, muito mamá em horário de soneca (para ver se ele pegava no sono!), muito mamá em momentos doloridos (como negar?). Mas eu vejo que ele foi necessário para que eu pudesse resgatar minha autonomia, meu corpo e minha sanidade.

Eu acredito que a amamentação prolongada é um dos maiores bens que uma mãe pode dar para o seu filho nos primeiros mil dias de vida. Quando conduzido com respeito, o desmame ocorre no momento em que a criança (não mais um bebê) está pronta para passar para a próxima fase. No nosso caso, ele aconteceu em um final de semana, depois que o Ben “esqueceu” de pedir para mamar por dois dias seguidos. Fizemos uma despedida simbólica, e ele seguiu em frente, pronto para o próximo desafio! Ele tinha exatamente 2 anos, 6 meses e 21 dias.

Essa foi tirada dois dias antes do último mamá de nossas vidas. Ele estava muito feliz que ia conseguir mamar “fora de hora”. Mal sabíamos que estávamos fechando um ciclo com chave de ouro. (Foto de Nat Brasil Fotografias)

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