Nossa experiência na escola pública 
Primeira Infância

Nossa experiência na escola pública 

Desde 2016, todas as crianças brasileiras maiores de 4 anos  têm direito a uma vaga em uma escola pública.

Eu que sempre flertei com as escolas municipais mas nunca tinha conseguido matricular o Ben, aproveitei essa lei federal para garantir uma vaga em uma das creches da cidade.

Pra gente, o timing foi perfeito, já que com o nascimento da Ana Rosa eu não conseguiria manter a renda de antes, e ia ficar bem difícil continuar pagando a escola anterior. Além disso, mudamos de bairro e ficaria difícil levá-lo até lá todos os dias.

O Ben estava em uma escola, por sinal, que eu amava. Depois de muito pipocar de escola em escola, ele passou 2 anos seguidos naquela. E pretendo (até que me convençam do contrário) voltar para ela no ensino fundamental.

Bom, e como tem sido a experiência?
Respondo: muito melhor do que o esperado.

Já começa que entramos o ano sem ter que desembolsar um centavo sequer (nem mensalidade, nem uniforme, muito menos material escolar). Por outro lado, de cara já pegamos uma greve de 38 dias, o que atrasou o início do ano letivo pra depois do Carnaval.

Tirando essa parte, tivemos uma adaptação sem nenhuma intercorrência. O Ben de cara já se sentiu a vontade e nem precisou da nossa presença nos dias seguintes. Eu achava que ele sentiria falta dos amigos da escola antiga, mas logo ele já estava falando o nome dos novos com o mesmo entusiasmo!

Pontos negativos: primeiro a alimentação. Achocolatado, café com leite, bolacha doce fazem parte do cardápio que é assinado por nutricionista. Não entendo escola que oferece café, açúcar e outros alimentos estimulantes pra um monte de crianças correrem a tarde toda!
Outro ponto que eu tenho achado negativo, mas que outras pessoas podem achar positivo: alfabetização. Como a turma do Ben engloba os grupos 5 e 6 (dois últimos anos da educação infantil), algumas atividades envolvem estímulos de letramento. A professora deixou bem claro na reunião que cada criança faz no seu ritmo, a atividade é oferecida para toda a turma, mas cada um faz do seu jeito sem cobranças. Mas o Ben está entrando nesse mundo muito mais rápido do que eu gostaria.

Tivemos também uma dificuldade no início, eu senti um certo distanciamento das profissionais em relação à gente. O que me fez quase querer trocá-lo de escola. No fim acabei mudando minha impressão na primeira reunião escolar.

Os pontos positivos, por sua vez, superam os negativos. O Ben volta todos os dias muito feliz da escola. Imundo, o que mostra que eles têm tido muito tempo de pátio. A escola é pequena, tem só duas salas de aula e uma biblioteca, totalizando 50 alunos, o que permite uma certa proximidade entre equipes e famílias (o que eu sinto estar perdendo com a história da van escolar). O maior ganho de todos pra mim é que o Ben está aprendendo a conviver com a diversidade, o que eu considero essencial pra uma formação cidadã. (esse tópico inclusive me tem feito refletir sobre voltar ou não para escolas particulares no futuro).

A proposta pedagógica foi a cereja do bolo pra mim. Quando a professora apresentou o tema, fiquei apaixonada: “o segredo das sementes e os quatro elementos”.

Ao longo desse ano, a turminha vai descobrir do que as sementes precisam para germinar e o que nasce a partir disso. Simplesmente a cara do Ben, que veio das férias na chácara da vovó super interessado no tema.

Eles já estouraram uma pinha e conheceram a araucária, plantaram o clássico feijão no algodão, Ben fica identificando flores e árvores pela rua e quer sempre levar flores pra profe. Tem sido muito legal!

Por fim, encontramos lá uma equipe sólida, muito afinada no discurso, bem receptiva, profissionais que sabem muito bem o que estão fazendo, porque estão há anos na mesma escola.

Pensando agora nos pontos positivos e negativos, acredito que são os mesmos se formos comparar essa com qualquer outra escola, seja particular, seja pública. Arrisco dizer que temos muito mais garantias de qualidade na pública do que em muitas particulares por aí.

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