Relato de parto do bebê 2 (vbac domiciliar)
Ana Rosa Bebê 2

Relato de parto do bebê 2 (vbac domiciliar)

Para contar sobre o parto do bebê 2 precisei primeiro contar um pouco sobre como chegamos até aqui. Eu que sempre pulei essa parte nos relatos de parto, hoje entendo que não dá para contar só sobre um dia, porque não chegamos até ele sem muita busca antes. Quem quiser saber como tudo começou clica aqui.

No 13/10, estava com 40 semanas e 3 dias. Naquele dia eu amanheci sentindo a saída do tampão mucoso, que já tinha saído dois dias antes, mas dessa vez vinha com sangue.

Como tinha consulta com a Mayra (enfermeira obstetra com quem fizemos o pré-natal e que acompanharia o nosso parto), contei para ela sobre o tampão, e ela disse que seria melhor fazermos a consulta naquele dia junto com a Marcela, doula e aprendiz de parteira, que acompanharia o parto junto com ela. 

O encontro (foi mais um encontro do que uma consulta) foi muito bom. Eu já estava super ansiosa, achando que iria ficar gravida para sempre e ao longo de duas horas conversamos muito sobre meu medo de o meu corpo não funcionar, sobre minha ansiedade, sobre eventuais travas emocionais. Falamos sobre minhas histórias relacionadas a parto (os 4 da minha mãe, os das minhas irmãs), sobre como eu me relacionava com eles, sobre menstruação, cólica… foi praticamente uma terapia. 

Elas saíram da nossa casa umas 16h e logo em seguida eu saí para caminhar. Fui numas lojas comprar coisas que faltavam, comprei um caderno para fazer o “livro do bebê”, o plano era confeccioná-lo no dia seguinte. Caminhei quase até a praia, uns 2km, e na volta comecei a sentir umas contrações diferentes. Diferentes de tudo o que eu já tinha sentido até então (já que eu vinha sentindo pródomos desde 37 semanas). Cada vez que essas contrações vinham, eu precisava reduzir o passo. Era umas 17h30. 

Cheguei em casa e elas continuavam vindo. As 18h15 mandei mensagem pro Diego avisando o que tava sentindo e entrei no banho pra ver se passavam. Fiquei uns 10 minutos lá e saí, tinha que buscar o Ben na escola. Liguei pro Diego e falei pra ele continuar trabalhando, não fazia sentido ele atravessar a cidade na hora do rush, vai que era um alarme falso?

Fui buscar o Ben, (mais um dia, ainda grávida rs), e as mães do amiguinhos como todos os dias vinham conversar e fazer mil perguntas. Minha barriga lá tendo mil contrações, eu com paciência zero pro papo e o Ben querendo brincar mais um pouco no pátio da escola. A gente mora a poucos minutos da escola, então quando consegui convencê-lo a ir embora, rapidinho estávamos em casa.

Em casa, brincamos mais um pouco, dei janta (não lembro o que), e logo fui fazê-lo dormir. E a barriga com contrações a mil! Sei que o Ben dormiu antes das 20h, porque o whatsapp mostra que mandei pro Diego o relatório de contrações: 20:05, 20:11, 20:18. Até então estava amenizando as dores com uma almofadinha quente de sementes e tava tudo bem.

O Diego chegou em casa umas 21h e fui pro banho novamente pra ver se as contrações passavam. Fiquei lá uns 40 minutos, e elas continuaram vindo. Depois, fiquei um tempo na bola e lá pelas 23h as sementes não estava mais ajudando em nada! Nessa hora avisei à Mayra e à Morgana (fotógrafa) que estava com contrações ritmadas desde às 20h, mas fiquei de dar notícias caso engrenassem de vez. Ainda podia ser um alarme falso! Também fiquei em contato o tempo todo com a Ale (minha amiga e doula), mas não sabíamos se daria tempo de ela chegar de Lages…

Entre 23h e 3h fiquei alternando entre a bola no chuveiro e o sofá. Estava com muito sono, queria muito dormir. A minha vontade era dormir no sofá entre as contrações e ir para o chuveiro durante elas, mas era impossível. Então eu tentei mil posições até que o Diego sugeriu que a gente fosse dormir no nosso quarto pra tentar descansar. Nessa hora consegui mesmo dormir, mas era acordada a cada contração e ficava buscando uma posição pra lidar melhor com elas. Mas pelo menos a maior parte do tempo eu dormi. 

Quando amanheceu, não sei direito que horas eram, fui ao banheiro e foi muito difícil lidar com as dores. Decidi que era hora de chamar a equipe. O Diego ligou pra Mayra falando que eu estava com contrações de 3 em 3 minutos há pelo menos uma hora, e mandou uma mensagem para a Morgana. Nessa hora começamos a encher a banheira, meu sonho era entrar naquela piscina de água quentinha de uma vez por todas! E como demorou pra encher… 

O Ben acordou nesse meio-tempo e falamos pra ele que nosso bebezinho estava chegando! Nisso a Morgana chegou e já começou a fotografar. Acho que a Mayra e a Marcela chegaram umas 7h da manhã, e eu já estava na água quando elas chegaram. Que sensação maravilhosa era dentro daquela piscina! Eu ficava totalmente relaxada, os braços e pernas boiando e eu quase dormia entre uma contração e outra. Mas quando elas vinham era muito forte a dor. Eu tentava relaxar o máximo que podia durante as contrações, tentava imaginar cada contração empurrando o bebê para baixo e abrindo o colo do útero. Nessa hora as meninas só ficaram me olhando, elas até comentaram que não precisavam fazer nada, eu estava indo muito bem. 

A certa altura a Mayra perguntou se eu queria ser avaliada, mas eu tive muito medo. No nascimento do Ben cheguei só a 4 centímetro de dilatação, e meu medo era estar com qualquer coisa a menos que isso e acabar me frustrando. 

Passado um tempo na banheira, elas me sugeriram sair da água e procurar outras posições. Fui então para o quarto, a Mayra levou para lá um pufe de parto e tentamos encontrar uma posição melhor, mas nada era melhor do que dentro da água!

Nessa hora eu pedi para ser avaliada, era umas 10h da manhã. Precisava saber se tudo aquilo tava valendo a pena! A notícia não poderia ser melhor: estava com 7 pra 8 centímetros de dilatação! A Mayra fez questão de me lembrar que meu corpo estava funcionando sim e muito bem!

Durante todo esse tempo, o Diego ficou alternando entre ficar comigo e com o Ben, que estava demandando muita atenção.  O Ben até acompanhou o trabalho de parto no início, mas logo se desinteressou e queria companhia para brincar. A cada contração ele perguntava “vai nascer agora?” (Esse é o problema de mostrar vídeo de parto pra criança, ela acha que os bebês nascem rápido!)  Até uma hora que ele entrou no banho e ficou lá um tempão brincando. O Diego finalmente conseguiu focar no parto, e como era bom tê-lo junto comigo! Cada vez que ele vinha fazer carinho ou segurar minha mão parecia que a dor ia para outro lugar! 

Então o Diego decidiu despachar o Ben para a casa de um amiguinho. Nem vi direito isso acontecer, só sei que de repente nossa amiga Mel chegou para buscá-lo (gratidão eterna!!). 

Então a partir daí passei a ter o Diego só pra mim! Eu realmente estava precisando dele. 

As 11h eu comecei a ter vontade de fazer força. Nem sei explicar direito o que acontecia, sei que a cada contração, em vez de tentar relaxar o corpo como antes, eu tinha vontade de fazer muita força! Só que eu fiquei nessa um tempo, não evoluía… As meninas começaram a ver que eu não saía disso e ficavam sugerindo que eu mudasse de posição, saísse da água. Mas eu não queria, era muito bom ficar ali. 

Não sei como elas conseguiram me convencer a sair. Fiquei um pouco fora da água e depois sentei no vaso sanitário. Aquele foi o segundo melhor lugar para ficar durante as contrações. Nessa hora, a Mayra me avaliou novamente e viu que eu tava com quase dilatação total, mas tinha uma bordinha de colo que não tava deixando o trabalho de parto evoluir. Então, colocou a banqueta de parto na minha frente para que eu apoiasse os pés ali e a cada contração ela fazia um procedimento pra ajudar a saída do bebê. Essa foi a parte mais difícil do parto. A única (?) hora que eu gritei. Era super dolorido, cada vez que ela fazia aquilo eu via estrelas!

(No dia seguinte, ela nos explicou que a cabeça do bebê estava batendo na cicatriz da cesárea, e naquela hora ela estava tanto protegendo a cicatriz quanto abrindo espaço pro bebê passar. ) Também vimos que a bolsa estava integra e tinha formado uma espécie de uma bolha na frente da cabeça do bebê.

O que pra mim pareceu horas, depois fiquei sabendo que aquele procedimento doloroso durou uns 15 minutos só. Uma hora eu disse que não aguentava mais e pedi pelamordedeus pra voltar pra água.  “Tá bom, 15 minutos”, respondeu a Mayra. 

Entrei na água e que sensação maravilho… ops, até voltar a primeira contração! Nesse momento eu me dei conta de que não adiantava eu tentar fugir da dor (tentando posições diferentes como antes). Eu precisava encará-la e o único jeito de me livrar dela era fazendo força. Durante aquele procedimento no banheiro eu aprendi onde era a força que eu tinha que fazer (no início eu me concentrava no alto da barriga, e a força certa era mais parecida com a de fazer cocô). Então a cada contração eu segurava minhas pernas e fazia toda força do mundo. Não lembro muito bem desse momento, o que mais me marcou foram as massagens maravilhosas que eu recebia no quadril e as palavras de incentivo. Aliás em todo trabalho de parto ouvi coisas incríveis, parecia que essas palavras vinham exatamente quando eu estava precisando ouvi-las. Quando as pessoas me perguntam se dói, ou me chamam de corajosa, eu só consigo pensar que eu estava rodeada de muito amor e respeito o tempo todo, então a dor e o sofrimento ficam em outro plano.

Lembro que uma hora eu pedi “alguém me ajuda por favor”, acho que essa é a hora da covardia. Eu não aguentava mais. Hoje eu entendo quem pede analgesia e até mesmo cesárea na reta final. Não é fácil. Não foi fácil. É foda!

Além de tudo eu ainda tinha que primeiro “parir” aquela bolha da bolsa e só depois iria parir o bebê. Parecia que toda força do mundo não era suficiente para colocar “eles dois” pra fora. Mas uma hora a bolsa saiu, ufa! Agora era “só” o bebê sair. 

Mais algumas forças e eles começaram a dizer que já estavam vendo o cabelinho do bebê. Pra mim parecia que não ia chegar nunca essa hora! Eles diziam “ele tá vindo” “ele tá quase ali” “tem um cabeludinho”. Engraçado como aquilo mexia comigo, eu ficava pensando “mas quem é esse bebê que tá vindo? É ele ou ela? Por que eles dizem ‘ele’ o tempo todo?”

Uma hora a coisa ficou séria, o bebê estava realmente saindo, e como dói esse momento! O tal círculo de fogo é uma coisa de doido! Eu dizia “tá doendo demaissssss” e elas respondiam “é assim mesmo, mas ele tá chegando!” (Ou algo assim, não me lembro direito). Uma coisa que eu lembro bem é de ter pensado, então isso é que é a famosa partolândia? Eu olhava para pessoas ali em volta e parecia que não via ninguém direito. É tipo uma embriaguez. 

E então a cabeça saiu! “E o que eu faço agora??” No vídeo da pra ver que eu fiquei bem confusa. As contrações pararam e o bebê ficou ali, só com a cabeça pra fora. Eu não sabia se continuava fazendo força, se puxava a cabeça… rs Quando veio mais uma contração, eu fiz a ultima maior força do mundo e a próxima coisa que me lembro é ver aquele bebezinho roxinho tentando respirar no meu colo. Depois de quase afogar o bebê na água da piscina rs, a primeira coisa que eu fiz foi abrir as perninhas dele e falar: “é uma menina!”

Todo mundo festejou! E então eu disse pra ela: “Bem-vinda Ana Rosa!” 

14 de outubro de 2016, às 14:57 nasceu Ana Rosa pra completar nosso mundo!

Não acredito, a gente conseguiu!!

Vou dizer que não foi fácil. Foi foda. Mas foi lindo, cheio de respeito e amor e inesquecível!

A melhor parte de ter um bebê em casa é que a vida segue seu rumo. O Ben voltou da escola doido pra conhecer a irmãzinha. Foi uma cena linda também. Depois disso, ele saiu pra brincar mais um pouco e eu e a Ana Rosa dormimos.

A gente fica tão envolvido com tudo aquilo, que só alguns dias depois é que caiu a ficha: VBAC, eu consegui! E ainda por cima, pari uma menininha!!! Nosso bebezinho tão esperado é a nossa menininha! <3

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Comentários

3 thoughts on “Relato de parto do bebê 2 (vbac domiciliar)”

  1. Parabéns Denise!!! Que lindo relato!!! Já faz um tempo que a Ana Rosa nasceu, mas desejo a vocês toda felicidade e muito amor! Como você tem se sentido? Como tem sido as conciliações das demandas de mãe de dois? Escreva quando puder. Beijos

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