Relato de parto do bebê 2 (preâmbulo)
Ana Rosa Bebê 2

Relato de parto do bebê 2 (preâmbulo)

Para contar sobre o parto do bebê 2 preciso primeiro contar um pouco sobre como chegamos até aqui. Eu que sempre pulei essa parte nos relatos de parto, hoje entendo que não dá para contar só sobre um dia, porque não chegamos até ele sem muita busca antes. 

Bom, quem nos conhece há mais tempo sabe que o Ben nasceu de uma cesárea indesejada (e talvez também desnecessária). Já naquela época eu reconhecia que o melhor lugar para se ter um bebê é em casa, mas não peitei essa ideia por ser meu primeiro bebê e também por questões financeiras. 

Antes de engravidar pela segunda vez, eu já “namorava” o parto domiciliar, mas a questão financeira pegava muito. Um dia, conversando com o Diego sobre o tema ele falou “é, mas você sabe que hospital é aquela coisa né, vc está sujeita à violência e não pode fazer nada”. Pensei: o mais importante eu já tenho, que é o apoio do parceiro! 

Então nós engravidamos! E aí começou nossa busca. Eu costumo dizer que o trabalho de parto durou nove meses. Vocês vão entender por que. 

Aqui em Florianópolis temos basicamente três equipes que assistem parto domiciliar. A equipe que eu mais queria a princípio (que acompanhou ou acompanharia o parto de grandes amigas minhas nesse ano), não assiste vbac domiciliar (parto normal após cesárea). Quando me dei conta disso, passei a detestar ainda mais a minha cesárea. Poxa vida, olha o legado que uma primeira cesárea deixa em uma mulher pra sempre!!

Ok, tinha ainda outras duas equipes possíveis. Acontece que eu queria tanto aquela outra equipe, que não queria mais saber das outras duas. Mas um dia ao acaso, conversando com uma menina que tinha acabado de conhecer e estava grávida do mesmo tempo que eu, ela me contou que iria à palestra de apresentação de uma das equipes, o Grupo Ama Nascer, que seria naquela semana. Eu pensei, “por que não?” Vamos quebrar esse preconceito de uma vez? E fui. 

A palestra foi ótima. Basicamente uma apresentação do trabalho delas, nada mais, mas foi suficiente para que eu me apaixonasse por todas elas! Só que aconteceu uma coisa muito curiosa: voltando pra casa naquele dia, eu senti o meu corpo todo dolorido. Eu estava tensa! A palestra me fez reviver todo o nascimento do Ben de um jeito que nunca tinha acontecido. No caminho até em casa eu fiquei refletindo sobre tudo aquilo e cheguei a uma conclusão: eu preciso começar a trabalhar já esse parto! 

Eu estava gravida de 11 semanas, acho, e decidi ali começar a fazer o pré-natal com aquela equipe. Entrei em contato e logo marquei a primeira consulta com a Mayra (enfermeira obstetra). 

Foi a melhor decisão que pude tomar! A gente ainda não sabia se conseguiria bancar um parto domiciliar por dois motivos, o primeiro financeiro, como já falei, e o segundo e mais importante, era o risco de desenvolver diabetes gestacional novamente, como tive na gestação do Ben. 

O parto domiciliar só pode acontecer em caso de gestação de risco habitual, e uma diabetes gestacional colocaria tudo a perder. 

Assim, começamos a fazer o pré-natal paralelo ao do SUS. Como bem definiu o Diego, no SUS era um pré-natal fisiológico e com a Mayra fazíamos um pré-natal emocional, voltado para o parto em si.

A cada consulta tínhamos a oportunidade de nos prepararmos emocionalmente para o grande dia. Além da avaliação básica, as conversas giravam em torno de questões emocionais, como eu lidava com as questões do meu corpo, como eu estava me sentindo, como estávamos enquanto casal etc. Também mantivemos o tempo todo a atenção sobre a diabetes, coisa que no SUS não aconteceu, já que a curva glicêmica deu normal. E ainda por cima as consultas sempre encerravam com um ultrasson natural lindo!! 

ultrasson-natural-18-semanas

Foi chegando perto do final da gestação, eu passei a monitorar ainda mais a glicemia, com várias medidas por dia. Passamos também a alternar as consultas com uma GO, a Maristela, que iria acompanhar o parto junto com a Mayra. Ela nos pediu pra fazer um ultrassom com Doppler, que não tínhamos feito até então, com medida da espessura da cicatriz, e também me pediu pra monitorar um dia inteiro a glicemia para descartarmos de vez a diabetes gestacional. As consultas com ela também eram incríveis! 

Com 37 semanas, finalmente a Maristela me deu “alta” do controle de glicemia, eu realmente não tinha e não teria diabetes gestacional! O resultado do ultrassom também tinha sido ótimo, bebê num tamanho bom (2,9 kg com 36s) e cicatriz também ótima. Estava enfim qualificada para o tão desejado parto domiciliar! Foi também nossa primeira consulta em casa, e aqui elas já trataram de avaliar a casa e planejar as questões do parto. Fiquei com uma lista de coisas para organizar para o dia P. E a partir daí basicamente era só esperar. 

[Parêntese para contar como conseguimos resolver a outra questão em relação ao parto: a financeira. Depois de muito quebrar a cabeça sobre como fazer para dar conta de tudo, decidi com a cara e a coragem que me restavam criar uma vaquinha online. Para isso, chamei algumas amigas que eu acreditei que poderiam topar entrar nessa empreitada comigo. Como nosso bebê já tinha o enxoval completo, incluindo carrinho, berço, bebê conforto, roupas para 1 ano e fraldas de pano, propus uma troca: quem quisesse nos presentear com alguma coisa, adoraríamos receber uma colaboração para o parto.  O resultado foi incrível! Recebemos ajuda de diversas partes do Brasil e alcançamos cerca de 50% do valor do parto! Jamais vou saber retribuir a cada uma o carinho que senti ao receber cada contribuição. Esse bebezinho já mostrava para o que veio. <3 ]

Voltando…

No dia em que completamos 37 semanas, eu fui acordada na madrugada com umas cólicas. Elas vinham a cada 10 minutos e foi assim por uma hora. Eu nunca tinha sentido nada parecido, achei que o bebê já fosse querer nascer! Mas claro que nada aconteceu. E praticamente todas as noites a partir daí eu sentia a mesma coisa. Eu chamava de minhas contrações amigas! Por conta dessas contrações, eu jurava que o bebê fosse nascer a qualquer momento, tinha certeza que viria antes do Ben (que nasceu/ foi nascido com 39+3). Quando passa da data que o primeiro filho nasceu, a gente começa a achar que vai ficar grávida pra sempre! 

Parei de trabalhar com 37 semanas, só mantive uma parte dos meus jobs, o que me exigia 1h a 2h de trabalho por dia. Esse período de espera pelo bebê foi ótimo para descansar do ritmo insano que eu vinha desde o ano passado, e ainda consegui curtir muito o Ben e me “despedir” do meu filho único. Foi o lado bom da espera. 

O lado ruim da espera é a ansiedade. É o todo dia pode ser O dia. Quando passei de 40 semanas eu já tava de saco cheio. De todas as mulheres que estavam grávidas comigo, só eu ainda não tinha parido! É meio desesperador rs. 

Com 40s1d, saiu o tampão mucoso. Eba! Algum sinal! Entrei na internet pra pesquisar (e falei com minha amiga e doula Ale) e a resposta foi unânime, pode estar perto mas também pode demorar…aff…

No dia seguinte, Dia das Crianças, foi a festa do Floripinhas. Participei da organização, fiquei na portaria cobrando ingressos, enquanto isso a barriga fazendo mil contrações. Eu já estava me acostumando a elas. No meio da tarde, recebi uma mensagem da GO perguntando se eu não gostaria de ir ao hospital, aproveitando que ela estava de plantão, pra fazer os exames de pós-datismo que ela ia acabar pedindo dentro de uns dias. Abandonei a festa e fui lá. Fiz cardiotoco e ultrasson. Tudo certo com o bebê, e óbvio que em 20 minutos de cardiotoco não apareceu nenhuma contração pra contar história. Saí de lá super triste, por não ter nenhum sinal de que o parto estaria próximo e ainda por cima a notícia de que a Maristela teria que viajar no dia seguinte e não poderia nos acompanhar no parto (a não ser que o bebê esperasse mais uma semana). A sensação de que meu corpo não tava funcionando era gigante...

[continua]

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