Ana Rosa Bebê 2

Pré-natal no SUS (em Florianópolis)

Nós somos usuários do SUS desde (sempre?) quando eu saí do penúltimo emprego com carteira assinada, em julho de 2013. Desde então, não tenho muito do que reclamar, a experiência tem sido bem positiva. É claro que tem algumas coisas mais difíceis, mas quem disse que com plano de saúde é sempre fácil?

Para se ter uma ideia, a última consulta de rotina do Ben com um pediatra foi em julho do ano passado. Eu tinha marcado com a pediatra dele, no particular, para 1 mês à frente. Mas numa passada no posto de saúde descobri que tinha vaga na agenda para aquela semana mesmo. Fomos lá, medir e pesar, tudo certo e economizei R$150!

Bom acontece que no SUS funciona assim: se você não for dos grupos prioritários (gestante, criança até 2 anos, doente crônico ou idoso), tem que acordar cedo pra pegar a senha do dia. Se for urgente mesmo, o atendimento na UPA é excelente. Mas se eles virem que não é grave, prepare-se para esperar. Não tem muita chance para procedimentos eletivos.

Sendo assim, no final do ano passado quando eu quis tentar marcar ginecologista, foi impossível. Até que decidi fazer a consulta no particular (como conto aqui).

Mas quando eu já estava grávida, tudo mudou. Fui ao posto alguns dias depois de descobrir o positivo, falei que queria iniciar o pré-natal e pronto. Já saí de lá com a primeira consulta marcada. Detalhe: era uma sexta-feira, e a consulta foi agendada para segunda-feira.

O pré-natal no SUS é feito com consultas intercaladas entre enfermeira e médico da família. A nossa primeira consulta foi com a enfermeira e no geral foi bem positiva. Ela solicitou os primeiros exames, e também um ultrassom (que fiz particular pois o SUS não cobre) para descobrirmos a idade gestacional. A próxima consulta foi com médica, e essa foi um desastre (ela estava treinando um residente que tinha começado naquele dia, foi super rude comigo e achei inclusive que essa consulta desencadeou a paralisia de Bell que tive). Nas próximas vezes, sempre fui atendida pelo residente, e ele foi melhorando a conduta com o passar dos meses.

As consultas no geral são agendadas para os dias que tem grupo de gestantes. Então a gente chega, participa do grupo, e depois é chamada uma a uma para a consulta. Essa parte eu achei bem pouco prática, pois acaba indo uma manhã inteira na função (o que praticamente inviabiliza a participação do casal na consulta).

Em toda a gestação acabei participando só de dois encontros do grupo de gestante. O primeiro sobre nutrição na gravidez e o segundo sobre atividades físicas. Achei bem interessante a abordagem, em ambos, pois os profissionais apresentam atitudes palpáveis para o nosso dia a dia: a nutricionista orientou que a melhor dieta é aquela que nós mesmas cozinhamos em casa, a educadora física explicou que a melhor atividade física é a caminhada. Ou seja, soluções práticas e ao alcance das mãos (e bolsos).

Ao longo do pré-natal, não tenho queixas. O básico sempre foi feito: medir, pesar, avaliar o bebê, passar recomendações básicas. Tivemos alguns contratempos, como duas greves que acabaram cancelando consultas e atrasando a realização de exames. Mas nada que interferisse muito no processo. Para um pré-natal de risco habitual como o eu, achei tudo muito positivo! Fizemos todos os exames gratuitamente (menos o primeiro ultrassom, que era opcional) e até o parceiro tem direito a alguns exames básicos. E eu tive direito a uma consulta com o dentista e fiz um procedimento que seria cobrado R$300 se eu fizesse no particular.

Outro ponto bem bacana do pré-natal no SUS é a caderneta de gestante que a gente usa. É claro que eu tive que pedir a minha, se dependesse deles eu usaria um cartão mais simples que tem só as informações básicas para preencher. Mas como eu sabia que a caderneta existia, exigi a minha e é muito legal. Cheia de informações importantes sobre gestação, parto, puerpério. Dá pra conferir ela aqui.

A coisa que achei mais estranha (e bem negativa) até agora foi a total ausência de uma conversa sobre parto, escolha da maternidade, sintomas que devem ser observados, etc. Já estou no final da gestação (e faltei o dia que foi falado sobre o tema no grupo), e ninguém sequer tocou no assunto em consulta!

A partir dessa semana vamos passar a ir toda semana no posto para acompanhar essa reta final. Vamos ver se alguém fala no assunto…

Bom, essa é minha experiência de pré-natal no SUS em Florianópolis. Será que é assim em outras partes do Brasil?

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