Bebê 2

Paralisia facial na gestação

Primeiro, preciso começar o post dizendo: calma, tá tudo bem agora.

Já passou. Foi um susto daqueles. Mas como todo susto, a história é mais dramática do que o acontecido em si heheh.

Imagina que um dia estás trabalhando, e de repente te dás conta de que a boca não tá do “jeito certo”? Concentrada no trabalho, deixei pra lá e só fui lembrar de olhar isso à noite, na hora de dormir.

Olhei no espelho e… metade do meu rosto estava sem reação!

O lado esquerdo da boca não fazia o que eu mandava, eu franzia o lábio pra fazer um bico, e o bico ia pra direita. Seria engraçado na verdade, se não fosse meio assustador.

Maridíssimo tranquilo do jeito que é ficou colocando panos quentes e me mandou dormir que amanhã ia estar tudo bem. Foi o que fiz.

No dia seguinte, esse treco me intrigava. Fui trabalhar na Casa Gestar e lá por essas coincidências que a gente nem acha assim tão coincidências, tínhamos marcado um café com as meninas da casa (tudo doula, índia, sabe como?). Comentei com elas minha preocupação, àquela altura meu olho já não estava mais respondendo direito também. Todas acharam estranho, e uma delas, Camilla, enfermeira obstetra <3, resolveu mandar uma mensagem pro obstetra com quem ela tem parceria, só por desencargo de consciência.

[Aqui preciso fazer uma pausa pra lembrar que na manhã anterior, antes de tudo começar, tive consulta de pré-natal no posto de saúde. Foi uma experiência horrível, a médica com uma baita síndrome do pequeno poder, querendo me mostrar que eu não sabia de nada e ela sabia de tudo. Péssimo. Então a essa altura eu ainda não tinha vínculo com nenhum profissional de pré-natal, não tinha a quem recorrer…]

Bom, voltei a trabalhar enquanto elas continuavam o café no andar de baixo. Até que a Camilla veio até mim e disse “o dr. Pablo falou pra vc ir pra maternidade do HU ainda hoje”. [Hospital Universitário]

Minha primeira preocupação foi: mas e todos os trabalhos que preciso fazer? Não tenho tempo pra essas coisas não. Outra hora vou lá no hospital. Hoje não dá.

Minutos mais tarde, outra veio até mim e reforçou que o melhor era eu ir o quanto antes pro HU. (No dia seguinte ela me revelou que o médico na verdade tinha dito pra eu ir imediatamente pro hospital, mas elas quiseram me poupar o pânico)

Bom, parei o trabalho onde estava, chamei o Queridíssimo, e fomos pra lá. No caminho foi me batendo uma preocupação “e se eu não voltar pra casa? e se eu tiver que fazer mil exames? e meus trabalhos?” Fui acionando minha amiga back-up-parceira-pra-todas-as-horas. Não podia deixar trabalho pra depois!

Chegando ao hospital, só pra aumentar um pouquinho o drama, estava sem sistema, a recepção não queria deixar ninguém entrar, nós demos uma volta, um nó na segurança e chegamos à maternidade sem dar entrada direito. Chegando lá, “cadê seu papel?” “não tenho, tá sem sistema e não quiseram me deixar passar”, “vem cá que damos um jeito”. Nisso, a médica responsável ligou na recepção soltando os cachorros, onde já se viu barrar gestante na maternidade porque caiu o sistema? Pois que façam o registro à mão! Depois disso chegaram 3 gestantes que tinham sido barradas. Minha ida à maternidade já não tinha sido em vão!

Ok. Fui examinada pelo médico, relatei o problema, ele suspeitou de algum problema neurológico, fez milhões de testes, chamou outro médico, novos testes. Nada. Me mandaram pra emergência comum, porque aquilo não era um problema obstétrico. Chegando lá, novos testes, olha residente, olha assistente, olha especialista em neurologia. Por testes, leia-se: eu fazendo mil caretas pra mostrar como só um lado do rosto respondia.

Diagnóstico final: Aparentemente não era nada grave. Até existe um vírus que causa paralisia facial, mas os meus sintomas eram tão sutis que não valia a pena investigar ainda. Além do mais o tratamento seria com corticoide, coisa que eu não poderia tomar por ser gestante.

Fui liberada com a recomendação de monitorar os sintomas e voltar caso piorassem.

Depois de um pouco de reflexão, me autodiagnostiquei estresse. Estava cheia de “problemas” na minha cabeça, e nenhum deles parecia ter uma solução palpável. Onde o bebê vai nascer? Será que consigo pagar o parto? Como continuar os trabalhos após o nascimento do bebê? Onde vamos morar? Essas perguntas ficavam vagando incansavelmente na minha cabeça. Isso sem contar a sobrecarga de trabalho na qual estava envolvida desde a virada do ano.

A Camilla me ajudou fazendo algumas pesquisas, e sugeriu que o que eu tinha se chama Paralisia de Bell (e olha que o Google tem até um pdf pra download sobre o tema!). Uma condição rara, mas mais comum em gestantes, que começa de uma hora pra outra e vi embora do mesmo jeito que veio. Comecei a pensar que era exatamente isso.

Com meu autodiagnóstico de estresse, fui numa sessão de shiastu (massagem japonesa) e durante a massagem a senhora japonesa das mãos mágicas me disse que até meu couro cabeludo estava tensionado. A massagem e a conversa dela me ajudaram a liberar um pouco a tensão.

Uma semana depois as coisas começaram a melhorar, e duas semanas depois de surgir, a paralisia facial foi embora como se nada. Ufa!

O que tirei de lição disso tudo foi a tentar levar uma vida mais leve. Se meu couro cabeludo estava refletindo a tensão, imagina como não estava a situação pro nosso bebezinho, nesses primeiros três meses de vida?

Coincidência ou não, tive uma boa redução de trabalho em um dos meus clientes, o que ajudou também a reduzir o estresse. E assim estou levando, tentando não colocar os problemas na frente dos bois.

Sobre os meus “problemas” que me tiravam o sono, aos poucos estamos encontrando solução para cada um deles. Cada um ao seu tempo.

Pronto, tá tudo bem agora!

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Comentários

5 thoughts on “Paralisia facial na gestação”

  1. Bom dia Denise, também estou com paralisia de Bell, estou grávida de 34 semanas, e foi um susto, eu nunca tinha ouvido falar. Bem, eu senti muitas dores no ouvido e no pescoço, e a paralisia se desenvolveu. Gostaria de saber se você tomou medicamentos também… E se fez fisioterapia… Abraço e Sucesso para você!

    1. Oi Sabrina, desculpa a demora em responder… espero que você já esteja melhor!
      Eu fiz só uma sessão de shiatsu e não tomei nenhum medicamento. A paralisia passou sozinha mesmo (com ajuda do shiatsu claro).
      Beijos e boa hora!

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