Ano 3

O dia em que o Paco virou estrelinha…

img_5353Era um fato anunciado: o Paco, nosso cão, estava velhinho, e sabíamos que em breve ele partiria. Estava prestes a completar 15 anos.

Paco era o cão da minha família. Ainda éramos adolescentes quando ele foi adotado. E com mil e um ajustes familiares ao longo do tempo, ele acabou vindo morar com a gente em 2013, quando o Ben tinha 8 meses.

Na manhã do dia 19 de outubro, estava fazendo o café da manhã quando olhei pela janela da cozinha e achei estranho o que vi: o Paco estático dentro da casinha… Aproveitei uma distração do Ben, que brincava na sala, e fui lá conferir o que o coração já tinha certeza… ele tinha partido.

Comentei discretamente com o Queridíssimo e tentamos não tocar no assunto ao longo da manhã. Nem precisamos conversar: os dois sabíamos que era melhor que o Ben não visse o Paco daquele jeito.

Esperamos que ele fosse para a escola para fazer alguma coisa. O Paco foi enterrado em um terreno perto da nossa casa, e ainda fiz questão de plantar uma semente na terra que o cobriu…

À noite, na hora do jantar, resolvemos conversar com o Ben sobre o assunto. Era melhor que estivéssemos os três juntos, do que ele perguntar no dia seguinte e um de nós não saber responder…

Então eu comecei a conversa:

– Ben, sabia que o Paco virou uma estrelinha?

– Por que, onde ele está?

– Ele virou uma estrelinha e foi pro céu.

– Por que que ele foi embora??

– Ele estava muito velhinho, estava cansado de ser cachorro e agora virou uma estrela lá no céu. – completou o Papai.

– Mas eu não quero que ele vá embora…

– Mas ele tá lá em cima no céu cuidando da gente agora.

E o assunto terminou com:

– Por que… por que… por que que não tá na hora de almunçar agora? Eu quero, eu quero, eu quero uma água….

Mais ou menos assim terminamos o assunto. Alguns minutos mais tarde, ele pediu pra ir lá fora ver se encontrava o Paco no céu. Mas era uma noite chuvosa e não tinha estrelinhas. (não sei ainda se isso foi bom ou ruim) Mesmo assim, ele ficou na porta chamando: “Pacoooo”…

Foi bem tocante.

Não voltamos mais a falar no Paco até uns três ou quatro dias depois. Por acaso, eu tinha trabalhado em um artigo naquela semana que falava que as crianças pequenas levam mais tempo para assimilar uma informação nova. Podem não entender na hora, mas no dia seguinte lembram e processam a informação. Acho que foi isso que aconteceu com o Ben.

No final da semana ele resolveu tocar no assunto: “Quando for de noite, a gente vai ver o Paco!”. E essa frase tem se repetido diversas vezes desde então, assim, solta em alguns momentos do dia. Só que coincidentemente ou não, faz mais de 20 dias que não para de chover nessa cidade (#help) e ainda não tivemos uma noite estrelada para “ver o Paco”.

Confesso que de minha parte fiquei um pouco aliviada com a partida do Paco, pois ele estava realmente velhinho e debilitado. O Ben sabia disso. Acontece que até pra mim tem sido uma “ausência” esquisita de conviver. Imagino como deve ser pra ele, que cresceu com essa companhia…

Foi gostoso resgatar algumas imagens que mostram a parceria dos dois ao longo do tempo:

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