Relato de desmame do Ben – 2 anos e quase 7 meses
Ano 3

Relato de desmame do Ben – 2 anos e quase 7 meses

Hoje fez três semanas que o Ben mamou pela última vez. Foram dois anos, seis meses e um pouco mais de 20 dias de amamentação. Seis dias depois ele faria 2 anos e 7 meses.

Estou desde então querendo escrever esse relato, e acho que demorei porque realmente não sabia por onde começar. Se eu começar do começo, vocês ficariam entediados. Se eu começar pelo fim, vai sair só um parágrafo de história. Decidi então começar pelo meio mesmo.

Se alguém me dissesse um dia que o desmame do Ben levaria pouco mais de um ano, eu teria desanimado antes mesmo de começar. Na verdade, me disseram que o desmame levaria bastante tempo, e por isso eu decidi nunca pensar nele.

No ano passado eu entrei em um grupo no Facebook chamado “Amamentação com desmame natural”. Eu gostava bastante do conteúdo, mas depois de um tempo comecei a perceber que a expressão “desmame natural” pode ter diversas interpretações. E pela postura da maioria do grupo, o desmame deveria partir única e exclusivamente do bebê, e jamais da mãe. Em vez de me frustrar, ou mesmo partir para a defensiva, o que eu fiz? Saí do grupo. Só hoje eu entendi melhor o que aconteceu ali: sem perceber, eu já estava interferindo na amamentação do Ben, pois a partir de um certo momento, precisei tomar para mim as rédeas da amamentação.

Esse foi o ponto crucial, no meu ponto de vista, da amamentação prolongada. A partir do momento que eu tomei as rédeas, a amamentação deixou de ser um fardo para mim, pois eu só amamentava quando estivesse confortável para mim. Calma, parece radical da minha parte, mas vou explicar como isso aconteceu de uma forma que o Ben quase nem percebeu.

O início do fim

Entre os 15 e 21 meses do Ben, eu trabalhei em período integral. Isso significou que na maior parte do dia (leia-se período diurno) ele não mamava. Eu o buscava a partir das 17h e então o mamá era em livre demanda até o dia seguinte.

Quando ele fez uns 18, 19 meses mais ou menos, basicamente mamava quando chegava da escola, antes de dormir (20h), e então algumas vezes à noite, e pela manhã.

(Agora uma pausa para lembrar que nesse período fizemos desmame noturno, então ficou meio confusa essa questão, pois ao mesmo tempo em que ele não mamava à noite, tivemos vários episódios de dentes nascendo – caninos e molares – e gripe que regredimos no desmame noturno. E as mais atentas, que me seguem no Facebook, vão lembrar também que uns seis meses depois eu ainda dizia que ele mamava à noite.)

Ainda nessa fase, entre 18 e 19 meses, eu passei a não dar mais o mamá quando ele pedia ao chegar da escola. Nessa hora, em vez de dar o peito, eu mostrava algum brinquedo, oferecia fruta, distraía ele com algo. Quase sempre funcionava, e aos poucos ele parou de pedir para mamar nessa hora. Ficou só com a mamada antes de dormir e as noturnas. Se não me engano eram perto da 1h e das 6h da madruga.

Com mais ou menos 20 meses, comecei a limitar a livre demanda, especialmente na rua. Quando ele pedia, eu dizia que não era hora, ou distraía, oferecia fruta. Em momentos críticos, obviamente eu cedia – especialmente quando queria muito que ele tirasse a soneca. Aos poucos, ele parou de pedir para mamar fora de casa.

Quando ele fez dois anos, eu tive diversos episódios de cândida nos seios. Era muito dolorido amamentar. Cheguei a pensar em desmamar, mas na noite de Natal, refletindo sobre tudo o que já tínhamos passado, observando o Ben mamar decidi que deixaria que ele decidisse a hora de parar. Afinal, já tínhamos chegado até ali. Eu simplesmente não me via interrompendo essa história.

Em janeiro eu viajei pela primeira vez sem ele, por 3 dias. Como contei neste post do Facebook, nessa e outras vezes que eu viajei fiquei secretamente torcendo para que ele desmamasse. E em todas as vezes ele plugou imediatamente no peito quando nos reencontramos.

Nesse verão, apesar de o Ben não mamar muito durante o dia, tinha dois momentos fixos em que ele mamava, o que me fazia acreditar que o desmame estava muito longe: antes de dormir e ao acordar. Muitas vezes ele ainda mamava de madrugada, quando acordava e vinha para a nossa cama.

Só que aos poucos, meio naturalmente, ele passou a sair do banho (que ele toma com o pai) e ir direto para o quarto assistir ao boi de mamão e dormir. Acho que ele nem percebeu quando deixou de precisar do mamá para pegar no sono à noite. Assim, só restou o mamá das 7h da manhã, que era meio que um ritual dele:

Acordava, vinha para a nossa cama, deitava do meu lado, pedia para mamar. Se eu não desse o mamá (coisa que chegamos a tentar em fevereiro), ele acordava para sempre, de modo que para garantir alguns minutos extras de “sono” eu cedia. Então ele mamava um peito, largava, pedia “eu quero esse outro mamá aqui”. Mamava o outro peito, largava, saía da cama, dava a volta na cama, ia até o pai: “papai, vem, vamos lá em baixo assistir à peppa que a mamãe vai dormir mais um pouquinho”.

Era o ritual dele, criado por ele. Não tinha por que mudar.

O fim do fim

É nessa hora que o relato começa a ficar mais detalhado, mas só para mostrar para vocês que, apesar de eu considerar que o desmame tenha começado um ano atrás, o desmame em si aconteceu muito rápido, e quase me pegou de surpresa.

Em julho, a fotógrafa Natália Brasil me convidou para um especial sobre amamentação, especialmente amamentação prolongada, que ela queria produzir para a Semana Mundial de Amamentação.

No dia 04/07, havíamos combinado que o Ben iria passar a noite com a vovó. Como dormiu com a vovó, não mamou na manhã de domingo. Chegou segunda-feira, e a mesma coisa, não pediu pra mamar. Não lembro muito bem por que. E ficou tudo bem, ele nem percebeu!

Nisso, estávamos marcando a sessão de fotos com a Natália, eu avisei a ela que o Ben não mamava desde sábado. Ela sugeriu antecipar as fotos para quarta-feira. E aqui devo confessar que nem negociei o mamá quando ele pediu, porque queria garantir que ele ainda estivesse mamando na quarta-feira!!

No dia das fotos, ele estava super feliz porque a gente ia tirar foto “do Ben mamando!”. Na hora da sessão foi muito engraçado, ele ficou eufórico de mamar às 10h da manhã! Ele dava gargalhadinhas felizes e incrédulas enquanto eu abaixava a blusa para ele mamar. Fofo.

A sessão durou pouquíssimos minutos, porque foi o tempo que ele se interessou em mamar ahaha.

A quinta e a sexta-feiras foram dias normais em relação à amamentação. Acordou, veio pra cama, mamou um, mamou o outro, chamou o pai pra ver a peppa, e a mamãe dormiu mais um pouquinho.

Eis que no sábado de manhã, algo aconteceu: ele acordou e chamou o pai. O pai atendeu, os dois desceram pra tomar café. E ninguém falou em mamá.

No domingo, a mesma coisa, para minha estupefação.

Nos dois dias, ele chegou a pedir pra mamar, mas fora de hora, fora de casa, eu conversei com ele, expliquei que não era hora de mamar. Ele reclamou um pouco, mas logo aceitou.

No domingo à noite, ele estava jantando no meu colo. Eu comecei a conversar “em códigos” com o Queridíssimo. Dei a entender que, do jeito que tinha sido o fim de semana, se ele pedisse para mamar na segunda-feira de manhã eu não daria mais. Queridíssimo pegou a ideia, e deu total apoio. Afinal, se eu não desse o mamá, era a ele que o Ben iria recorrer.

Nisso, o Ben sacou a conversa e perguntou:

– Por que mamãe?
– Porque tu já estás grande. Não precisa mais mamar, né?
(ele me olhou, olhou pro mamá e sorriu pra mim)
– Por que?
– Porque tu já és grande, já vai ao banheiro sozinho, já come de tudo, já fala, brinca. Não precisa mais mamar, né?
(me olhou, olhou pro mamá, sorriu pra mim)
– Ben, fala tchau pro mamá?
– Tchau mamá! (abanando a mão)

Nessa hora fez-se um silêncio em casa. Pra mim, foi um momento super emocionante, apesar de ainda não assimilar tudo o que estava acontecendo.

No dia seguinte, ele teve uma crise de tosse de madrugada e pediu pra mamar.Só que não era hora de mamar (estávamos levando a sério o desmame noturno), e eu aproveitei o momento para lembrá-lo:

– Lembra, que a gente deu tchau pro mamá?

Ele lembrou. Parou de pedir e voltou a dormir imediatamente.

Passaram-se cinco dias, e no dia em que completou 2 anos e 7 meses, ele pediu mais uma vez pra mamar. Eu novamente relembrei que ele tinha dado tchau pro mamá.

E desde então, tivemos mais umas 2 ou 3 recaídas, mas quando eu lembro que ele deu tchau pro mamá, ele de conforma e relaxa, ou volta a dormir.

E assim ficou registrada a antepenúltima vez que o Ben mamou em sua vida:

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Foram quase 31 meses. Não vou dizer que foram fáceis. Mas certamente foram muito gratificantes. Ver meu filho crescer com saúde, e ter respeitado seu tempo valeu por cada dor, mastite e cansaço por que passei.

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Comentários

4 thoughts on “Relato de desmame do Ben – 2 anos e quase 7 meses”

  1. De, tanto tempo passei sem vir aqui e volto justamente com você relatando o desmame. Aqui filhote tem 19 meses, ainda fazemos livre demanda quando estamos juntos, e eu estou começando a pensar no desmame – aquele momento em que ele começa a aparecer no horizonte da nossa vida, sabe? Ainda não sei como, mas sinto que também terei que interferir, pelo menos é o que me parece hoje. Chorei aqui com o tchau do Ben para o mamá e achei linda a forma como você conduziu tudo isso. Você me ajudou lá no começo e agora, quando começo a imaginar o fim, sua experiência tem um grande valor de novo. Obrigada por dividir! Ben é um rapaz de muita sorte. 🙂

    1. Oi Marina,
      nossa, fiquei super emocionada com teu comentário. Realmente eu achei, quando escrevi, que meu relato estava completamente sem emoção. Não sou boa com as palavras para momentos emocionais, ahaha.
      Eu fico muito muito muito feliz sempre que eu sei que estou ajudando alguém com a minha experiência. Fico grata por ter recebido teu retorno.
      Espero que nossas experiências se cruzem mais vezes!
      Beijão

  2. Ai que lindo De! Tem emoção em cada parágrafo e não poderia ser diferente. Adorei o registro da penúltima mamada e a despedida do Ben e do mamá. Aqui as coisas aconteceram muito de repente, não tivemos a oportunidade de fotografar nem de dar “tau tau”, mas ainda lembro direitinho da última mamada, há quase 9 meses. A Luana crescendo na barriga, Ian já posicionado diferente pra não esmagar a mana, meus mamilos doloridos, e mesmo assim muito amor envolvido.
    Parabéns De! Mesmo com todas as dificuldades, encontraste AMOR e prosseguiste o tanto quanto foi necessário e prazerosa para vocês.
    Somos parte de uma minoria privilegiada.

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