Ano 3 Ben

O desfralde do Ben

O desfralde do Ben começou de forma totalmente despretenciosa. Antes de começar a contar, preciso dizer que eu achei que tudo aconteceu mais cedo do que imaginei. Que eu sempre fui aquele tipo de pessoa que defende que quanto mais tarde o desfralde, melhor. Acompanhei diversos casos de desfralde depois dos 2a6m que foram super tranquilos, e outros tantos desfraldes aos 2 anos e pouquinhos meses que foram super conturbados.

Mas aí veio o Ben mais uma vez me mostrar que tudo pode ser diferente do que eu sempre imaginei.

No final do ano passado, ele começou a lutar contra as trocas de fralda, e se mostrava realmente incomodado com a situação. Queridíssimo e eu combinamos então que, como em janeiro o Ben ficaria de férias com a gente, deixaríamos que ele ficasse pelado sempre que estivesse em casa. Na rua e a noite, voltaria a usar fralda.

No dia 03 de janeiro, depois de uma briga básica para colocar as fraldas, decidimos então deixá-lo pelado mesmo. Assim, sem nenhum preparo inicial nem qualquer estratégia. E assim foi. É claro que o primeiro xixi foi no chão né. Nesse mesmo dia, eu, que não me guento sem teorias, resolvi buscar o termo “desfralde” no Google. Veja: eu realmente nunca tinha lido nada sobre o tema. E nem tinha o mínimo interesse nos relatos de desfralde alheio.

Acabei topando com esse relato aqui, da Lu e da Lily, sobre um tal de desfralde relâmpago. Esse texto me abriu os olhos pra diversas coisas, entre elas o fato de que passar dos 30 meses pode tornar mais difícil o desfralde.

A Lu conseguiu desfraldar a Lily em 4 dias utilizando um método intensivo que está muito em voga no hemisfério norte (leia mais sobre isso no texto, a partir do subtítulo “O Método”). Como não tínhamos tamanha pretensão, apenas seguimos algumas linhas gerais do tal método:

  • Um adulto (eu ou o pai) ficou 90% do lado do Ben, observando seus sinais (o método diz que tem que ser 100% do tempo, e somente uma pessoa)
  • Ele ficou 90% do tempo pelado ou de cueca (os outros 10% se devem a passeios ou aniversários nas primeiras semanas)
  • Sempre que rolava um escape, a gente lembrava que o xixi era no penico. E sempre que molhasse uma cueca, a gente trocava por outra e reforçava que aquela era “a cueca sequinha”
  • O penico ficava sempre perto de onde estávamos, seja na sala, no quarto, banheiro, ou ao lado da piscininha dele no quintal.
  • Nunca perguntávamos (ou quase nunca) se ele queria fazer xixi. A frase era “Ben, se quiser fazer xixi é só falar com a mamãe, tá?”, no que ele respondia “e pro papai!”. Essa frase é repetida até hoje.
  • Paciência foi a palavra-chave do mês. E olha, tive que engolir a frustração infinitas vezes e limpar o chão como se não fosse nada demais.
  • Criamos a música do “xixi no penico!”, e todos da casa cantavam e dançavam a cada sucesso.

Bom, nós consideramos que o Ben estava desfraldado após 3 semanas de processo. Como falei, foi no dia 03/01 que tiramos sua fralda. A primeira semana foi repleta de xixis no chão, e o máximo que conseguíamos era terminar o xixi no penico, já que ele estava sempre à mão. E comemorávamos os poucos ml que caiam dentro. O primeiro xixi espontâneo foi com 7 dias, quando o Ben fez questão de levar seu penico até onde estavam nossos amigos e fez xixi na frente de todo mundo!

Mas aí veio a segunda semana. E o Ben simplesmente passou a se recusar a sentar no penico ou no vaso com redutor (usamos os dois o tempo todo, sem regra). Ou ele sentava, ficava um tempo, dizia “fez”, mas não fazia nada. Cinco minutos depois, aparecia um xixi ou um cocô fora do lugar.

No início da terceira semana, lá pelo dia 20, eu já estava desistindo. Comecei a imaginar que teríamos que refraldá-lo para o início das aulas e retomar o assunto depois da adaptação na nova escola (que começa só agora dia 09/02, eu estava realmente sem esperanças). Mas aí, no dia 21, fomos passa a tarde na piscina na casa de uma amiguinha do Ben, e para minha alegria ele pediu 3 vezes para sair da piscina e fazer xixi. Sendo que em duas vezes ele conseguiu segurar até chegar ao banheiro. Na quinta-feira, dia 22, ele pediu mais algumas vezes para fazer xixi no banheiro, mas escapou algumas vezes também.

Preciso contar também que durante todo esse tempo, ele ficava pelado ou de cueca em casa, mas usávamos fralda nas saídas. As fraldas de pano foram muito úteis nesse período, principalmente porque elas mudaram de nome: passaram a  se chamar cuequinhas, e só assim para o Ben aceitar colocar fralda.

Eis que no dia 23/01, exatos 20 dias de processo, precisamos ir a um escritório de advocacia, em família. Como o Ben já tinha pedido diversas vezes para ir ao banheiro, decidimos apostar levando-o sem fraldas. Deu tudo super certo! Lá pelas tantas, eu senti vontade de fazer xixi e levei o Ben junto. Ele sentou e fez o xixi tranquilamente, mesmo sendo em um local totalmente novo. Nesse momento ele foi oficialmente declarado um menino desfraldado!

Acontece que ele ainda nega até o fim quando perguntamos “quer fazer xixi?”. Então o jeito é ficar levando ao banheiro de tempos em tempos. Meu timer sou eu mesma. Se eu estou com vontade, mesmo que bem pouquinha, ele deve estar também. Então vamos ao banheiro e ele faz, nem que sejam algumas gotas. Sempre comemoramos! (Dia desses ele perguntou: “fez xixi mamãe? Parabéns!!” ahahah)

Mas para passarmos de fase nesse game, precisamos derrotar o chefão: o cocô. Esse ainda tem sido um certo desafio para a gente. Sabemos que o Ben funciona feito um reloginho, mas esse relógio ficou meio descompassado durante o desfralde. FIcou uma confusão, na verdade. Dias sem cocô, cocô na hora errada, cocô parcelado… Ainda estamos trabalhando nisso. Atualmente, com mais sucessos do que fracassos.

Ah, mas mesmo sem derrotar o chefão da primeira fase, já conseguimos dominar a segunda: o desfralde noturno.

Já havia um tempo que o Ben vinha acordando com a fralda seca pela manhã, mesmo antes de pensarmos em desfralde. O primeiro xixi era sempre logo após acordar. Então no processo de desfralde começamos a observar para tentar pegar esse xixi a tempo de preservar a fralda. Algumas vezes conseguíamos, outras não. Quando finalmente ele passou a pedir para ir ao banheiro, começou a pedir também pra fazer o primeiro xixi do dia no banheiro, mas não conseguia segurar e o xixi escapava enquanto eu abria a fralda. Isso ocorreu umas três vezes. Acontece que ele conseguia segurar muito bem o xixi se estivesse de cueca, mas não segurava se estivesse de fralda. Então no terceiro dia decidimos colocá-lo para dormir sem fralda. E foi sucesso: no dia 27/01/2015, o Ben dormiu sem fraldas pela primeira vez na sua longa vidinha!

Na segunda noite não tivemos tanto sucesso. Mas percebemos que deixamos escapar alguns sinais que o Ben deu pouco antes te fazer o xixi na cama. Ele resmungou, chorou um pouquinho. Eu fui consolar achando que era pesadelo, e quando ele se acalmou, fez um xixizão. Foi preciso acontecer isso uma única vez para a gente aprender a ficar ligado nos sinais!

É claro que houve outros acidentes, tanto de dia quanto de noite. Mas agora esses é que são a exceção.

Antes de terminar, algumas observações sobre tudo isso:

  1. Quando começamos o processo de desfralde, o Ben nunca tinha avisado antes que ia fazer xixi ou cocô.
  2. Ter ficado pelado ou de cueca ajudou muito a perceber a relação causa-consequência. Por isso considero que as cueca de treinamento devam ser usadas somente em ocasiões especiais (como passeios no meio do processo).
  3. O método sugere que um adulto fique 100% do tempo ao lado da criança. E realmente, era só eu olhar pro lado, pro celular, ou sair pra buscar algo em outro ambiente que pimba: escape.
  4. Quando começamos o desfralde, fazia poucos dias que o Ben tinha começado a dormir a noite toda (todas comemora!), mas com essa história de desfralde noturno, voltamos a acordar algumas vezes na madruga (todas chora!), AND ele voltou a mamar na madruga pra voltar a dormir (todas se descabela!!).
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Comentários

2 thoughts on “O desfralde do Ben”

  1. Oi De! Fiquei vibrando com seu post e muito feliz de saber que meu relato tenha sido útil de alguma forma! Certeza que sua experiência vai ajudar muita mãe por aí também – especialmente pra mostrar que o método pode ser adaptado de acordo com as circunstancias e principalmente a criança!

    Parabéns pra vocês e pra ele pela grande conquista! E espero que logo as noite se normalizem por aí outra vez.

    Grande beijo,

    Lu

    1. Luu! Que honra receber um comentário teu 🙂
      Sim, o teu relato virou minha bíblia, mas acho que tivemos um pouquinho de sorte também (ou será que não? rs)
      As noites estão voltando ao normal. As minhas, pois agora quem acorda à noite é meu marido. Acho justíssimo, afinal, aqui ainda seguimos em amamentação prolongada!
      Beijos e gratidão!

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