Ano 2 Ben

Divagações sobre a volta ao trabalho e a escolarização

Só agora me dei conta de que não voltei aqui para contar como tem sido a volta ao trabalho.

Deve ser porque foi uma volta tranquila, muito (muito) mais do que a minha primeira volta ao trabalho. Naquela vez, o Ben mamava exclusivamente, eu fui pega de surpresa com uma volta 2 semanas antes do esperado, e  não tivemos tempo nenhum para uma transição.

Dessa vez foi outra história. O Queridíssimo gosta de dizer que a gente fez a adaptação perfeita: durante quase seis meses, o Ben foi só por um período à escolinha. E depois de estar há quase 3 meses nessa mesma escola, a passagem para o integral foi mais tranquila.

É claro, não vou dizer aqui que estamos na situação perfeita. Ainda não me agrada nem um pouco o fato de que meu filho está o dia inteiro longe de mim. E não deve ser fácil pra ele também.

Ele passou a mamar muito mais durante a noite. E muitas vezes quando o busco ele está chupando e até mordendo os dedinhos.

Nas primeiras semanas eu ainda precisava ir para casa antes de ir buscá-lo, pois tinha algumas pendências com meus trabalhos anteriores. Mas logo nos demos conta de que não devia estar sendo fáicl para o Ben ficar tanto tempo “sozinho”. E mudei minha rotina: saio do trabalho e vou imediatamente buscá-lo. Foco nele desse momento (umas 17h) até a hora em que ele dorme (umas 20h). Só depois disso é que vou trabalhar nos meus frilas.

Ainda preciso continuar com esse frilas, pois dão um reforço bem importante no nosso orçamento. Sem falar que eu gosto deles, sabe quando a gente pega carinho pelo trabalho? Sou dessas.

Vez por outra me pego pensando e repensando (será que um dia isso vai ter fim?) sobre trabalhar fora X maternidade X dinheiro X educação.

Se por um lado foi muito bom estar em casa com o Ben, com horários flexíveis e muita disponibilidade, por outro, de nada adiantava ter todo o tempo do mundo para fazer natação com ele no meio da tarde, se não tivesse dinheiro para pagar por essa natação. Assim como uma sessão de Cinematerna, ou um café com as amigas… tudo isso custa! É ótimo ter todo o tempo do mundo, mas com a grana curta, chega a ser frustrante… Em compensação, agora terei esse dinheiro, mas e o tempo?

Aos poucos vou resolvendo essa questão do tempo. Felizmente esse trabalho permite jornada flexível, então assim que as coisas estiverem bem estabelecidas, vou tentar fazer um arranjo pra ir à natação com o Ben.

Nessa questão do dinheiro, carreira, trabalho, estou até que bem resolvida.

O que me dói, dói mesmo, é a questão da escolarização.

Apesar de gostar muito da escolinha que o Ben frequenta, ainda tem algumas coisas que deixam a desejar. O causo do dia das mães é um exemplo. Aquelas atividades clichê, que são feitas desde sempre e sem muito se questionar sobre o tema. O pior é que atende aos anseios da maioria dos pais, então não tem muito como lutar contra. No mundo ideal, eu teria disponibilidade de tempo e dinheiro para levá-lo somente a atividades de aprendizagem e socialização de qualidade.

Depois de uma conversa com duas amigas queridas, fiquei refletindo sobre a questão da escolarização. Hoje, conhecendo o Ben, sabendo da criança livre, criativa, entusiasta, alegre e tudo o mais que um serzinho de 16 meses pode ser, eu chego à conclusão de que existem 3 mitos sobre a escolarização de bebês que talvez as pessoas não se deem conta:

  1. Eles adoram.
  2. Eles logo acostumam.
  3. É bom pra eles.

Não, eles não adoram. Se eles fossem escolher, eles ficariam em casa, iriam pra casa da vovó, pra casa de um amigo, mas não iriam para a escola. E não, eles não se acostumam. Eles se resignam. Eles percebem que nada podem fazer para mudar isso e aceitam, simples assim: aceitam. E por fim, não, não é bom pra eles. É bom pra mãe, pro pai, pra sociedade. Mas pra eles não é bom. Bebê não precisa socializar, até porque eles nem socializam (essa semana eu vi o Ben brincando com outras crianças pela primeira vez, e todas mais velhas). Em tese, eles não precisam ser submetidos a um tratamento que envolve a disputa com outros bebês pela atenção e cuidado do cuidador.

Então, concluindo sobre meu retorno ao trabalho. É bom, é revigorante, é tranquilizante ter algo fixo e garantido. Mas meu coração não está feliz e tranquilo e revigorado de ter que deixar meu bebê aos cuidados de terceiros durante boa parte das horas em que ele está acordado, todos os dias.

 

 

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Comentários

5 thoughts on “Divagações sobre a volta ao trabalho e a escolarização”

  1. áh De., é realmente muito difícil essa “escolha”. Até disse para uma amiga que eu sou feliz por não ter essa escolha e ponto. Pq doi muito. Tenho certeza de que a Laura adoraria estar em casa, mesmo que fosse com uma babá, mas estar na casa dela, com seus brinquedos, brincando n parquinho do prédio dela… só que eu não confio em ninguém para cuidar dela que não seja “monitorada” por outros… então não rola babá. Mas eu fico como vc: feliz por trabalhar, triste por não estar com ela (sabendo que ela também está triste por não ficar comigo).

    Tenha meu abraço.

    Beijos!

    1. É Dani, entre uma babá e uma escola, sou muuuuito mais feliz com uma escola, sem dúvida! Eu mesma amo o ambiente escolar, e fico toda entusiasmada com cada atividade que envolve a família. Tenho que colocar na minha cabeça que não tenho escolha mesmo, aí acho que as coisas ficam mais fáceis…
      Beijos

  2. Apesar de ainda não mandar o Mateus pra escolinha, eu entendo perfeitamente o seu desabafo Denise… Tb já me pego apreensiva por esta nova fase. Ano que vem não terá jeito, minha mãe não reclama, mas vejo que ela está ficando muito cansada e tá difícil de aguentar o pique dele. Tb ficarei com o coração na mão, o jeito será aproveitar ao máximo o tempo juntos, seja ele pouco ou muito, mas que seja com bastante qualidade!
    Bjos!!!

    1. Aproveitar ao máximo o tempo juntos, esse é o meu lema!! Quando a gente escolhe uma escolinha em que confia, tudo fica mais fácil, vc vai ver!
      Beijos

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