Ano 2 Ben

O dilema da escolinha

Quando o furacão começou, fazia pouco mais de um mês que o Ben estava numa escolinha nova. Foi uma adaptação demorada, durou o mês de janeiro inteiro.

Péra. Primeiro, vou voltar um pouquinho no tempo para contar sobre nossa experiência com a escolinha no ano passado. Depois de visitar algumas opções, escolhemos uma bem pertinho de casa, com um espaço aberto enorme (meus olhos brilharam de imaginá-lo engatinhando por tudo). Era uma escola bem antiga do bairro, com uma proposta bacana de “criança tem que brincar”.

Tudo muito bonito na proposta, mas na vida real, no dia a dia, as impressões foram se desfazendo. Não havia nenhuma relação entre pais e escolas. A criança é deixada no portão, e não se sabe o que acontece lá dentro. Isso sem falar na alimentação. A máxima que ouvi da coordenadora um dia foi “a comida é super balanceada, por exemplo, no feijão tem até brócolis, eles comem e nem vêem!”. Pois se é justamente nessa fase que eles têm que aprender a comer saudável, por quê esconder os legumes? Isso sem falar que toda sexta-feira tinha piquenique, e não existia regras. Era perfeitamente permitido, e aceito, que uma criança levasse bolacha recheada, por exemplo.

Enfim, foi uma frustração atrás da outra. A festa de final de ano, outro fiasco. Sabe aquelas coisas que são feitas muito sem pensar, por que sempre foi assim, e assim será?

Pois bem. Esse não era o tipo de educação que eu queria pro Ben.

Voltamos para uma escolinha nova, que eu tinha visitado no ano passado, mas que tinha me frustrado por ter uma tv ligada na sala de recreação. Essa tinha dois pontos super positivos: 1. por ser nova, tinha pouquíssimos alunos; e 2. uma alimentação orientada por nutricionista, onde açúcar é proibido.

Logo no primeiro dia de adaptação, o Ben ficou super bem! Já de cara encarou um período inteiro por lá. Só que os dias foram se passando, e chegou um ponto em que era só estacionar em frente à escola que o chororô começava. Era muito triste deixá-lo lá chorando, eu me peguei diversas vezes querendo desistir. Em todo esse processo, ele se apegou à dona da escola, e tinha dias que ela não conseguia nem ir ao banheiro, de tanto colo que ele pedia! Num grupo de mães, me deram a dica de um dia o pai deixá-lo lá. E assim foi, ele deixou dois ou três dias, e cada dia com menos choro. Até que um mês certinho ele me deu tchau (táu) pela primeira vez. E fui trabalhar tranquila.

Até aí, o Ben estava indo no esquema de diárias, pois eu mesma não sabia se íamos nos adaptar, como família, a essa nova escola. E daí que quando estávamos quase decidindo matriculá-lo, pimba: o proprietário pediu a casa. Então continuamos levando-o à escola, mas já deixamos avisado que possivelmente teríamos que colocá-lo em outra.

Eu estava abalada com a possibilidade de ter que fazer uma outra adaptação. Olhamos várias casas perto da escola, mas nenhuma foi AQUELA. E então encontramos a casa da Nova Esperança. Que fica numa região super central, com diversas escolinhas ao redor. Algumas possíveis de ir a pé.

A escola atual tem um defeito: A gente não entra até a salinha. Deixa o bebê na recepção e ali espera por ele no final do dia (e assim foi a adaptação, nós não entrávamos lá). Eu até estava animada com a possibilidade de ir para uma escola onde eu pudesse entrar, vê-lo com seus amiguinhos, sentir como é o ambiente da sala de aula dele, e tal. Então avisamos que seriam os últimos dias dele lá.

Decidimos começar a adaptação na nova escola só na segunda-feira depois do carnaval, para não ter que fazer uma pausa grande no meio do processo. Na quarta-feira de cinzas, cheguei como de costume para deixá-lo, estacionei na parte de dentro da escola e levei até a recepção. A dona da escola logo começou a falar: “Na sexta-feira, eu pensei que fosse o último dia do Ben (snif), me enfiei no berçário (snif) e pedi pra outra professora trazê-lo (snif). Agora ele me aparece aqui!”

Eu quase desmoronei. Nesse momento, minha decisão de trocá-lo de escola ficou super abalada. Comecei a pensar: se a professora que tem tantos alunos (são 12 ao todo na escola) se apegou dessa forma a ele, imagina ele, que passou 2 dos 13 meses da vidinha dele ali dentro?

A questão distância pesava muito nesse momento. A escola fica numa região afastada, e bem contramão. Se agora estamos mais perto da região central da cidade, teria que continuar indo para o bairro distante só para levá-lo para a escola. Quer dizer, o trânsito e a distância continuariam fazendo parte da nossa rotina…

Mas aí eu comecei a ponderar as necessidades do Ben. Do que ele precisa em uma escola nesse momento? De carinho, atenção e uma boa alimentação. Ele não precisa de uma escola super estruturada, nem de aulas de robótica ou capoeira. Ele precisa de carinho.

E então fui me consultar com minhas universitárias: um grupo de amigas que mantém um chat permanente no Facebook. A primeira pergunta que elas fizeram foi: “mas é longe quanto?”. E aí caiu minha ficha: são só 5 quilômetros. Não é que eu precise atravessar a cidade para levá-lo. Sem falar que existe um atalho que me ajuda a fugir do trânsito em horários de pico. Ah, e tanto na ida quanto na volta, nós vamos no contra-fluxo.

Conversamos bastante aqui em casa, e decidimos: na segunda-feira matriculamos o Ben na escola atual!

E assim foi. A professora-dona da escola ficou radiante de felicidade. E ele nem se deu conta, mas sua vidinha continuou exatamente como era até então. Só que agora ele tem uma agenda, material escolar, e em breve um uniforme cinza com amarelo. E nós ficamos tranquilos de saber que ele passa suas tardes em um lugar onde recebe o carinho e a atenção que merece!

E uma aula de horta de vez em quando ;)
E uma aula de horta de vez em quando 😉

 

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Comentários do Facebook (ou se preferir, deixe seu comentário ali embaixo)

Comentários

6 thoughts on “O dilema da escolinha”

  1. <3
    own….
    que linda essa professora…. e que enorme ele está!!!!! Ele cresceu horrores!!!!!!!!!!!!!!!

    Decisão tomada pelo coração sempre me parece acertada. Posso estar errada, mas nossa intuição nestas questões pesa bastante, não?

    Beijos!!

  2. Adoro finais felizes!!! Que bom que está tudo se acertando, casa nova (amei o quartinho do Ben), escolinha… Queria encontrar um lugar especial pro Mateus tb, mas tá difícil aqui por perto.
    Bjos pra vcs!!!

Deixe uma resposta para Isabela Sperandio F. Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *