Reflexões

A terceira vez que eu pari

Na última sexta-feira, 06 de dezembro, eu pari. Não, o Ben não ganhou um irmãozinho (deusolivrguarde), mas um primo-gêmeo, filho da minha irmã gêmea. O dia inteiro eu fiquei em estado de vigília, a vida ficou meio em standby, e até me atrapalhei com umas entregas do trabalho.

Minha irmã tem trombofilia, e por isso a recomendação dos médicos era não deixar passar das 40 semanas. Então quando completou as 40 semanas, decidiu-se marcar uma indução para o dia seguinte.

A internação foi às 7h30 da manhã. Um pouco antes, o Ben nos acordou e a primeira coisa que eu falei foi: “A Ana já está lá?”. “Não, ainda são 6:50”, respondeu o Queridíssimo. Levantei, arrumei o Ben e me arrumei na maior expectativa. Nesse dia, eu ficaria em casa pois tinha vários trabalhos para realizar. Mas coloquei uma roupa bem bonita. O Diego perguntou: “Ué, vai pra loja?”, e eu respondi: “Não, me arrumei assim pra receber o Marcelo”.

Pela manhã, a ansiedade já estava lá em cima. Mesmo sabendo que a indução pode demorar até dias. Não no caso da minha irmã, pois o acordo com o médico seria acompanhar a evolução ao longo do dia, e se até a noite não evoluísse, seria feita uma cesárea. Eu já estava preparada psicologicamente para a cirurgia. Bom, paciência, depois de um aborto retido no ano passado, e uma gravidez teoricamente de risco (tomando 2 injeções diariamente), queríamos mesmo era conhecer o Marcelo com saúde, não importando a via de nascimento.

Durante a manhã, conversamos bastante pelo computador, ela estava resolvendo uns assuntos extra-maternidade ainda. Quando conseguiu resolver, eu falei: “agora desliga tudo e foca nesse gurizinho”. Quando na verdade eu queria que ela ficasse conversando comigo, queria saber noticias! Mas o melhor era que ela desligasse tudo mesmo.

No início da tarde, mais notícias: um novo comprimido, mas nenhuma evolução na dilatação. O coração ficou apertado, a visão dela no centro cirúrgico ficando cada vez mais nítida.

E então eu recebi em casa minha amiga Mel e seu filhote Jooji, que me ajudariam com os preparativos do aniversário do Ben. Ficamos a tarde inteira desenhando e cortando, e tentando proteger tudo das mãozinhas e boquinhas nossos bebês e vice-versa (mais o Ben do que o Jooji, obviamente). Foi ótimo tê-la aqui, consegui deixar a cabeça longe daquela maternidade.

Às 16h mais ou menos recebi uma mensagem: não conta pra ninguém, a bolsa estourou às 14h30 e as contrações já começaram.

Nossa, nessa hora eu fiquei doida de emoção! A cada segundo eu olhava pro celular em busca de novidades, mas ela (certíssima!) desligou o celular. Mais tarde não me segurei e perguntei como estava. Levei uma mini-bronca pedindo pra relaxar, parar de mandar mensagem e a notícia: 4cm! (nessa hora fiquei meio tensa, porque eu não passei dos 4cm, mas estava feliz que a indução estava funcionando!).

Umas 18h, eu estava explodindo. Mandei uma mensagem pra minha amiga Sylvia: “a bolsa estourou às 14h30, às 17h estava com 4cm, ela pediu pra não contar pra ninguém mas eu estou muito nervosa!!”Ahaha #prontofalei! nós rimos, e ela me deu a notícia mais curiosa da noite: a irmã dela, que tinha DPP para 26/12, tinha ido para a maternidade com contrações de 10 em 10! Isso me ajudou a tirar um pouco a tensão, pois pela manhã eu tinha encontrado essa amiga e notado que sua barriga estava muito baixa!

Lá pelas 19h e pouco, mais uma notícia: “A Ana está com 7 para 8 de dilatação, em cerca de 3 horas o Marcelo estará com a gente”. Nossassenhora que emoção! Comecei a tremer! Estava amamentando o Ben, e conversando com minhas amigas de Cinematerna (temos um chat no Facebook). Eu brinquei que estava quase voando para a maternidade, e elas me incentivaram: vai guria!!

Decidi ir! Se ele nasceria em 3 horas mais ou menos, e eu chegasse antes de encerrar o horário de visitas, talvez me deixassem entrar para conhecê-lo! Só esperei o Ben terminar de mamar e o Queridíssimo chegar em casa. Coloquei o Ben para dormir, peguei a chave do carro e fui!

Acho que fiz o caminho da minha casa à maternidade em tempo recorde, mas ao mesmo tempo parecia que eu estava no Show de Truman, de repente parece que a cidade inteira resolveu ir para aquela maternidade! Não chegava nunca!

No meio do caminho recebi uma ligação da minha mãe dizendo que estava indo pra lá também. E logo a seguir, uma mensagem do meu pai, replicando a mensagem do meu cunhado: “Ele está a caminho, já consegui ver o cabelinho!”.

Nossa, minhas mãos começaram a suar e tremer, comecei a ter calafrios, o coração saindo pela boca.

Entrei na maternidade, estacionei de qualquer jeito, expliquei na recepção que minha irmã estava tendo neném, e me indicaram o caminho. Cheguei à sala de parto, minha mãe estava na ante-sala, olhou pra mim, me abraçou e disse “Nasceu! Acabei de ouvi-lo chorar!”

Nossa, eu fiquei transtornada! A cabeça e o coração não estavam mais conversando entre si, eu olhei pra porta e quis entrar!! Nessa hora olhei minha irmã, ela ainda não tinha liberado a placenta. Ela estava com uma cara de feliz, mas cansada, e se assustou por ter visto a gente ali. Fiquei morrendo de vergonha por ser tão invasiva. Mas eu estava muito emocionada!!

Depois, com calma, o médico e a enfermeira nos convidaram para entrar novamente. Aí fomos ver como ele era lindo, calminho, rosado. Minha irmã ainda estava se recuperando, eu tentava me segurar a emoção, respeitar o seu momento, tirar fotos, tudojuntoaomesmotempoagora.

Por conta de um mal estar, só quando eles foram para o quarto é que o Marcelo pôde mamar. Nessa hora, eu fiz questão de estar junto. Ela estava deitada, posicionei o Marcelo junto ao seu peito, ajudei-o a abocanhar e nossa! Pega perfeitinha! Nada como um nascimento respeitoso!

Quando vi que ele estava mamando bem, senti que minha missão lá estava cumprida. E vim embora pra casa cuidar do meu pequeno. Mas o coração ainda transbordava de felicidade! (acho que ainda não parou de transbordar)

Essa foi a terceira vez que “eu pari”. A primeira vez foi quando nasceu o Jooji: nós ficamos grávidas juntas, e eles percorreram os mesmos caminhos que eu em busca do parto. A segunda vez que eu pari foi quando nasceu a Olívia, da Syl. E curioso que nessa sexta-feira, terceira vez que eu pari, estive conectada com as meninas “com quem eu pari” nas duas primeiras vezes. A cada vez que eu consigo “parir junto”, vou lavando a minha alma do luto do meu não-parto.

Bem-vindo Marcelo!

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Comentários

5 thoughts on “A terceira vez que eu pari”

  1. De, te entendo bem! Fiquei com esse luto por 1 ano e meio a dois anos… agora passou. Só desejo que um dia eu consiga! 🙂

    Parabéns pelo sobrinho! bjão

  2. me emocionei demais, Deni!
    É lindo demais viver o parto de quem a gente ama.
    a verdade é que quero parir mais 1232 vezes. Acho que vou ter que ser doula. Né?! 🙂

    parabéns pelo sobrinho e pela irmã.
    muito amor e leite por aí!

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