A mamadeira, a chupeta, o medo do desmame e a vovó no meio disso tudo
5º mês Ano 1 Ben

A mamadeira, a chupeta, o medo do desmame e a vovó no meio disso tudo

Ben não é um bebê chorão. Tirando aqueles primeiros dias em que eme CHO.RA.VA muito, sem explicação aparente, hoje em dia ele quase não chora. Existem duas situações em que ele chora inconsolavelmente: quando está com sono, e quando não quer ficar no bebê conforto no carro.

Nem quando está com fome ele chora. Em geral, nessas horas ele começa a falar, e falar cada vez mais alto. Raramente chega a chorar de fome, pois identificamos logo nos primeiros sinais.

Por isso, tirando naqueles primeiros dias em que o choro era frequente, eu nunca mais cogitei a possibilidade de oferecer uma chupeta a ele. E mesmo nas vezes em que eu cogitei dar a chupeta, eu não me conformava com a imagem idealizada dele com aquela borracha na boca.

Acho feio. Acho uma solução muito fácil. Acho que parece uma muleta (chorou? bico nele.).

Nunca fui muito simpatizante da chupeta, mas nunca tive nenhuma explicação para isso. Achava feio e pronto. Uma vez, quando eu era babá, o coitado do Luca chorou até dormir de cansaço. E só quando a mãe dele chegou é que me toquei que deveria ter dado a chupeta a ele, que ele teria dormido tranquilamente. Tadinho…

E então, já grávida, encontrei evidências científicas que embasam a minha aversão ao bico. E toda vez que alguém vinha com o papo de bico, eu tascava algumas pílulas extraídas desse texto. Se eu achasse que não convinha remeter à ciência, eu simplesmente respondia: “tentei, não pegou”. Incrível como funcionou.

É claro que se o Ben fosse um bebê chorão, eu talvez tivesse até tentado usar chupeta. Um casal de amigos tem um bebê de dois meses (aquele que não mamava), que é um pouco mais chorão. É impressionante o efeito calmante que tem o bico. Pra eles, no contexto deles, o bico foi uma boa solução. Já dei minha opinião, e não questiono a decisão deles, pois sei que cada bebê é um, cada contexto é um diferente, e é muito fácil resolver o problema alheio.

Com relação à mamadeira, nunca tive nenhum problema. Foi só depois que entrei nesse mundo materno-bloguístico que foi descobrindo, gradativamente, os efeitos negativos do uso da mamadeira. Não foi uma única fonte, mas diversas delas que eu li, e que aprendi que a mamadeira é a grande vilã da amamentação. Além daquilo que já sabemos, que é muito mais fácil sugar no bico emborrachado do que no peito, a mamadeira também estimula incorretamente (assim como a chupeta) a musculatura facial do bebê, aumentando a predisposição para problemas respiratórios, de mastigação, etc.

O blog Mamadeira Nunca Mais reúne um dossiê contra esse utensílio, que há décadas anda desmamando multidões mundo afora. Para quem quiser se iniciar no assunto, recomendo especialmente a leitura deste texto que ela escreveu para o blog Super Duper.

Desta forma, aqui nessa casa não entra chupeta e muito menos mamadeira. Por todos estes motivos, estamos nesta saga de fazer o Ben tomar meu leite de alguma forma, seja ela o copo de transição, o copo comum, copo de cachaça ou a seringa. E aí é que está o erro mais comum: as pessoas têm a falsa impressão de que com a mamadeira essa transição teria sido mais fácil. E eu digo: não.

O Ben não está pronto ainda, do alto dos seus cinco meses recém-completos, para se alimentar de qualquer forma que não seja o peito. Se colocássemos um bico emborrachado em sua boca, seria capaz de ele fazer de tudo: lamber, morder, cuspir, mastigar, e, assim como acontece com o copo de transição, jamais descobrir que se ele chupar, como faz com o seio, ele vai conseguir tirar leite dali de dentro. Entendem aonde eu quero chegar?

Transição por transição, adaptação por adaptação, por quê não fazer as coisas direitinho? O Ben é filho de uma cdf, lembram? Eu leio, devoro manuais, sigo todas as regras. Se conseguir me convencer de que aquilo será o melhor para o meu filho, assim o farei.

E assim tive que começar um longo processo de convencimento de minha sogra, que ficaria com o Ben logo após meu retorno ao trabalho.

Um dia, depois de muito chororô lá na casa dos avós (que juntava sono, estranhamento do local, e a insistência de o afastarem da mamãe), meu sogro disse brincando que minha sogra levaria uma chupeta quando viesse ficar com o Ben. E eu fui taxativa: lá em casa não entra chupeta e nem mamadeira.

Como assim nem mamadeira? E como vamos dar o leitinho pra ele?Queridíssimo ( <3) respondeu: num copo.

Expliquei em linhas gerais o problema da mamadeira, mas não sei se convenci.

Tempos depois, chegou o grande dia de minha sogra ficar com o Ben. Meu sogro insistiu: mas qual o problema da chuquinha??

Repeti: estímulo incorreto da musculatura, consequencias futuras, risco de desmame.

Ainda não sei se consegui convencer, mas minha sogra, que é uma fofa, não questiona e tem se esforçado ao máximo para ajudar o Ben a tomar o leitinho de uma das formas disponíveis.

Com medo de que na minha ausência, em um momento de desespero, ela recorra à mamadeira, comecei a falar uma língua que sei que ela vai compreender: “Eu morro de medo de que ele largue o peito. A mamadeira é muito mais fácil, depois ele não vai querer o peito. O leite materno é a melhor vacina, se até hoje ele não ficou doente, grande responsável é o peito. O peito é prático, e se a gente sair na rua não preciso ficar levando kits de mamadeira e pó pra baixo e pra cima. Nem ter que levantar e preparar mamá de madrugada. Sem falar no preço exorbitante das latas de leite artificial. Quem vai pagar se ele desmamar?”

E assim o faço todos os dias. Tenho certeza de que ela não vai querer ser a culpada pelo desmame do Ben. E assim sei que ela vai ser pra sempre minha aliada nessa empreitada. A cada dia, com todo o seu poder de encantadora de bebês, ela ensina mais um pouquinho ao Ben. E tenho certeza de que ao final de sua estada aqui ela vai sair orgulhosa por te-lo ensinado a tomar o leitinho do jeito certo!

++++

Em tempo: na última sexta-feira matriculamos o Ben na escolinha. Depois da volta ao trabalho foi mais fácil decidir: escolhemos a mais cara perto do meu trabalho, para assim garantir que nos encontremos ao longo do dia para mamar. Fiquei feliz com o atendimento, e muito tranquila de saber que o Ben terá poucos coleguinhas com quem disputar a atenção das duas cuidadoras (hoje tem 6 na turminha).

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Comentários

13 thoughts on “A mamadeira, a chupeta, o medo do desmame e a vovó no meio disso tudo”

  1. Denise, é sério: você além de ser uma das minhas maiores fontes de inspiração nos assuntos da maternidade, é com toda certeza uma heroína! Fico muito feliz por vocês estarem se adaptando e proporcionando ao Ben tudo o que ha de melhor nesta fase tão importante da vida dele.
    Meu pequeno completa 2 meses e meio hoje e apesar do meu retorno ao trabalho estar previsto apenas para Setembro (quando ele já estará com os 6 meses completos) eu já estou “sofrendo”. Não sei se conseguirei voltar, mesmo precisando trabalhar. O duro é que ao contrário de vc não sou muito apaixonada pelo meu trabalho (mas preciso trabalhar pela grana) e eu sou muito, muito chorona (choro muito mais que ele, rsrs). O bom é que tanto meu trabalho quanto uma escolinha legal são próximos de casa. Ah, sim! Mateus só mama no peito desde que nasceu e não tive muito problema pra amamentar… exceto pelo fato de no 1º mês o Mateus vomitar após mamadas muito longas, mas graças a Deus, depois que completou 1 mês e meio ele superou isso. Agora eu posso perguntar? rs
    – Eu queria saber como será a parte da amamentação quando Ben for pra escolinha. Até lá ele estará comendo papinha, certo? A escolinha vai dar o leite no copinho?
    – Vi no post anterior vc falando que ele “assistiu” TV e tals… eu li algumas coisas sobre isso não ser bom para os bebês; Mateus vê TV de vez em quando, principalmente quando preciso fazer algum serviço em casa e preciso distrai-lo… Como vc fazia quando estava em casa? Leio livrinhos, mostro as imagens, canto muito pra ele (faço isso desde quando ele estava na barriga), mas tem momentos que minha cratividade se esgota e eu fico com cara de “eagoraoqueeufaçopratealegrareentreter?”.
    Parabéns pelo blog e perdoe o comentário/questionário gigante.
    Bjos

    1. Oi Patrícia, vamos por partes!
      Obrigada pela parte que me toca, mas não sou heroína não… ahahha… quando a gente acredita no que faz, não chega a ser sacrifício. E eu acredito mesmo nisso tudo…
      Ah, eu também sofri por antecipação a volta. Entrei num grupo “falando de volta ao trabalho” no Facebook e simplesmente não conseguia entrar nele e ler os posts. Só um mês antes de voltar que destravei…

      Agora vamos às respostas:
      – Na escolinha vamos fazer a adaptação semana que vem. Até os 6 meses ele vai mamar exclusivamente, vou lá 3 vezes ao longo do dia para dar de mamar (serão só duas semanas). Depois, quando começar a comer, vou tentar um atestado para continuar indo, e participar da introdução alimentar junto com as tias da escola. E também, quando necessário, vou levar o copinho e meu leite para ser dado lá.
      – Olha, eu passo por isso até hoje. Às vezes ele tá acordado e eu não sei mais o que fazer para entretê-lo. Além de tudo isso que tu falaste, quando já tinha acabado as opções eu saía para passear nas redondezas (ele adora!), ou enchia a banheira para um banho divertido, ou deixava ele de auto entreter com o tapete de atividades. Ah, li uma vez que é importante deixar o bebê sem estímulos, e já fiz isso também. De deixar ao lado dele e deixá-lo “guiar” a bringadeira. Mas acho que com 2 meses e meio, agora é que ele vai começar a responder aos estímulos, aí vocês vão criando suas brincadeiras juntos!

      Beijos

    1. Ahahhaah Nana… minha sogra é uma fofa mesmo! Ela mesmo brinca que ela é “um mal necessário”, e que está aqui para ajudar. Está sendo ótimo tê-la por perto.
      Essa parte de ser cdf é complicado, pois tales se eu não soubesse tanta coisa, o Ben já estivesse tomando leite na chuquinha… não sei. Tenho uma e não consigo dar a ele, pensando em todas essas evidências científicas… Mas estamos quase lá… uma hora ele aceita o leitinho!
      Beijos

  2. Denise, acho super válido o seu post e todas as suas tentativas de acertar, de fazer o que é melhor. Mas tenha muito cuidado com isso, com esse excesso de rigidez. Eu fui como você, criei um monte de regras, teorias, li todos os blogs e textos e, sinceramente? Exagerei! Não durmo há 1 ano, meu casamento está uma porcaria pq nao consigo me dividir e dar atenção ao marido, meu bebê ta num grude danado comigo e me chupeita a noite toda, eu não rendo no trabalho pq estou exausta… Enfim… se eu tivesse dado uma simples chupeta, por exemplo, talvez eu dormisse melhor.
    Nao estou querendo te apavorar, mas hoje aprendi que se eu tivesse deixado algumas dessas regras de lado, se eu fosse um pouco mais flexível, certamente as coisas estariam mais tranquilas…

    1. Eu te entendo… hoje em dia eu brinco dizendo que meu próximo filho vai sair da maternidade com uma chupeta (só brinco, tá), porque estou sendo muito certinha com o Ben. Mas eu busco sempre o melhor pra ele, então sigo em frente.
      Não acho que talvez você dormisse melhor se tivesse dado uma chupeta mas talvez teu bebê precise mesmo de mais contato, e a chupeta não iria satisfazer essa necessidade… (nunca saberemos!)
      Beijos e obrigada pela visita!

  3. Oi Dê! Adorei este seu post a respeito de chupetas e mamadeiras! Seu embasamento está perfeito, entendo, respeito e admiro sua decisão, sei que está fazendo o melhor para o Ben!!!
    Minha ideia inicial era não dar chupeta para o Mateus, meu marido também não queria, mas quando vimos na ultra que ele já chupava dedo ainda na barriga, ficamos apavorados porque o meu marido tem um primo que chupa dedo até hoje, ele tem 20 anos!!! Então naquela velha máxima de que “melhor a chupeta do que o dedo porque depois é mais fácil de tirar…” Eu não hesitei e antes mesmo de termos alta do hospital, quando vi o Mateus colocando os dedinhos na boca depois do mamá, eu coloquei a chupeta que tinha levado na boca dele. Quando a pediatra viu, morri de vergonha…
    Enfim, tudo isto pra dizer que assim como a “Encantadora de bebês” é contra o uso da chupeta pra calar o choro, eu também sou! Nunca coloco a chupeta na boca do Mateus chorando e sim depois do mamá pra não “chupeitar” e quando ele começa a colocar os dedos na boca. Pra dormir eu até coloco, mas é só pegar no sono que ele cospe e eu não coloco de volta, só quando ele quer acordar de madrugada e eu sei que não é fome.
    Quanto a mamadeira, eu já te disse do início difícil da minha amamentação, quase desisti de amamentar (o período pós parto deixa o nervos a flor da pele!), mas pensando no melhor pro Mateus e também na dica da “Encantadora” (não tome nenhuma decisão antes dos 40 dias de amamentação) resisti bravamente e consegui antes dos 2 meses tornar exclusiva a minha amamentação! Fiquei com medo do desmame e também o LA deu muitas cólicas no meu bebê… Vale lembrar que senti dores ao amamentar até os 50 dias de nascido do Mateus!!!
    Agora estou aguardando sem pressa o início da fase das frutinhas!!!
    Desculpe o comentário longo, mas é bom conversar com alguém que está na mesma fase que a gente!!!
    Bjos pra vocês!!!

    1. Oi Amanda, adoro teus comentários, não se preocupe por ser longo não. Leio tudo!
      Então, não li a “Encantadora de bebês”pois ouvi/li falar muito mal dela. Mas fiquei surpresa com essas duas recomendações (não calar o choro com a chupeta e não tomar nenhuma decisão antes de 40 dias). Fiquei curiosa pra ler o livro inteiro agora!

      Eu gosto de expor essas coisas aqui no blog, pois assim tenho feedback de outras mães, e também para poder sugerir algumas práticas que têm dado certo por aqui. Se ajudar um bebê a mamar por mais tempo, já estou felizona!

      Beijos

      1. Fiz uma leitura crítica do livro da “Encantadora” e gostei! Tem umas dicas boas para mães de 1ª viagem (como identificar choros e tal), ela prega muito o respeito ao bebê e isso acho legal. O que acontece é que muitas mães se frustam por não conseguir se enquadrar à rotina regradinha que ela ensina para adaptarmos aos bebês, mas eu nem me preocupei com isso, pois eu sei que os nossos filhos não são robozinhos e nem tudo o serve para uma família, funciona com a outra!
        Bjos!!!

  4. O Vítor pegou chupeta por uns 2 ou 3 meses. Como ele não era muito fã, tratei logo de tirar. Ele aceitou super bem e seguimos sem. Já a mamadeira não teve jeito. Passamos por um desmame precoce e atualmente, com 2 anos, ele toma leite integral na mamadeira. Mesmo assim, quero tentar fazer a transição para o copo ainda este ano, para evitar os problemas que a mamadeira resulta.

    Já com a Clara, nem sequer compramos chupeta ou mamadeira. São artigos proibidos! Quando não estou, ela toma o meu leite no copinho de transição! No início também foi difícil fazer ela aceitar, mas depois de um mês ela mesma passou a segurar o copinho, uma fofa!

    Beijos!

    1. Que bom que com o tempo a gente vai aprendendo, né? A Clara é uma privilegiada hehehe…
      Estou ansiosa para o dia em que o Ben vai tomar o LM no copinho. Segurando, ainda, seria um sonho!!
      Beijos

  5. De., acho louvável sua entrega ao pequeno Ben! Vc está de parabéns!
    Mais do que não dar mamadeira, chupeta, aleitar completamente em LD, isso ou aquilo, acho que vc acertou em ler tudo antes dele nascer e procurar embasamento científico nos assuntos que vc precisa.
    Isso não tem preço.

    Paguei caro por ser ignorante, por ter optado (veja bem, eu ESCOLHI) não entrar no mundo da maternidade antes de ter a Laura, pq eu queria focar em mim, nela, no nosso crescimento juntas, sem ter como parâmetro outras gestações e acabei ficando tão alienada que tive N problemas após o nascimento da Laura.
    Me admiram pessoas como vc.

    Beijos!

    1. Dani, eu sei, eu li teus relatos de amamentação. E por sorte, li antes de ter o Ben. Aprendi um monte com a tua história!
      É o que digo para a maioria das mulheres que perguntam “como me preparar para amamentação?: a melhor forma de se preparar, é se informando com informação de qualidade!
      Beijos

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