28 a 42 semanas Didicas

Relato sobre a maternidade do HU

Durante a gravidez, nas minhas pesquisas sobre o local onde teria bebê, só encontrei um relato de parto que tivesse passado no Hospital Universitário.

Fiz esse relato especialmente para a Elisa, que assim como eu tem muitas dúvidas quanto ao melhor local para ter seu bebê, que nasce em março. Espero com ele ajudá-la a fazer a melhor escolha, e outras mulheres na mesma situação.

**Se ainda não tiver lido, aqui está o relato de nascimento do Ben.**

Bom, para começar, preciso lembrar por que escolhemos ter o Ben no HU. Meu plano de saúde não cobre a maternidade humanizada da cidade (é enfermaria, e lá só tem apartamento, então eu teria que pagar a diferença). A outra maternidade tem taxas super altas de cesariana, e como eu queria muito ter parto normal, teria que pagar o chamado de meu médico para garantir que o possível fosse feito em busca do meu parto. Ficaria elas por elas (a maternidade humanizada versus a cesarista). Então um dia fomos conhecer o Hospital Universitário, em uma palestra mensal que a equipe realiza toda primeira terça-feira de cada mês. Lá, ficamos muito satisfeitos com o que nos foi apresentado e acabamos decidindo ter o Ben lá.

Então chegou o grande dia. A bolsa estourou alta, e fomos tirar a dúvida no HU. Ao chegar à emergência, fomos encaminhados para o Centro Obstétrico. Chegando lá, temos que tocar uma campainha e esperar que alguém venha nos chamar. Tinha outras três mulheres na minha frente, mas só uma era gestante.

Aguardamos um tempinho até que uma enfermeira nos chamou para dentro. Sem dizer um pio (juro!) essa enfermeira tirou minha pressão, mediu minha febre, e depois falou (ufa!) para nós esperarmos ali fora novamente que o médico me chamaria. Das três mulheres, a gestante foi mandada embora, a outra estava com cólicas e rapidinho foi embora também, e eu fui chamada antes da terceira mulher.

O médico que nos atendeu foi super atencioso, se apresentou, nos olhou nos olhos, e me examinou com cuidado. Ficou em dúvida se a bolsa estava rota ou não, então tratou de fazer um exame, segundo ele caríssimo, para se certificar. Quando foi confirmada a bolsa rota, deu entrada na minha internação.

Por sorte, vagou um leito na sala de pré-parto. São ao todo quatro leitos no pré-parto (duas salas com dois leitos cada). Cada leito tem uma cama e uma cadeira reclinável para o acompanhante. Entre as duas salas de pré-parto tem dois banheiros com chuveiros que são livremente utilizados pelas parturientes. Além disso, do lado de fora da sala tem um corredor com vários equipamentos – bola, barra de ferro, pufe, cavalinho – para auxiliar as mulheres em trabalho de parto.

Ao todo, fomos atendidos por três equipes ao longo da nossa estada lá – sendo que uma delas nos atendeu em dois plantões hehehe… Todas as equipes têm um médico residente e alguns estagiários que fazem procedimentos simples. Por exemplo: o residente fazia o exame de toque e a aplicação do comprimido de misoprostol; os estagiários faziam a avaliação das contrações (colocando a mão sobre a minha barriga por 10 minutos) e ouviam os batimentos cardíacos do Ben. Todos os profissionais foram muito educados, simpáticos, sempre se apresentavam antes de começar o turno, fomos muito bem atendidos. Ah, e sempre chamavam o Ben pelo nome, achei isso legal também.

Fizemos algumas refeições lá, o almoço e a janta são comida como arroz, carne, molho (sem salada!), e os lanches e café da manhã eram um pão simples com margarina. Meu marido só ganhou comida quando eu pedi, ele ficou várias horas sem comer 🙁

Bom, passadas as horas e horas em indução, acabamos tendo que fazer cesárea. As equipes sabiam que eu queria muito o parto normal, tanto que a médica que me avaliou por último ficou arrasada quando, juntos, decidiram que era hora de me operar. Achei isso super bacana.

A caminho da cesárea, perguntei à médica (chorando!) se eu podia pegar o Ben no colo logo que nascesse, ela disse que não 🙁 Na preparação para a cirurgia, pedi também para não ser amarrada, mas também fui informada de que não seria possível 🙁 O Ben nasceu, a equipe parecia animada com isso. Comentaram como ele era grandão (“não parava de sair bebê!” hehehe…). Não foi aspirado, mas levou o colírio de nitrato de prata e a vitamina K. Trouxeram-no para que eu visse, mas não consegui ver nada com eles encostando o rostinho dele no meu.

Bom, depois da recuperação fomos para a enfermaria. Eu ainda não podia me levantar (só 8 horas depois da cirurgia), então fui levada de maca para lá. O Diego veio atrás, levando o Ben. No corredor, passamos no meio de uma fila gigantesca de mulheres que esperavam atendimento no Centro Obstétrico! Ainda bem que chegamos lá meia-noite e tinha poucas pessoas no mesmo horário!

A estada na enfermaria foi super positiva também. Lá, tem uma equipe multidisciplinar que parece um exército: enfermeira, pediatra, obstetra, consultora de amamentação… Todos trabalham em sincronia, e sempre (pelo menos a maioria!) dispostos a ajudar. Eu contei com a imprescindível ajuda das enfermeiras para aprender a amamentar, foi ótimo!

Dois pontos negativos da enfermaria:

1. na segunda noite, o Ben estava chorando muito querendo mamar. A enfermeira viu que meus seios estavam machucados e decidiu que era por bem “poupá-los”. Resultado: tascou duas seringas e meia de leite artificial no meu pequeno 🙁

2. não tem lugar decente para o acompanhante. Como a maternidade está em obras, cada leito da enfermaria tem uma cama e uma cadeira, somente. Acompanhantes devem dormir ali! O Diego acabou indo dormir em casa, pois moramos a três minutos praticamente dali.

Resumindo, foi uma experiência muito válida ter tido meu bebê no Hospital Universitário. Fico contente de saber que temos este serviço de qualidade no SUS em Florianópolis. Fico tranquila de saber que foi feito o possível pelo meu parto normal, e que minhas escolhas foram respeitadas lá. E, cá entre nós, eu estaria muito (mais!) frustrada se tivesse feito todo o investimento em médico+maternidade+o escambau e acabar caindo numa cesárea…

 

 

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Comentários

2 thoughts on “Relato sobre a maternidade do HU”

  1. Oi Denise!
    Muito muito muito obrigada pelo relato! Me senti até honrada de ter sido citada hahaha… Foi muito bom ter te encontrado percorrendo um caminho tão parecido com o meu e ter acompanhado a sua história, com certeza está me ajudando a tomar algumas decisões! Hoje eu posso dizer que já me decidi, mas a minha decisão tem váaarias implicações e eu ainda preciso confirmar algumas coisas antes de assumi-la como certa. Tudo ainda pode mudar! Quando tudo se confirmar, eu quero compartilhar contigo o que vai acontecer, já que sei que essa minha opção foi uma das suas também. Ainda é cedo pra dizer, mas o tempo logo passa (só faltam 2 meses!) e eu vou estar aí contando o meu relato também 🙂
    Enquanto isso eu continuo sempre aqui acompanhando as “aventuras” do Ben! Adorei o seu post sobre amamentação!
    Tudo de bom pra vocês!
    Beijos

  2. Nossa muito bom ler teu depoimento estava atras de uma maternidade para ter meu Arthur não moro em Floripa moro em PB 70km mas terei no HU. Estou com 35 semanas ansiedade total!!

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