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Relato de parto do bebê 2 (vbac domiciliar)

Para contar sobre o parto do bebê 2 precisei primeiro contar um pouco sobre como chegamos até aqui. Eu que sempre pulei essa parte nos relatos de parto, hoje entendo que não dá para contar só sobre um dia, porque não chegamos até ele sem muita busca antes. Quem quiser saber como tudo começou clica aqui.

No 13/10, estava com 40 semanas e 3 dias. Naquele dia eu amanheci sentindo a saída do tampão mucoso, que já tinha saído dois dias antes, mas dessa vez vinha com sangue.

Como tinha consulta com a Mayra (enfermeira obstetra com quem fizemos o pré-natal e que acompanharia o nosso parto), contei para ela sobre o tampão, e ela disse que seria melhor fazermos a consulta naquele dia junto com a Marcela, doula e aprendiz de parteira, que acompanharia o parto junto com ela. 

O encontro (foi mais um encontro do que uma consulta) foi muito bom. Eu já estava super ansiosa, achando que iria ficar gravida para sempre e ao longo de duas horas conversamos muito sobre meu medo de o meu corpo não funcionar, sobre minha ansiedade, sobre eventuais travas emocionais. Falamos sobre minhas histórias relacionadas a parto (os 4 da minha mãe, os das minhas irmãs), sobre como eu me relacionava com eles, sobre menstruação, cólica… foi praticamente uma terapia. 

Elas saíram da nossa casa umas 16h e logo em seguida eu saí para caminhar. Fui numas lojas comprar coisas que faltavam, comprei um caderno para fazer o “livro do bebê”, o plano era confeccioná-lo no dia seguinte. Caminhei quase até a praia, uns 2km, e na volta comecei a sentir umas contrações diferentes. Diferentes de tudo o que eu já tinha sentido até então (já que eu vinha sentindo pródomos desde 37 semanas). Cada vez que essas contrações vinham, eu precisava reduzir o passo. Era umas 17h30. 

Cheguei em casa e elas continuavam vindo. As 18h15 mandei mensagem pro Diego avisando o que tava sentindo e entrei no banho pra ver se passavam. Fiquei uns 10 minutos lá e saí, tinha que buscar o Ben na escola. Liguei pro Diego e falei pra ele continuar trabalhando, não fazia sentido ele atravessar a cidade na hora do rush, vai que era um alarme falso?

Fui buscar o Ben, (mais um dia, ainda grávida rs), e as mães do amiguinhos como todos os dias vinham conversar e fazer mil perguntas. Minha barriga lá tendo mil contrações, eu com paciência zero pro papo e o Ben querendo brincar mais um pouco no pátio da escola. A gente mora a poucos minutos da escola, então quando consegui convencê-lo a ir embora, rapidinho estávamos em casa.

Em casa, brincamos mais um pouco, dei janta (não lembro o que), e logo fui fazê-lo dormir. E a barriga com contrações a mil! Sei que o Ben dormiu antes das 20h, porque o whatsapp mostra que mandei pro Diego o relatório de contrações: 20:05, 20:11, 20:18. Até então estava amenizando as dores com uma almofadinha quente de sementes e tava tudo bem.

O Diego chegou em casa umas 21h e fui pro banho novamente pra ver se as contrações passavam. Fiquei lá uns 40 minutos, e elas continuaram vindo. Depois, fiquei um tempo na bola e lá pelas 23h as sementes não estava mais ajudando em nada! Nessa hora avisei à Mayra e à Morgana (fotógrafa) que estava com contrações ritmadas desde às 20h, mas fiquei de dar notícias caso engrenassem de vez. Ainda podia ser um alarme falso! Também fiquei em contato o tempo todo com a Ale (minha amiga e doula), mas não sabíamos se daria tempo de ela chegar de Lages…

Entre 23h e 3h fiquei alternando entre a bola no chuveiro e o sofá. Estava com muito sono, queria muito dormir. A minha vontade era dormir no sofá entre as contrações e ir para o chuveiro durante elas, mas era impossível. Então eu tentei mil posições até que o Diego sugeriu que a gente fosse dormir no nosso quarto pra tentar descansar. Nessa hora consegui mesmo dormir, mas era acordada a cada contração e ficava buscando uma posição pra lidar melhor com elas. Mas pelo menos a maior parte do tempo eu dormi. 

Quando amanheceu, não sei direito que horas eram, fui ao banheiro e foi muito difícil lidar com as dores. Decidi que era hora de chamar a equipe. O Diego ligou pra Mayra falando que eu estava com contrações de 3 em 3 minutos há pelo menos uma hora, e mandou uma mensagem para a Morgana. Nessa hora começamos a encher a banheira, meu sonho era entrar naquela piscina de água quentinha de uma vez por todas! E como demorou pra encher… 

O Ben acordou nesse meio-tempo e falamos pra ele que nosso bebezinho estava chegando! Nisso a Morgana chegou e já começou a fotografar. Acho que a Mayra e a Marcela chegaram umas 7h da manhã, e eu já estava na água quando elas chegaram. Que sensação maravilhosa era dentro daquela piscina! Eu ficava totalmente relaxada, os braços e pernas boiando e eu quase dormia entre uma contração e outra. Mas quando elas vinham era muito forte a dor. Eu tentava relaxar o máximo que podia durante as contrações, tentava imaginar cada contração empurrando o bebê para baixo e abrindo o colo do útero. Nessa hora as meninas só ficaram me olhando, elas até comentaram que não precisavam fazer nada, eu estava indo muito bem. 

A certa altura a Mayra perguntou se eu queria ser avaliada, mas eu tive muito medo. No nascimento do Ben cheguei só a 4 centímetro de dilatação, e meu medo era estar com qualquer coisa a menos que isso e acabar me frustrando. 

Passado um tempo na banheira, elas me sugeriram sair da água e procurar outras posições. Fui então para o quarto, a Mayra levou para lá um pufe de parto e tentamos encontrar uma posição melhor, mas nada era melhor do que dentro da água!

Nessa hora eu pedi para ser avaliada, era umas 10h da manhã. Precisava saber se tudo aquilo tava valendo a pena! A notícia não poderia ser melhor: estava com 7 pra 8 centímetros de dilatação! A Mayra fez questão de me lembrar que meu corpo estava funcionando sim e muito bem!

Durante todo esse tempo, o Diego ficou alternando entre ficar comigo e com o Ben, que estava demandando muita atenção.  O Ben até acompanhou o trabalho de parto no início, mas logo se desinteressou e queria companhia para brincar. A cada contração ele perguntava “vai nascer agora?” (Esse é o problema de mostrar vídeo de parto pra criança, ela acha que os bebês nascem rápido!)  Até uma hora que ele entrou no banho e ficou lá um tempão brincando. O Diego finalmente conseguiu focar no parto, e como era bom tê-lo junto comigo! Cada vez que ele vinha fazer carinho ou segurar minha mão parecia que a dor ia para outro lugar! 

Então o Diego decidiu despachar o Ben para a casa de um amiguinho. Nem vi direito isso acontecer, só sei que de repente nossa amiga Mel chegou para buscá-lo (gratidão eterna!!). 

Então a partir daí passei a ter o Diego só pra mim! Eu realmente estava precisando dele. 

As 11h eu comecei a ter vontade de fazer força. Nem sei explicar direito o que acontecia, sei que a cada contração, em vez de tentar relaxar o corpo como antes, eu tinha vontade de fazer muita força! Só que eu fiquei nessa um tempo, não evoluía… As meninas começaram a ver que eu não saía disso e ficavam sugerindo que eu mudasse de posição, saísse da água. Mas eu não queria, era muito bom ficar ali. 

Não sei como elas conseguiram me convencer a sair. Fiquei um pouco fora da água e depois sentei no vaso sanitário. Aquele foi o segundo melhor lugar para ficar durante as contrações. Nessa hora, a Mayra me avaliou novamente e viu que eu tava com quase dilatação total, mas tinha uma bordinha de colo que não tava deixando o trabalho de parto evoluir. Então, colocou a banqueta de parto na minha frente para que eu apoiasse os pés ali e a cada contração ela fazia um procedimento pra ajudar a saída do bebê. Essa foi a parte mais difícil do parto. A única (?) hora que eu gritei. Era super dolorido, cada vez que ela fazia aquilo eu via estrelas!

(No dia seguinte, ela nos explicou que a cabeça do bebê estava batendo na cicatriz da cesárea, e naquela hora ela estava tanto protegendo a cicatriz quanto abrindo espaço pro bebê passar. ) Também vimos que a bolsa estava integra e tinha formado uma espécie de uma bolha na frente da cabeça do bebê.

O que pra mim pareceu horas, depois fiquei sabendo que aquele procedimento doloroso durou uns 15 minutos só. Uma hora eu disse que não aguentava mais e pedi pelamordedeus pra voltar pra água.  “Tá bom, 15 minutos”, respondeu a Mayra. 

Entrei na água e que sensação maravilho… ops, até voltar a primeira contração! Nesse momento eu me dei conta de que não adiantava eu tentar fugir da dor (tentando posições diferentes como antes). Eu precisava encará-la e o único jeito de me livrar dela era fazendo força. Durante aquele procedimento no banheiro eu aprendi onde era a força que eu tinha que fazer (no início eu me concentrava no alto da barriga, e a força certa era mais parecida com a de fazer cocô). Então a cada contração eu segurava minhas pernas e fazia toda força do mundo. Não lembro muito bem desse momento, o que mais me marcou foram as massagens maravilhosas que eu recebia no quadril e as palavras de incentivo. Aliás em todo trabalho de parto ouvi coisas incríveis, parecia que essas palavras vinham exatamente quando eu estava precisando ouvi-las. Quando as pessoas me perguntam se dói, ou me chamam de corajosa, eu só consigo pensar que eu estava rodeada de muito amor e respeito o tempo todo, então a dor e o sofrimento ficam em outro plano.

Lembro que uma hora eu pedi “alguém me ajuda por favor”, acho que essa é a hora da covardia. Eu não aguentava mais. Hoje eu entendo quem pede analgesia e até mesmo cesárea na reta final. Não é fácil. Não foi fácil. É foda!

Além de tudo eu ainda tinha que primeiro “parir” aquela bolha da bolsa e só depois iria parir o bebê. Parecia que toda força do mundo não era suficiente para colocar “eles dois” pra fora. Mas uma hora a bolsa saiu, ufa! Agora era “só” o bebê sair. 

Mais algumas forças e eles começaram a dizer que já estavam vendo o cabelinho do bebê. Pra mim parecia que não ia chegar nunca essa hora! Eles diziam “ele tá vindo” “ele tá quase ali” “tem um cabeludinho”. Engraçado como aquilo mexia comigo, eu ficava pensando “mas quem é esse bebê que tá vindo? É ele ou ela? Por que eles dizem ‘ele’ o tempo todo?”

Uma hora a coisa ficou séria, o bebê estava realmente saindo, e como dói esse momento! O tal círculo de fogo é uma coisa de doido! Eu dizia “tá doendo demaissssss” e elas respondiam “é assim mesmo, mas ele tá chegando!” (Ou algo assim, não me lembro direito). Uma coisa que eu lembro bem é de ter pensado, então isso é que é a famosa partolândia? Eu olhava para pessoas ali em volta e parecia que não via ninguém direito. É tipo uma embriaguez. 

E então a cabeça saiu! “E o que eu faço agora??” No vídeo da pra ver que eu fiquei bem confusa. As contrações pararam e o bebê ficou ali, só com a cabeça pra fora. Eu não sabia se continuava fazendo força, se puxava a cabeça… rs Quando veio mais uma contração, eu fiz a ultima maior força do mundo e a próxima coisa que me lembro é ver aquele bebezinho roxinho tentando respirar no meu colo. Depois de quase afogar o bebê na água da piscina rs, a primeira coisa que eu fiz foi abrir as perninhas dele e falar: “é uma menina!”

Todo mundo festejou! E então eu disse pra ela: “Bem-vinda Ana Rosa!” 

14 de outubro de 2016, às 14:57 nasceu Ana Rosa pra completar nosso mundo!

Não acredito, a gente conseguiu!!

Vou dizer que não foi fácil. Foi foda. Mas foi lindo, cheio de respeito e amor e inesquecível!

A melhor parte de ter um bebê em casa é que a vida segue seu rumo. O Ben voltou da escola doido pra conhecer a irmãzinha. Foi uma cena linda também. Depois disso, ele saiu pra brincar mais um pouco e eu e a Ana Rosa dormimos.

A gente fica tão envolvido com tudo aquilo, que só alguns dias depois é que caiu a ficha: VBAC, eu consegui! E ainda por cima, pari uma menininha!!! Nosso bebezinho tão esperado é a nossa menininha! <3

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Relato de parto do bebê 2 (preâmbulo)

Para contar sobre o parto do bebê 2 preciso primeiro contar um pouco sobre como chegamos até aqui. Eu que sempre pulei essa parte nos relatos de parto, hoje entendo que não dá para contar só sobre um dia, porque não chegamos até ele sem muita busca antes. 

Bom, quem nos conhece há mais tempo sabe que o Ben nasceu de uma cesárea indesejada (e talvez também desnecessária). Já naquela época eu reconhecia que o melhor lugar para se ter um bebê é em casa, mas não peitei essa ideia por ser meu primeiro bebê e também por questões financeiras. 

Antes de engravidar pela segunda vez, eu já “namorava” o parto domiciliar, mas a questão financeira pegava muito. Um dia, conversando com o Diego sobre o tema ele falou “é, mas você sabe que hospital é aquela coisa né, vc está sujeita à violência e não pode fazer nada”. Pensei: o mais importante eu já tenho, que é o apoio do parceiro! 

Então nós engravidamos! E aí começou nossa busca. Eu costumo dizer que o trabalho de parto durou nove meses. Vocês vão entender por que. 

Aqui em Florianópolis temos basicamente três equipes que assistem parto domiciliar. A equipe que eu mais queria a princípio (que acompanhou ou acompanharia o parto de grandes amigas minhas nesse ano), não assiste vbac domiciliar (parto normal após cesárea). Quando me dei conta disso, passei a detestar ainda mais a minha cesárea. Poxa vida, olha o legado que uma primeira cesárea deixa em uma mulher pra sempre!!

Ok, tinha ainda outras duas equipes possíveis. Acontece que eu queria tanto aquela outra equipe, que não queria mais saber das outras duas. Mas um dia ao acaso, conversando com uma menina que tinha acabado de conhecer e estava grávida do mesmo tempo que eu, ela me contou que iria à palestra de apresentação de uma das equipes, o Grupo Ama Nascer, que seria naquela semana. Eu pensei, “por que não?” Vamos quebrar esse preconceito de uma vez? E fui. 

A palestra foi ótima. Basicamente uma apresentação do trabalho delas, nada mais, mas foi suficiente para que eu me apaixonasse por todas elas! Só que aconteceu uma coisa muito curiosa: voltando pra casa naquele dia, eu senti o meu corpo todo dolorido. Eu estava tensa! A palestra me fez reviver todo o nascimento do Ben de um jeito que nunca tinha acontecido. No caminho até em casa eu fiquei refletindo sobre tudo aquilo e cheguei a uma conclusão: eu preciso começar a trabalhar já esse parto! 

Eu estava gravida de 11 semanas, acho, e decidi ali começar a fazer o pré-natal com aquela equipe. Entrei em contato e logo marquei a primeira consulta com a Mayra (enfermeira obstetra). 

Foi a melhor decisão que pude tomar! A gente ainda não sabia se conseguiria bancar um parto domiciliar por dois motivos, o primeiro financeiro, como já falei, e o segundo e mais importante, era o risco de desenvolver diabetes gestacional novamente, como tive na gestação do Ben. 

O parto domiciliar só pode acontecer em caso de gestação de risco habitual, e uma diabetes gestacional colocaria tudo a perder. 

Assim, começamos a fazer o pré-natal paralelo ao do SUS. Como bem definiu o Diego, no SUS era um pré-natal fisiológico e com a Mayra fazíamos um pré-natal emocional, voltado para o parto em si.

A cada consulta tínhamos a oportunidade de nos prepararmos emocionalmente para o grande dia. Além da avaliação básica, as conversas giravam em torno de questões emocionais, como eu lidava com as questões do meu corpo, como eu estava me sentindo, como estávamos enquanto casal etc. Também mantivemos o tempo todo a atenção sobre a diabetes, coisa que no SUS não aconteceu, já que a curva glicêmica deu normal. E ainda por cima as consultas sempre encerravam com um ultrasson natural lindo!! 

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Foi chegando perto do final da gestação, eu passei a monitorar ainda mais a glicemia, com várias medidas por dia. Passamos também a alternar as consultas com uma GO, a Maristela, que iria acompanhar o parto junto com a Mayra. Ela nos pediu pra fazer um ultrassom com Doppler, que não tínhamos feito até então, com medida da espessura da cicatriz, e também me pediu pra monitorar um dia inteiro a glicemia para descartarmos de vez a diabetes gestacional. As consultas com ela também eram incríveis! 

Com 37 semanas, finalmente a Maristela me deu “alta” do controle de glicemia, eu realmente não tinha e não teria diabetes gestacional! O resultado do ultrassom também tinha sido ótimo, bebê num tamanho bom (2,9 kg com 36s) e cicatriz também ótima. Estava enfim qualificada para o tão desejado parto domiciliar! Foi também nossa primeira consulta em casa, e aqui elas já trataram de avaliar a casa e planejar as questões do parto. Fiquei com uma lista de coisas para organizar para o dia P. E a partir daí basicamente era só esperar. 

[Parêntese para contar como conseguimos resolver a outra questão em relação ao parto: a financeira. Depois de muito quebrar a cabeça sobre como fazer para dar conta de tudo, decidi com a cara e a coragem que me restavam criar uma vaquinha online. Para isso, chamei algumas amigas que eu acreditei que poderiam topar entrar nessa empreitada comigo. Como nosso bebê já tinha o enxoval completo, incluindo carrinho, berço, bebê conforto, roupas para 1 ano e fraldas de pano, propus uma troca: quem quisesse nos presentear com alguma coisa, adoraríamos receber uma colaboração para o parto.  O resultado foi incrível! Recebemos ajuda de diversas partes do Brasil e alcançamos cerca de 50% do valor do parto! Jamais vou saber retribuir a cada uma o carinho que senti ao receber cada contribuição. Esse bebezinho já mostrava para o que veio. <3 ]

Voltando…

No dia em que completamos 37 semanas, eu fui acordada na madrugada com umas cólicas. Elas vinham a cada 10 minutos e foi assim por uma hora. Eu nunca tinha sentido nada parecido, achei que o bebê já fosse querer nascer! Mas claro que nada aconteceu. E praticamente todas as noites a partir daí eu sentia a mesma coisa. Eu chamava de minhas contrações amigas! Por conta dessas contrações, eu jurava que o bebê fosse nascer a qualquer momento, tinha certeza que viria antes do Ben (que nasceu/ foi nascido com 39+3). Quando passa da data que o primeiro filho nasceu, a gente começa a achar que vai ficar grávida pra sempre! 

Parei de trabalhar com 37 semanas, só mantive uma parte dos meus jobs, o que me exigia 1h a 2h de trabalho por dia. Esse período de espera pelo bebê foi ótimo para descansar do ritmo insano que eu vinha desde o ano passado, e ainda consegui curtir muito o Ben e me “despedir” do meu filho único. Foi o lado bom da espera. 

O lado ruim da espera é a ansiedade. É o todo dia pode ser O dia. Quando passei de 40 semanas eu já tava de saco cheio. De todas as mulheres que estavam grávidas comigo, só eu ainda não tinha parido! É meio desesperador rs. 

Com 40s1d, saiu o tampão mucoso. Eba! Algum sinal! Entrei na internet pra pesquisar (e falei com minha amiga e doula Ale) e a resposta foi unânime, pode estar perto mas também pode demorar…aff…

No dia seguinte, Dia das Crianças, foi a festa do Floripinhas. Participei da organização, fiquei na portaria cobrando ingressos, enquanto isso a barriga fazendo mil contrações. Eu já estava me acostumando a elas. No meio da tarde, recebi uma mensagem da GO perguntando se eu não gostaria de ir ao hospital, aproveitando que ela estava de plantão, pra fazer os exames de pós-datismo que ela ia acabar pedindo dentro de uns dias. Abandonei a festa e fui lá. Fiz cardiotoco e ultrasson. Tudo certo com o bebê, e óbvio que em 20 minutos de cardiotoco não apareceu nenhuma contração pra contar história. Saí de lá super triste, por não ter nenhum sinal de que o parto estaria próximo e ainda por cima a notícia de que a Maristela teria que viajar no dia seguinte e não poderia nos acompanhar no parto (a não ser que o bebê esperasse mais uma semana). A sensação de que meu corpo não tava funcionando era gigante...

[continua]

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Pré-natal no SUS (em Florianópolis)

Nós somos usuários do SUS desde (sempre?) quando eu saí do penúltimo emprego com carteira assinada, em julho de 2013. Desde então, não tenho muito do que reclamar, a experiência tem sido bem positiva. É claro que tem algumas coisas mais difíceis, mas quem disse que com plano de saúde é sempre fácil?

Para se ter uma ideia, a última consulta de rotina do Ben com um pediatra foi em julho do ano passado. Eu tinha marcado com a pediatra dele, no particular, para 1 mês à frente. Mas numa passada no posto de saúde descobri que tinha vaga na agenda para aquela semana mesmo. Fomos lá, medir e pesar, tudo certo e economizei R$150!

Bom acontece que no SUS funciona assim: se você não for dos grupos prioritários (gestante, criança até 2 anos, doente crônico ou idoso), tem que acordar cedo pra pegar a senha do dia. Se for urgente mesmo, o atendimento na UPA é excelente. Mas se eles virem que não é grave, prepare-se para esperar. Não tem muita chance para procedimentos eletivos.

Sendo assim, no final do ano passado quando eu quis tentar marcar ginecologista, foi impossível. Até que decidi fazer a consulta no particular (como conto aqui).

Mas quando eu já estava grávida, tudo mudou. Fui ao posto alguns dias depois de descobrir o positivo, falei que queria iniciar o pré-natal e pronto. Já saí de lá com a primeira consulta marcada. Detalhe: era uma sexta-feira, e a consulta foi agendada para segunda-feira.

O pré-natal no SUS é feito com consultas intercaladas entre enfermeira e médico da família. A nossa primeira consulta foi com a enfermeira e no geral foi bem positiva. Ela solicitou os primeiros exames, e também um ultrassom (que fiz particular pois o SUS não cobre) para descobrirmos a idade gestacional. A próxima consulta foi com médica, e essa foi um desastre (ela estava treinando um residente que tinha começado naquele dia, foi super rude comigo e achei inclusive que essa consulta desencadeou a paralisia de Bell que tive). Nas próximas vezes, sempre fui atendida pelo residente, e ele foi melhorando a conduta com o passar dos meses.

As consultas no geral são agendadas para os dias que tem grupo de gestantes. Então a gente chega, participa do grupo, e depois é chamada uma a uma para a consulta. Essa parte eu achei bem pouco prática, pois acaba indo uma manhã inteira na função (o que praticamente inviabiliza a participação do casal na consulta).

Em toda a gestação acabei participando só de dois encontros do grupo de gestante. O primeiro sobre nutrição na gravidez e o segundo sobre atividades físicas. Achei bem interessante a abordagem, em ambos, pois os profissionais apresentam atitudes palpáveis para o nosso dia a dia: a nutricionista orientou que a melhor dieta é aquela que nós mesmas cozinhamos em casa, a educadora física explicou que a melhor atividade física é a caminhada. Ou seja, soluções práticas e ao alcance das mãos (e bolsos).

Ao longo do pré-natal, não tenho queixas. O básico sempre foi feito: medir, pesar, avaliar o bebê, passar recomendações básicas. Tivemos alguns contratempos, como duas greves que acabaram cancelando consultas e atrasando a realização de exames. Mas nada que interferisse muito no processo. Para um pré-natal de risco habitual como o eu, achei tudo muito positivo! Fizemos todos os exames gratuitamente (menos o primeiro ultrassom, que era opcional) e até o parceiro tem direito a alguns exames básicos. E eu tive direito a uma consulta com o dentista e fiz um procedimento que seria cobrado R$300 se eu fizesse no particular.

Outro ponto bem bacana do pré-natal no SUS é a caderneta de gestante que a gente usa. É claro que eu tive que pedir a minha, se dependesse deles eu usaria um cartão mais simples que tem só as informações básicas para preencher. Mas como eu sabia que a caderneta existia, exigi a minha e é muito legal. Cheia de informações importantes sobre gestação, parto, puerpério. Dá pra conferir ela aqui.

A coisa que achei mais estranha (e bem negativa) até agora foi a total ausência de uma conversa sobre parto, escolha da maternidade, sintomas que devem ser observados, etc. Já estou no final da gestação (e faltei o dia que foi falado sobre o tema no grupo), e ninguém sequer tocou no assunto em consulta!

A partir dessa semana vamos passar a ir toda semana no posto para acompanhar essa reta final. Vamos ver se alguém fala no assunto…

Bom, essa é minha experiência de pré-natal no SUS em Florianópolis. Será que é assim em outras partes do Brasil?

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Aos três anos e sete meses

– Mamãe, será que a Kaila* vai ter um desfile?
– Mas o que é um desfile? – pergunto
– É uma coisinha que a gente dança.
– Mas tu já foi em um desfile?
– Não. Acho que eu já sou muito grande pra isso.

*Kaila é uma amiguinha dele (detalhe, 5 meses mais velha), que ele quase não encontra e não faço ideia de onde ele tirou essa ideia de desfile…

*****

Assistindo à Ginástica Olímpica:

– Uau! Esse pulo foi radical!

*****

Em uma atividade dos Transformers no shopping, vira para a recreadora:

– Sabia que os dinossauros de verdade não existem mais?
– É mesmo?
– É, porque um meteoro gigante caiu neles… blablabla…

*****

Assistindo à “zoleipidas”:

  1. Invariavelmente ele olha pra TV e pergunta: “mas por que o Brasil não tá ganhando???”

2. Resgatou uma camiseta que foi usada na Copa (veja bem, 2 anos atrás), minúscula, fica babylook nele. Camisa 10 da seleção. Ele olha para os números e fala:

– Eu sou o SETE. Ó aqui tem um 1 e o O (letra): SETE.

*****

Dei uma freada brusca no carro e me desculpei:

– Desculpa, meu amor. A titia parou de uma hora pra outra e me pegou de surpresa.
– O que?
– A titia do carro da frente parou e eu tive que parar o carro rápido.
– Por que ela pegou você de presente?

*****

Ouvindo uma música do Chico Buarque no carro:

– Mamãe, o que é solidão?
– É quando uma pessoa se sente muito sozinha.
– Aquela menina sentada no morro* tava com solidão?
– Acho que sim, mas depois ela encontrou o amigo dela e ficou feliz, né?
– É, o anjo ajudou ela e ela ficou feliz… Eu acho que solidão é um pouco de tristeza com saudade…

* Se referindo ao livro “Poesia na Varanda” (coleção do Itaú 2012)

[Gente, que fase mais deliciosa é essa? Alguém congela??]

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Como escolher o melhor livro para o bebê

Diversas pesquisas têm mostrado a importância de ler para o bebê desde antes mesmo de ele nascer. No ano passado, a Academia Americana de Pediatria publicou uma recomendação para que pediatras incluam esse tema nas consultas, e a Sociedade Brasileira de Pediatria (e parceiros) criou uma campanha com o mesmo fim, chamada Receite um Livro.

Na semana passada, uma outra pesquisa foi muito divulgada, mostrando que o hábito de ler pelo menos duas vezes por semana para o bebê e a criança pequena melhora o desenvolvimento linguístico, reduz o mau comportamento e reforça os vínculos familiares. Tá bom de motivo, ou quer mais?

Pois bem, já sabemos que ler para o bebê faz bem pra todo mundo, mas afinal, o quê ler para ele?

Achei um artigo interessante que dá dicas bem simples sobre como escolher o melhor primeiro livro pro bebê. Aqui vão algumas delas:

  1. O livro tem que ser interessante para o adulto. Quando mais ele gostar da história, maior será o seu entusiasmo em contá-la para o bebê.
  2. As imagens também precisam ser interessantes. Melhor ainda ser as imagens conversarem com a história, e ajudarem o bebê a aumentar o repertório e o vocabulário.
  3. Encontre histórias que ajudem a criança a se identificar com o enredo: onde os personagens apareçam celebrando as mesmas tradições, comendo as mesmas comidas, falando a mesma língua…Também pode conter personagens com cor de pele parecido, contexto social similar, dinâmica familiar, etc…
  4. Falando em desenvolvimento motor, o livro é adequado à idade? Livros com páginas mais grossas são feitos para os pequenos que ainda não conseguem fazer o movimento de pinça, por exemplo.

Por fim, o melhor mesmo é abrir o coração e confiar no interesse do pequeno. Ele pode nos surpreender escolhendo uma história que jamais escolheríamos!

Fonte: Reach out and Read

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Esperando um bebê surpresa… como é?

Desde a gestação do Ben eu já tinha vontade de não saber o sexo do bebê. Mas sabe como é, né… primeiro bebê, aquela ansiedade toda. Uma semana antes do ultrassom de 13 semanas eu estava super curiosa, tinha uma certeza absurda desde sempre que seria um menino, e queria confirmar essa certeza. Tanto que nem nome de menina tínhamos.

Então não foi difícil decidir esperar nessa vez. Para ajudar na decisão, uma grande amiga teve um bebê surpresa em janeiro, e foi uma delícia aquela curiosidade para saber o sexo, foi incrível receber a notícia de que Laura tinha nascido!

Em relação ao pré-natal tem sido bem simples não saber o sexo desse bebê que esperamos. Como estou fazendo praticamente tudo pelo SUS, aqui eles pedem um ultrassom só, a partir de 20 semanas. Chegamos a fazer um primeiro, por conta própria, para identificar a idade gestacional e a dpp, mas estava com 7 semanas, então nem deu para ver nada.

No ultrassom de 20 semanas, já entramos na sala falando para o médico que não queríamos saber o sexo. Ele levou de boa. Tirou as medidas básicas do bebê, fêmur, perímetro cefálico, checou funcionamento dos rins, placenta… Entre uma imagem e outra, quando chegava a uma “zona perigosa” eu fechava os olhos. Uma hora, ele parou e disse “peraí… ok, já sei o sexo!”. E bola pra frente. Respeitou nossa decisão e não colocou nada no laudo. (tenho uma amiga que queria bebê surpresa e o médico gente boa falou “olha que linda!!” Muito sem noção!)

Eu contanto prazamigas como tinha sido fazer ultrassom sem descobrir o sexo.

Eu contanto prazamigas como tinha sido fazer ultrassom sem descobrir o sexo.

Em relação ao nome do bebê, acho que isso que eu estou achando mais desafiador. Nós o chamamos de “o bebezinho”, artigo definido masculino, porque é assim que é nosso idioma. Se não me engano em inglês o termo genérico para baby é “she”, acho mais interessante. Por via das dúvidas, como nosso idioma é assim mesmo, eu uso o “o bebezinho”, porque se eu falar qualquer coisa “ela” vão achar que eu já sei o sexo, ou que estou pressentindo algo!

Desde antes de engravidar, já temos um nome definido para menina, e um que eu gosto muito de menino, mas que não é consenso. Não saber o sexo do bebê tem essa vantagem: ninguém chama o bebê pelo nome, nenhum nome é o “oficial” e assim temos bastante tempo para namorar e refletir sobre várias opções. Até agora não batemos o martelo 100% em nenhum dos nomes.

Quanto ao enxoval, que é a coisa que eu sempre me perguntava, nossa essa é a parte mais tranquila! Isso porque é só anunciar a gravidez que começam a brotar de todos os cantos sacolas e mais sacolas de bebês de amigas de todos os cantos. Coisa mais linda! Com o Ben aconteceu parecido, mas foi um pouco menos intenso. Até agora, duas amigas minhas nos presentearam com duas sacolas recheadas, uma de menina e outra de menino – só essas duas já garantem praticamente um enxoval. Fora que minha irmã acabou guardando “as mais bonitinhas”, o que praticamente corresponde a roupas para todo o primeiro semestre de vida do bebê. Se na vez do Ben eu quase não comprei nada, dessa vez vou comprar menos ainda! E não me sinto nem um pouco culpada, pelo contrário!

Um tempo atrás, minha mãe falou “Tu tens que fazer uma lista do que já tem, para vermos o que podemos te ajudar a comprar”.

No que eu respondi: “Hummm, deixa eu ver… peito, check. É, já tenho tudo o que o bebê precisa!”

Afinal de contas, tendo peito, colo e uns panos, o bebê não precisa de mais nada, não é mesmo?

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Alimentação saudável na Primeira Infância: um legado para toda a vida

Por quê eu sou chata com a alimentação do Ben? Porque ele precisa comer para cumprir duas funções básicas: crescer e continuar saudável.

Se uma comida não fornece nenhuma dessas duas propriedades, então ele não precisa comer.

Agora com 3 anos e meio já somos bem mais liberais quanto a isso, mas ainda não entrou nesta casa nenhum tipo de petit suisse, cereal açucarado, achocolatado ou farináceos em geral. Nem é tão difícil quanto parece, é só não ter em casa que não faz falta!

Sobre esse assunto, recomendo a leitura deste artigo que reúne diversas evidências científicas sobre a importância da alimentação saudável na Primeira Infância.

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Paralisia facial na gestação

Primeiro, preciso começar o post dizendo: calma, tá tudo bem agora.

Já passou. Foi um susto daqueles. Mas como todo susto, a história é mais dramática do que o acontecido em si heheh.

Imagina que um dia estás trabalhando, e de repente te dás conta de que a boca não tá do “jeito certo”? Concentrada no trabalho, deixei pra lá e só fui lembrar de olhar isso à noite, na hora de dormir.

Olhei no espelho e… metade do meu rosto estava sem reação!

O lado esquerdo da boca não fazia o que eu mandava, eu franzia o lábio pra fazer um bico, e o bico ia pra direita. Seria engraçado na verdade, se não fosse meio assustador.

Maridíssimo tranquilo do jeito que é ficou colocando panos quentes e me mandou dormir que amanhã ia estar tudo bem. Foi o que fiz.

No dia seguinte, esse treco me intrigava. Fui trabalhar na Casa Gestar e lá por essas coincidências que a gente nem acha assim tão coincidências, tínhamos marcado um café com as meninas da casa (tudo doula, índia, sabe como?). Comentei com elas minha preocupação, àquela altura meu olho já não estava mais respondendo direito também. Todas acharam estranho, e uma delas, Camilla, enfermeira obstetra <3, resolveu mandar uma mensagem pro obstetra com quem ela tem parceria, só por desencargo de consciência.

[Aqui preciso fazer uma pausa pra lembrar que na manhã anterior, antes de tudo começar, tive consulta de pré-natal no posto de saúde. Foi uma experiência horrível, a médica com uma baita síndrome do pequeno poder, querendo me mostrar que eu não sabia de nada e ela sabia de tudo. Péssimo. Então a essa altura eu ainda não tinha vínculo com nenhum profissional de pré-natal, não tinha a quem recorrer…]

Bom, voltei a trabalhar enquanto elas continuavam o café no andar de baixo. Até que a Camilla veio até mim e disse “o dr. Pablo falou pra vc ir pra maternidade do HU ainda hoje”. [Hospital Universitário]

Minha primeira preocupação foi: mas e todos os trabalhos que preciso fazer? Não tenho tempo pra essas coisas não. Outra hora vou lá no hospital. Hoje não dá.

Minutos mais tarde, outra veio até mim e reforçou que o melhor era eu ir o quanto antes pro HU. (No dia seguinte ela me revelou que o médico na verdade tinha dito pra eu ir imediatamente pro hospital, mas elas quiseram me poupar o pânico)

Bom, parei o trabalho onde estava, chamei o Queridíssimo, e fomos pra lá. No caminho foi me batendo uma preocupação “e se eu não voltar pra casa? e se eu tiver que fazer mil exames? e meus trabalhos?” Fui acionando minha amiga back-up-parceira-pra-todas-as-horas. Não podia deixar trabalho pra depois!

Chegando ao hospital, só pra aumentar um pouquinho o drama, estava sem sistema, a recepção não queria deixar ninguém entrar, nós demos uma volta, um nó na segurança e chegamos à maternidade sem dar entrada direito. Chegando lá, “cadê seu papel?” “não tenho, tá sem sistema e não quiseram me deixar passar”, “vem cá que damos um jeito”. Nisso, a médica responsável ligou na recepção soltando os cachorros, onde já se viu barrar gestante na maternidade porque caiu o sistema? Pois que façam o registro à mão! Depois disso chegaram 3 gestantes que tinham sido barradas. Minha ida à maternidade já não tinha sido em vão!

Ok. Fui examinada pelo médico, relatei o problema, ele suspeitou de algum problema neurológico, fez milhões de testes, chamou outro médico, novos testes. Nada. Me mandaram pra emergência comum, porque aquilo não era um problema obstétrico. Chegando lá, novos testes, olha residente, olha assistente, olha especialista em neurologia. Por testes, leia-se: eu fazendo mil caretas pra mostrar como só um lado do rosto respondia.

Diagnóstico final: Aparentemente não era nada grave. Até existe um vírus que causa paralisia facial, mas os meus sintomas eram tão sutis que não valia a pena investigar ainda. Além do mais o tratamento seria com corticoide, coisa que eu não poderia tomar por ser gestante.

Fui liberada com a recomendação de monitorar os sintomas e voltar caso piorassem.

Depois de um pouco de reflexão, me autodiagnostiquei estresse. Estava cheia de “problemas” na minha cabeça, e nenhum deles parecia ter uma solução palpável. Onde o bebê vai nascer? Será que consigo pagar o parto? Como continuar os trabalhos após o nascimento do bebê? Onde vamos morar? Essas perguntas ficavam vagando incansavelmente na minha cabeça. Isso sem contar a sobrecarga de trabalho na qual estava envolvida desde a virada do ano.

A Camilla me ajudou fazendo algumas pesquisas, e sugeriu que o que eu tinha se chama Paralisia de Bell (e olha que o Google tem até um pdf pra download sobre o tema!). Uma condição rara, mas mais comum em gestantes, que começa de uma hora pra outra e vi embora do mesmo jeito que veio. Comecei a pensar que era exatamente isso.

Com meu autodiagnóstico de estresse, fui numa sessão de shiastu (massagem japonesa) e durante a massagem a senhora japonesa das mãos mágicas me disse que até meu couro cabeludo estava tensionado. A massagem e a conversa dela me ajudaram a liberar um pouco a tensão.

Uma semana depois as coisas começaram a melhorar, e duas semanas depois de surgir, a paralisia facial foi embora como se nada. Ufa!

O que tirei de lição disso tudo foi a tentar levar uma vida mais leve. Se meu couro cabeludo estava refletindo a tensão, imagina como não estava a situação pro nosso bebezinho, nesses primeiros três meses de vida?

Coincidência ou não, tive uma boa redução de trabalho em um dos meus clientes, o que ajudou também a reduzir o estresse. E assim estou levando, tentando não colocar os problemas na frente dos bois.

Sobre os meus “problemas” que me tiravam o sono, aos poucos estamos encontrando solução para cada um deles. Cada um ao seu tempo.

Pronto, tá tudo bem agora!

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sereia

E lá vamos nós de novo…

Já contei lá no Facebook a grande novidade então nem preciso contar aqui né?

Para quem não entendeu a imagem, era uma referência a outro post que fiz tempos atrás sobre a decisão de ter ou não um segundo filho. Modéstia a parte adorei aquele texto, então se tu não leste ainda, vai lá dar uma olhada!

Aquele texto do banho de mar refletia com exatidão o meu dilema em relação ao segundo filho: a vida estava ficando tão boa, o Ben numa fase deliciosa… e começar tudo de novo?

Ao mesmo tempo, tinha a vontade enorme de que o Ben crescesse com um irmãozinho, e sem uma distância muito grande de idade para que eles pudessem brincar muito juntos.

Fui postergando a decisão e a colocando prazos: primeiro, o desmame… depois, o Paco

Então essas duas coisas aconteceram, e ainda assim eu não conseguia tomar uma atitude. Estava usando DIU (mirena), então não era só tomar a decisão, tinha todo um processo (nem tão complicado, vai… marcar consulta, pedir a retirada do DIU…). No final de novembro finalmente consegui me organizar pra ir ao médico, mas como vou no posto de saúde do bairro, nunca conseguia marcar uma consulta.

Até que começou o ano, e eu decidi que não tinha mais desculpa: no primeiro dia útil, marquei uma consulta particular na clínica mais cesarista da cidade e na primeira sexta-feira do ano consegui finalmente tirar o DIU.

Fiquei então esperando menstruar pra poder começar a controlar o meu ciclo, verificar ovulação, essas coisas…

Mas passou pouco tempo… três semanas. No sábado de Carnaval, eu estava me sentindo muito esquisita. Pensei “das duas uma: ou estou grávida, ou vou ficar menstruada.” Só tinha um jeito de descobrir isso rápido. Comprei o teste de farmácia (comprei logo dois, vai que né…). Chegamos em casa, fui direto fazer o teste… e pimba!!

Mas gente!

Lembrei da Luiza e o Hílan Diener cantando eu sou fértil demais. (Queridíssimo acha que quem é fértil é ele, mas… acho que foi um bom trabalho em dupla!)

E assim começamos a nova jornada!

Depois de um primeiro trimestre TENSO, agora já começo a viver novamente e voltamos à programação normal. Ainda estou meio insegura com tudo o que está por vir. Mas acho que faz parte da viagem por um novo desconhecido, né?

Algumas coisas que sabemos sobre o bebê 2:

  1. nasce em meados de outubro
  2. não tem dpp precisa porque não tem uma dum precisa
  3. vai ser um bebê surpresa!
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Três conceitos fundamentais para entender a Primeira Infância

O desenvolvimento saudável nos primeiros anos de vida fornece os alicerces para o sucesso escolar, a produtividade econômica, a cidadania responsável, a saúde a longo prazo, o fortalecimento das comunidades e o sucesso dos pais da próxima geração.

A série de vídeos abaixo descreve como os avanços na neurociência, biologia molecular e genômico nos permitem uma compreensão muito melhor de como as primeiras experiências são construídas em nossos corpos e cérebros, para melhor ou para pior.

Os vídeos foram produzidos pelo Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, e traduzidos para o português pelo Núcleo Ciência pela Primeira Infância.

1. As Experiências Moldam a Arquitetura do Cérebro

2. O Jogo de Ação e Reação Modela os Circuitos do Cérebro

3. O Stress Tóxico Prejudica o Desenvolvimento Saudável

 

Fonte: http://developingchild.harvard.edu/resources/three-core-concepts-in-early-development/

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