Das coisas que eu não quero esquecer

De quando a gente está lendo o último livrinho antes de dormir, tu fechas o livro e diz “tiu” (fim)

De quando, a seguir, eu digo “vamos dormir”, e tu abres um sorriso, vens deitar ao meu lado na cama, fala “Táu Papaaaai” e mandas um beijo.

De quando tu encontras o chapéu de festa junina, colocas na cabeça e continuas a brincar.

De quando te falei que íamos passear de bicicleta, entrei em casa para me arrumar, e quando saí tu já estavas sentado na cadeirinha na garupa da bicicleta! Perigo!

De quando, em pleno desmame noturno, em meio a um chororô, tu apontaste letras no LOVE no meu pijama e falaste “A I O E”!!

De quando estamos falando em números e tu contas com os dedinhos “quaco”.

De quando a gente acorda e tu falas “ia!”, que logo evoluiu para “dia!”

De quando o Paco comeu a banana na tua mão. E essa nem tu esqueces, vives relembando que “Paco, anana !; “Paco, anana !”; “Paco, anana !!”

De quando a gente passa em uma rua esburacada e tu gritas “au, ai, ai, au”.

Que tu chamas o cavalo e outros quadrúpedes da família (incluindo a girafa e a zebra) de ptal (pocotó), a vaca de buuu, a onça de raaaaw e o jacaré de alé, com a língua pra fora. Sei que logo vais aprender a falar o nome certo, não quero me esquecer!

Do pessoal do banho

O pessoal do banho

E vou te lembrar pra sempre de como tu gostas de frutas desde pequenininho!

Ben comendo maçã

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Precisamos falar sobre o puerpério.

PuerperioEra uma vez uma mulher que estava dirigindo na BR e precisou parar para trocar o pneu. Ela parou no acostamento e saiu do carro disposta a trocar o pneu (talvez com alguma ajuda), e certa de que sua viagem continuaria a mesma, com a diferença de que dali pra frente ela teria que viajar com o estepe.

Ela conseguiu trocar o pneu do carro (sozinha ou com ajuda, não importa) e assim que a ultima porca do pneu foi apertada, ela se dirigiu à porta do motorista para voltar ao seu posto e seguir viagem. Só que ela não sabia que naquela região o acostamento também era utilizado como pista, e que era muito utilizada por caminhões. Então, antes que ela conseguisse entrar no carro de volta, apareceu um caminhão desgovernado que a atropelou, levando ali tudo o que ela conhecia e chamava de vida.

Num primeiro momento, a motorista pensou que sua vida tinha acabado por ali. Mas depois do resgate, foi encaminhada para a UTI, onde passou muitos meses em coma, depois foi para o quarto. Gradualmente foi se recuperando, e depois de cerca de 12 meses de tratamento, finalmente se sentiu apta a voltar a uma vida dita normal.

Mas a essa altura do campeonato, ela já havia percebido que sua vida, tal qual conhecia antes do incidente, não existia mais. E que ela carregaria para sempre as seqüelas daquele fatídico dia.

Muito prazer, eu sou a motorista. E o caminhão que me atropelou se chama PUERPÉRIO.

Wikipedia
Puerpério é o nome dado à fase pós-parto, em que a mulher experimenta modificações físicas e psíquicas, tendendo a voltar ao estado que a caracterizava antes da gravidez.

O puerpério inicia-se no momento em que cessa a interação hormonal entre o ovo e o organismo materno. Geralmente isto ocorre quando termina o descolamento da placenta, logo depois do nascimento do bebê, embora possa também ocorrer com a placenta ainda inserida, se houver morte do ovo e cessar a síntese de hormônios.

O momento do término do puerpério é impreciso, aceitando-se, em geral, que ele termina quando retorna a ovulação e a função reprodutiva da mulher.

 

Laura Gutman
Vamos considerar o puerpério como o período que transita entre o nascimento do bebe e os dois primeiros anos, ainda que emocionalmente haja um progresso evidente entre o caos dos primeiros dias -em meio a um pranto desesperado- e a capacidade de sair ao mundo com um bebe nas costas.(…)

Recordar o puerpério equivale frequentemente a reorganizar as imagens de um período confuso e sofrido, que engloba as fantasias, o parto tal como foi e não como havia querido que fosse, dores e solidões, angustias e desesperanças, o fim da inocência e o inicio de algo que dói trazer outra vez a nossa consciência.Para começar a armar o quebra-cabeça do puerpério é indispensável ter em conta que o ponto de partida é o parto, quer dizer, a primeira grande desestruturação emocional. Como descrevi no livro “maternidade e o encontro com a própria sombra “para que se produza o parto necessitamos que o corpo físico da mãe se abra para deixar passar o corpo do bebe, permitindo uma certa “ruptura” corporal também se realiza em um plano mais sutil, que corresponde a nossa estrutura emocional. Há um algo “que se quebra, ou que se “desestrutura” para conseguir a passagem de “ser um a ser dois”.

PUERPÉRIO. A gente pode passar a vida sonhando ser mãe, meses se preparando parao parto, dias e semanas lendo sobre amamentação. Mas nada nem ninguém consegue nos preparar adequadamente para ele, o puerpério.

Hoje em dia quando vejo mulheres maravilhosamente maquiadas posando com seus filhos recém-nascidos, eu nutro um sentimento ambivalente, de pena e de inveja.

De pena por essa mulher, que acredita que tem que estar linda/em forma/disposta/normal/pronta para o marido logo depois que o seu filho nasceu. Seja por uma cobrança da família, do emprego, da condição social, ou dela própria.

E de inveja por ela realmente conseguir atender a tais expectativas.

Fico pensando em quanta coisa importante acaba sendo deixada de lado quando uma mulher não se permite (é permitida) viver plenamente o puerpério. Quantas necessidades (dela, do bebê, da família) acabam sendo negligenciadas a cada vez que outra necessidade é colocada à frente desse momento ímpar.

No puerpério, pelo menos pra mim, não existia nenhuma prioridade maior do que a vida do meu filho. Amamentar estava acima de qualquer necessidade. Protegê-lo, cuidar dele, satisfazer suas necessidades, eram o que me movia, dia após dia. Se tínhamos um compromisso para ir, por exemplo, com uma semana de antecedência eu já sabia a roupa que ele iria vestir e o que teria na mala. Mas só na hora de sair de casa eu me dava conta de que eu mesma teria que vestir/comer/levar algo. Eu vivia para ele. E foi assim intensivamente nos seis primeiros meses e gradualmente reduzindo nos meses seguintes.

Foi um período em que eu estive especialmente vulnerável. Nos primeiros dias, apesar de todo o apoio e parceria do meu marido, e apesar das visitas diárias de amigos e familiares, me sentia extremamente sozinha. A solidão era mais porque não havia com quem dividir tudo aquilo que eu estava vivendo. Era eu quem tinha que viver cada uma daquelas sensações, ninguém viveria por mim. Acho que isso foi no período do “coma”.

Depois de sair da “UTI”, fui pro “quarto” e lá consegui reproduzir minha vida quase como ela era antes de ser atropelada. A casa relativamente em ordem, o filho alimentado, vestido, protegido. Mas como qualquer pessoa em “recuperação”, precisei de muito apoio do marido (imprescindível), da família, dos amigos, para que tudo isso realmente ficasse em ordem. Nesse período, conheci outras mulheres “em recuperação”. Felizmente, nos unimos num grupo de “puérperas anônimas”, e juntas dividimos todas as alegrias e angústias da maternidade. Graças a elas, percebi que não estava sozinha, não era a primeira e não seria a última a ser atropelada pelo tal caminhão desgovernado.

E tenho pra mim que vivi o puerpério por exatos 15 meses. E não foi a minha volta ao trabalho que determinou o fim dele. Mas exatamente o contrário: foi somente com o fim do puerpério que me vi pronta para voltar ao mercado de trabalho. Não vejo isso como positivo ou negativo. Penso que eu tenha apenas respondido a um chamado da natureza, por assim dizer. E sinto muito por quem não se deixa viver o puerpério por completo. Pois ao negar, boicotar, esse chamado (que pode durar semanas, meses o ano, como no meu caso), alguma parte da maternidade acaba sendo prejudicada.

Mas eu não vivi tudo isso tendo plena consciência de que estava passando pelo puerpério. Isso tudo são conclusões que eu tiro agora, olhando para trás. Naquele tempo eu achava sempre que devia estar fazendo melhor (cuidando melhor da casa, me arrumando melhor, namorando mais…), me sentia em dívida, mas não conseguia cumprir com minhas expectativas. Agora entendo melhor o por quê.

Então, se eu pudesse dar um conselho para quem está prestes a ser atropelada por esse caminhão desgovernado, eu diria: Coloque-se em primeiro lugar nas tuas prioridades (o bebê faz parte de ti). Permita-se viver plenamente o puerpério, e não tente provar para ‘os outros’ que ‘tá tudo bem, foi só um arranhão’. Entregue-se ao chamado da natureza.

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Desmame noturno – parte 2

Eis que nem demorou tanto e nem foi tão difícil quanto eu pensei: o Ben está oficialmente dormindo das 20h à 6h! Todas comemora!!!

É claro que na noite seguinte à do último post (quando dei essa notícia em primeira mão), ele acordou diversas vezes, mamou no meio da madrugada, tivemos uma noite daquelas, e eu achei que não devia já ter cantado vitória antes do fim do jogo.

Só que o tempo mostrou que aquela noite é que foi exceção, e não o contrário. Na maioria das noites ele tem ido das 20h (mais ou menos) até às 6h (mais ou menos também).

O método que utilizamos foi o que contei no primeiro post sobre o assunto: não dar de mamar entre 0h e 6h. E se ele acordar nesse meio-tempo, ganha abraço, carinho, água, cantiga de ninar, mas não ganha peito. Tivemos umas noites muito difíceis, muito chororô e bam: um molar no meio do caminho!

Um não. Logo dois.

Nasceram dois molares no meio do desmame noturno, e eu achei que tudo iria por água abaixo. Mas nem tanto! Tirando duas ou três noites que voltamos para o mamá em livre demanda à noite, logo restabelecemos a regra das 0h às 6h e o Ben se comportou lindamente! Ele já tinha entendido que à noite não tem mamá, e foi muito bom termos voltado atrás durante o período em que os dentes estavam nascendo. Ele realmente estava precisando.

Acho que o grande aprendizado de todo o processo de desmame noturno foi esse: sem radicalismos, sem pressão. Se precisar voltar um estágio, voltamos, sempre respeitando os limites de todos os envolvidos.

Demorou mais uns dias até que eu pudesse considerar como uma noite inteira dormindo. Acho que meu organismo ainda não tinha entendido que dava pra desligar até às 6h da manhã. Agora ele já desliga mesmo, tanto que quem ouve o pequeno chamar de manhã cedinho é sempre o papai.

E como a regra foi das 0h às 6h, e ele entendeu muito bem essa parte, às 6h de la matina ele vem pra nossa cama. E aqui MA-MA. Às vezes ele mama um pouquinho e dorme. Outras vezes fica mamando atééé que a gente acorde.

Mas eu não ligo. Pra quem já passou a noite inteira plugado, ficar só 1h já está de bom tamanho!

Importante contar que o desmame noturno começou na nossa cama mesmo, sem mudanças bruscas. Ele sempre começou a noite dormindo na cama dele, mas na hora de irmos para a nossa, ele vinha dormindo mesmo e dormia entre a gente. Depois de um tempo, experimentamos deixá-lo na caminha dele durante a noite também, e foi aí que vimos que tinha funcionado: ele acordou só às seis. Nesse meio-tempo, tivemos também a chegada do inverno, e ele veio pro nosso quarto (que tem ar condicionado), uns dias na cama, uns dias no colchão dele no chão.  E funcionou sem estresse.

É impressionante a capacidade de compreensão que eles têm com essa idade. Quando a gente menos espera, eles mostram que já estão sacando tudinho!!

Nessa história toda, restaram apenas 3 mamadas durante o dia: essa às 6h, outra quando chegamos da escola, e a última antes de dormir.

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Aos #18 meses

18 meses, e acho que estamos definitivamente deixando de ter um bebê em casa #mimimi.

Se entre 16 e 17 meses o vocabulário não tinha aumentado muito, ouso dizer que entre 17 e 18 meses o número de palavras e frases (!!!) pronunciadas aumentou exponencialmente e praticamente incalculavelmente (ente ente ente).

A cada dia, uma palavra nova e reconhecível aparece como se nada. Um dia notamos que ele corria atrás da gata falando aeta (Aretha), e Paco (nosso cachorro) é uma das palavras mais pronunciadas ao longo do dia. E nesse meio-tempo apareceram muitas outras, como neném (neneiN), pão, mão, pé, suco, xixi, flor (oRR), jacaré (aié), sentar (titá), metade.

O papai é PAPATI.

Eu sou MAIN (ênfase no N).

E também imita o som da vaca (buuuuu), do cachorro, do gato, do pato, do pintinho, do cavalo. E mostra onde está a boca, a língua, o nariz, o olho, o cabelo, e pisca achando que ali também é a orelha, e levanta a blusa esperando cosquinha quando pedimos pra ver a barriga. E manda beijos sempre que se pede, ou quando vê outras pessoas dando beijo. Fala aiuuuuuu sempre que alguém espirra. Faz os bonecos de pelúcia dormirem, e esses dias quase nos matou de amores ao fazer cócegas no priminho Marcelo <3

benemarcelo

Por outro lado, tem tido uns episódios de puro sentimentalismo, e haja jogo de cintura para contornar um criança (né, esqueça o bebê) jogada no chão e chorando todas as suas lágrimas porque a mãe, essa desnaturada, não acertou em qual copo deveria ter colocado água que ele pediu. Já entrou no banho levando um livro, um par de sapatos sujos e um copo de suco de abacaxi, porque o mundo iria acabar se ele deixasse tais objetos do lado de fora da banheira enquanto tomava banho.

NÃO é a sua palavra predileta (como deu pra perceber naquele post do Facebook). Sabem aquela propaganda de um chocolate que agora tem mais leite? “Não, nanana não, não NÃO não…”?  Pois então, acho que foi um jingle composto pelo Ben e ninguém me avisou.

Está super ligado na Copa do Mundo. Mesmo que não esteja perto da TV, identifica quando houve um gol e grita GOOOOOL feliz da vida. Também o ensinamos a cantar “lê le leo leleo leleo leleo Brasil!” e ele quase dá um nó na língua tentando imitar!

É impressionante como ele já tem noção da nossa rotina e percebe alguns sinais, como quando eu pego a bolsa pela manhã, e ele já começa a dizer táu e mandar beijo. Ou quando alguém liga o motor do carro, ele para tudo o que está fazendo e grita táu. Também já identificou o barulho do portão de casa, e sempre SEMPRE fala “papati”, quando acha que tem alguém chegando.

Apesar de ele ainda estar muito ligado a mim (especialmente na hora do sono), tenho sentido uma atração cada vez maior pelo PAPATI. A reação dele quando o papai chega em casa é a coisa mais linda que se pode imaginar. Quando ouve o barulho do carro, ele para tudo o que está fazendo, levanta o dedinho indicador, fala “oh!”, levanta e vai até a porta de casa esperar o pai entrar. É muito amor!

Preciso dizer mais uma coisa pra mostrar que essa fase está deliciosa?

Acho que não, né?

Em breve volto pra contar o desfecho do nosso desmame noturno, mas já adianto que estamos dormindo das 20h às 6h! (“Estamos”, modo de dizer, porque não consigo ir pra cama antes das 23h). Prometo que volto logo!

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Transformando paixão em trabalho

Esses dias li uma frase que define muito minha vida ultimamente:

“O que você faz enquanto procrastina é provavelmente o trabalho que você deve fazer pelo resto de sua vida.” – Jessica Hische

É uma grande verdade, né? Enquanto procrastinamos, normalmente fazemos coisas que nos dão prazer (a não ser quando tenho que escolher entre dois trabalhos chatos e opto por lavar a louça em vez de começar aquele relatório maçante). E é isso que deveria motivar nossa vida profissional: o prazer pelo que se faz.

É claro que não é qualquer paixão que dá pra transformar em algo que pague a conta de luz no final do mês, né? Mas por que não podemos encontrar um meio-termo, ou até ir juntando pedrinhas ao longo do caminho para tornar esse sonho realidade?

É o que eu tenho buscado ultimamente… juntando pedrinhas para quem sabe transformar uma paixão em trabalho.

Foi mais ou menos assim que surgiu o Floripinhas. Foi uma oportunidade que literalmente caiu no meu colo e não tinha como recusar. Naquele momento eu ainda não estava trabalhando, era preciso assumir um compromisso financeiro e eu não sabia como iria assumi-lo. Mesmo assim topei embarcar nessa com minha amiga Renata, mãe do Theo, que é amigo do Ben <3

O Floripinhas pretende preencher um buraco na programação cultural de Florianópolis e região, pois não existe um canal que seja voltado exclusivamente para divulgação de eventos e atividades para o público infantil. Hoje, quem quer saber o que fazer na cidade precisa entrar em dois ou três sites, até descobrir uma programação legal. Nós queremos reunir todos esses sites em um só!

Aos poucos queremos ir descobrindo, visitando, curtindo e divulgando lugares especiais para ir com nossas crianças na cidade e região.

Como voltei a trabalhar fora, por enquanto o Floripinhas é algo que faço enquanto procrastino. Mas quem sabe esse não vira o trabalho que farei pelo resto (ou parte) da vida?

O Floripinhas é um site (floripinhas.com.br) e também está no Facebook (/floripinhas)

Sejam bem-vindos!

Floripinhas

 

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Desmame noturno ativar!

baby-schlafpositionenJá havia um tempo que eu vinha ensaiando esse movimento, mas eu sempre esbarrava na insegurança de dar tudo errado e na dúvida: será que é mesmo necessário?

Nesse meio-tempo, até pesquisei sobre desmame noturno natural, mas encontrei pouca informação consistente. A maioria me dizia que existe desmame noturno natural, mas pode variar entre poucos meses e muitos anos.

Acontece que começou a ficar chato. Sim, depois de 17 meses de cama compartilhada, sendo que uns 14, 15 sem nenhum estresse, começou a me incomodar o fato de o Ben querer ficar plugado a noite inteira.

E eu percebi que era algo que podia ser mudado, porque ele passa metade das noites no quartinho dele, e metade na nossa cama. A primeira metade ele dorme super bem, e a segunda metade ele quer ficar plugado, sendo que nem sempre mamando.

Algumas noites passaram sem que eu me incomodasse. Mas em outras noites isso chegou a me incomodar de um tanto, que cheguei a fazer algo que toda mãe consciente-madura-informada-apegada-sóquenão faria: virei as costas pra ele!

Sim. Tirei o peito, falei “Ben, tu já mamou.” e virei as costas. E dormi. Me julguem.

Ele não gostou, é claro. Mas não é que, depois de algum choramingo, ele dormiu?

Então percebi que sim, era possível voltar a dormir sem peito.  E aos poucos começamos a amadurecer a ideia de fazer um desmame noturno.

Até que chegou sexta-feira passada. O Ben tinha passado uma noite daquelas, plugado. Eu virei as costas pra ele mais uma vez. Ele ficou brabo, mas dormiu.

À noite, conversei com o Queridíssimo e falei que tinha chegado a hora. Ele já vinha acompanhando todo o desenrolar, e topou na hora encarar essa nova fase. Afinal, eu ia precisar muito dele para fazer o Ben domir, caso ele insistisse muito em querer mamar.

Montamos um esquema baseado no Desmame Gentil proposto pelo Dr. Gordon, mas totalmente flexível, sem expectativas e sem nada muito rigoroso.

Tem sido assim:

Noite 1 (sexta pra sábado): dormiu no peito lá pelas 20h, acordou por volta das 1h30, ganhou colo do papai, chorou, deitou no nosso meio, chorou, dormiu. Tudo isso com muito carinho, conversa, abraço. Acordou mais uma vez, ficou brabo, insistiu, dormiu. Quando acordou mais uma vez, já tinha amanhecido (e o combinado era mamar quando amanhecesse), e então ele mamou e acordou pra sempre.

Noite 2 (sábado pra domingo): eu saí pra um happy hour cazamiga, então ele fez toda a rotina de sono com o papai. Quando cheguei, perto das 23h, não demorou muito e ele acordou. Foi a coisa mais fofinha do mundo a cara de felicidade dele falando “mamain” e vindo em minha direção!! Como era antes da meia-noite (estipulamos o sem-peito das 0h às 6h), ele ganhou peito. Enquanto ele mamava falei “Depois o Ben só vai mamar quando amanhecer, tá?”. Ele parou de mamar, olhou pra mim e disse “Tá”. FOFO! Mas é claro que não foi tão simples assim! Ele acordou novamente alguns minutos depois, e como já tinha passado da meia-noite, experimentei levá-lo pra cama sem peito. Funcionou! Deitei ao seu lado na nossa cama, fazendo carinho e conversando e ele dormiu. E eu também (com a roupa e a semi-maquiagem do happy hour, sim senhoras!). No meio da madrugada acordou, chorou, me bateu com as duas mãos, eu ofereci água e ele dormiu (assim nessa ordem, tudo em poucos minutos, e ele não tomou a água!). Acordou as 6h15, mamou um pouquinho e já achou que era hora de acordar pra sempre! Às 6h15 de domingo, para desespero do papai.

Noite 3 (domingo pra segunda): Essa noite foi a mais tensa das três. Ele chorou muito mais. Na primeira acordada no entanto, dormiu de novo assim que ofereci a água. Descobri a senha, pensei! Na próxima vez que ele acordou, ofereci água na esperança de que ele voltasse a dormir, mas não, ele disse “té”. Bem feito! Lá fui eu levantar na madruga atrás do copinho dele com bico, encher de água e entregar ao guri. Que adormeceu novamente tomando a tal água! Lição nº1: ter um copinho de água à mão. Lição nº2: não encher muito o copinho sob o risco de acordar novamente em uma pocinha d’água.

Noite 4 (segunda pra terça): a noite mais difícil de todas. Ele acordou fora do horário a que está acostumado, chorou bastante, dormiu em cima de mim, sentou, chorou, quis sair da cama. Mas sabe, foi tão confuso que nem consigo lembrar direito como foi. Aguentamos firme, ele aguentou firme, dormiu tomando água.

Noite 5 (terça pra quarta): Ben acordou resmungando, abracei, fiz carinho, cantei, enrolei. Até que o papai foi à cozinha pegar água e voltou dizendo que eram 6h40! O menino dormiu das 20h às 6h40h minha gente, dá pra acreditar?? Ainda não estou acreditando e também não tenho esperança de que seja algo definitivo, afinal, foi só uma primeira vez. Vamos acompanhar…

E assim tem sido até agora nosso desmame noturno e o mais respeitoso possível. Mesmo com essas noites agitadas, eu estou achando mais tranquilo do que imaginei. Mesmo com o sucesso da última noite, ainda não dei o processo como encerrado, é claro. Então prometo que volto aqui para contar o desfecho-ou-não-fecho do desmame noturno.

Ps: a imagem acima ilustra muito bem como tem sido a configuração da cama familiar nesse tempo todo: o Ben dorme entre a gente, nas posições mais esdrúxulas possíveis, até que um dos dois resolve sair da cama (geralmente o pai). Optamos por fazer esse desmame noturno com ele na nossa cama, para não ser uma mudança muito brusca no que ele estava acostumado, e também porque tem feito muito frio ultimamente.

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Mulher: perder urina nunca é normal!

Perder urina nunca é normal

Quantas mulheres tu conheces que têm que se segurar para não fazer xixi quando espirram? Eu já ouvi tanto histórias assim que sempre achei que fosse normal. Até o dia em que minha prima Joana, fisioterapeura especializada em saúde da mulher, postou no Instagram a foto acima. E aí me dei conta: opa, não é normal mesmo!

Só que eu conheço uma porção de mulheres que, desde que tiveram seus bebês, passaram a não conseguir mais segurar o xixi em determinadas ocasiões. Algumas tiveram logo após o parto e passou naturalmente, outras buscaram ajuda e estão em tratamento, mas o que eu quero falar hoje é com o terceiro grupo, o que está se acostumando a fazer xixi quando espirra, tosse, faz força.

Por isso, convidei a minha prima a responder algumas perguntas sobre o assunto e para mostrar que incontinência urinária não deve ser encarada como algo corriqueiro! Confiram:

Bem que se Quis: Quais as circunstâncias em que é normal perder urina sem querer? E quais em que não é normal?

Joana Moreira dos Santos: É possível dizer que em nenhum momento é normal! Chocante ler isso, certo? Desde sempre, nós mulheres, somos condicionadas a ideia de que “ perder xixi” é algo normal, fazendo parte do processo de envelhecimento. Muitas de nós puderam acompanhar este ocorrido com mães e avós. Pois bem, aceita-se que na fase do puerpério imediato (até 40 dias após o parto) ocorram perdas. Repito, aceita-se! Durante a gestação o trato urinário, e tantas outras estruturas corporais, se adaptam, e a reversão de toda a mudança possui um prazo de no máximo 3 meses.

Passado este período de 40 dias, procure ajuda especializada! Converse com seu médico, procure um fisioterapeuta especializado.

BqsQ: Há algum sinal de alerta, para que a mulher procure ajuda?

Joana: Quem nunca ouviu a expressão: “Mijar de tanto rir” ?? Esta é mais uma frase que acaba por consolar quem percebe alguma perda enquanto solta um ataque de risos. Muitos casos não estão ligados à gestação, e muitas nulíparas (mulheres que nunca pariram) apresentam algum tipo de incontinência. Comummente estas perdas estão relacionadas a esforços, como: espirrar, tossir, se mexer bruscamente, ataques de riso, ou ao levantar pesos leves.

Vontade incontrolável de urinar, não conseguir segurar a urina por algum tempo, já são sinais de que algo está errado.

Vale destacar que durante a gestação, cerca de 64% das gestantes percebem perder o controle, com escape de urina, em algum momento.

BqsQ: Que tipo de profissional ela deve procurar?

Joana: Na consulta de rotina deve questionar seu médico ou procurar um fisioterapeuta especializado.

BqsQ: Como é feito o tratamento?

Joana: O tratamento conservador, aquele onde não há procedimento cirúrgico, é realizado sob a orientação de um fisioterapeuta especializado. A conduta dependerá da avaliação, pois cada caso precisa ser minuciosamente investigado.

BqsQ: O que provoca a perda de urina após a gravidez? Tem a ver com o parto?

Joana: Dentre tantas alterações que ocorrem no corpo da gestante, muitas delas ajudam a desencadear este incomodo. A modificação na pressão e volume vesicais, o aumento do tamanho do útero, a diminuição da força e função da musculatura do assoalho pélvico, a ação hormonal, o aumento de peso excessivo, e a condição prévia deste assoalho pélvico (muito antes de pensar em engravidar), são fatores que combinados levam a perdas urinárias.

Não posso afirmar que não há ligação entre a IU (incontinência urinária) e o parto. Mas posso garantir que um assoalho pélvico bem preparado diminui, e muito, a prevalência de IU no pós-parto.

Outra queixa comum no pós parto é a dor durante a relação sexual. E é importante ressaltar que, junto à IU, também não pode ser considerada normal!

Mulheres, perder urina NUNCA é NORMAL!!!

Joana Moreira dos Santos
Joana Moreira dos Santos
(fisioterapeuta)
(48) 9908-4363 (48)3029-3033
joana.fisio@hotmail.com
saudemulher.fst.br

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Aos #17 meses

Ontem o Ben falou sua primeira frase. Lembrei de quando a Ananda me disse que esse era um momento emocionante. Eu confesso que fiquei meio chocada – a ponto de ligar para o pai dele para contar! A frase, vejam só, reunia praticamente 50% do vocabulário do Ben:

- Caiu a água (aiuuuu a ácua).

Foi depois que ele pegou a bola (brincadeira predileta) jogou sobre a mesa, passou raspando em uma taça de vidro que lá estava, esbarrou no copo de plástico e esse tombou, derrubando toda a água que tinha dentro. (no melhor estilo abertura do Ra-tim-bum #denunciandoidade).

Sem se dar conta de que tinha acabado de pronunciar sua primeira frase, com sujeito, predicado e um adjunto adnominal (será???), o menino alcançou a bola do outro lado da mesa e saiu como se nada tivesse acontecido.

Eu fiquei boquiaberta, como assim minha gente? Nasceu ontem e hoje já fala uma frase? A pessoinha conseguiu reunir as duas palavras mais pronunciadas de sua vidinha em uma única situação!

Aliás, vocabulário não evoluiu muito desde o último mês, mas a série de gracinhas, isso sim!

Resolveu falar cocô, antes, durante e depois o ato. E repete cocô quando falamos que é xixi.

Está aumentando o repertório de musiquinhas coreografadas, e a preferida do momento é “fui morar numa casinha-nha, infestada-da, de cupim-pim-pim”.

O seu livro predileto é “O ratinho, o morando vermelho maduro e o grande urso esfomeado”, que ele sabe de cor e fica imitando os trejeitos que fazemos a cada página.

Imitar é a sua mais nova mania, e eu estou aproveitando para fazê-lo comer o que eu quero. Quando vejo que não está muito afim de comer algo, como na sua frente e faço uma cara de muito gostoso. E então ele me imita! Ontem foi um pouquinho de rúcula (apesar de que ele mordeu a folha, cuspiu fora e falou “ca ca ca”).

Aliás, ele é um praticante fervoroso do bebezês (deve ser coisa da escola). Fala papá quando quer comer, mesmo quando insistimos em dizer comida. E fala ca ca ca quando dizemos que ele fez bagunça ou sujou alguma coisa – coisa que ultimamente tem acontecido bastante!

"Infesta-da-da de cupim-pim-pim"

“Infesta-da-da de cupim-pim-pim”

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Informação de mãe pra mãe

Informação. Essa é a melhor receita para um pré-natal e um enxoval perfeitos.

Do que meu bebê realmente precisa? Quais os cuidados essenciais durante a gravidez? Como me preparar para a amamentação? Como elaborar um Plano de Parto, quais as reais indicações para a cesárea? Como fazer o bebê dormir?

Quando a gente se descobre grávida, um novo mundo se abre a nossa frente. Se formos guiadas pelas mãos certas, vamos encontrar todas as respostas para essas perguntas aí em cima. Em geral, as mesmas respostas, já que as pessoas realmente comprometidas com o bem estar da gestante e do bebê se baseiam em evidências científicas. E elas citam Laura Gutman, Carlos Gonzales, Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde, Dra. Melânia Amorim e outras importantes referências.

A jornalista Andreia Nobre reuniu essas informações em um guia completo para uma maternagem mais humanizada, e criou o “De mãe para mãe: tudo o que eu descobri sobre o parto normal e outras dicas para uma maternagem empoderada“.

Leitura essencial para quem quer se empoderar durante a gravidez. E para quem não quer também.

Tomei a liberdade de publicar o guia no Issuu, para ajudar a disseminar ainda mais esse conteúdo. Para você que está grávida, ou que conhece alguém que esteja. Leia, compartilhe, envie, dissemine!

 

Veja o que você vai encontrar lá:

De Mãe para Mãe: o que você precisa saber para Gerar
- O Sistema Reprodutor Feminino 6
- A Ovulação 6
- Potencializando suas Chances de Engravidar 7
- Verificando a Fertilidade do Casal 7
- O Ciclo Menstrual e a Fecundação 7
- Menino ou Menina? 8
- Como Detectar uma Gravidez 8

De Mãe para Mãe: o que você precisa saber para Gestar
- Primeiro Trimestre
- Exames de Sangue, Urina e Fezes 9
- Exames Ultrassonográficos 9
- O Enjoo 9
- Medicamentos 10
- Alimentos 10
- Outras Substâncias 10
- Cuidados com a Pele 10
- Exercícios 11
- Exercícios Pélvicos 11
- Vestuário 11
- Curiosidades do Primeiro Trimestre 12
- Segundo Trimestre
- Exame de Diabetes Gestacional 13
- Exame Ultrassonográfico 13
- Segurança da Gestante 14
- Algumas Dicas 14
- O Berço 14
- As Roupas 15
- As Fraldas 15
- O Kit de Beleza 16
- A Alimentação 16
- O Aleitamento 16
- Outros Acessórios 16
- Organize o Chá de Bebê ou o Chá de Fralda 17
- Curiosidade Sobre o Segundo Trimestre 17
- Terceiro Trimestre
- Exame do Streptococo B 18
- Curiosidades Sobre o Terceiro Trimestre 18

De Mãe para Mãe: o que você precisa saber para Parir
- Conheça algumas Expressões sobre Partos 19
- Parto Natural 19
- Parto Normal 19
- Cesárea ou Cesariana 20
- Parto Humanizado 20
- Parto Domiciliar 20
- Parto Hospitalar 20
- O Trabalho de Parto 21
- Quando e Como Começa o Trabalho de Parto 21
- O Pré-Parto 21
- O Parto Ativo 23
- Durante o Trabalho de Parto – O Papel de Cada Um 24
- Outras Formas de Indução e Aceleração do Parto 24
- Posição do Bebê 25
- Analgesia 26
- Dilatação Completa 27
- Os Primeiros Momentos do Bebê 27
- Expulsão da Placenta 28
- Por falar em Irmãos Mais Velhos 28
- Lei do Acompanhante no Parto 29
-Direitos da Gestante Conforme a OMS 30

De Mãe para Mãe: o que você precisa saber para Maternar
- Teoria da Extero-Gestação 31
- Maternagem
- Amamentação 33
- Mamadeira 35
- Arroto 35
- Chupeta 35
- Andador e Cadeirinhas 35
- Como pegar o Bebê 36
- Conforto 36
- Rotina 37
- Sono 37
- Vestir o Bebê 38
- Saídas 38
- Cordão Umbilical 38
- Banho 38
- Fralda 39
- Outros Acessórios 39
- Vacinação 40
- Alimentação 40

Sites Recomendados 41
Modelo de Plano de Parto 42
Indicações Reais de Cesárea 44
Diagnóstico Equivocado para Cesárea 44
Situações Especiais para ser Analisadas Caso a Caso 44
Casos Onde Não Há Indicação de Cesárea 45

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email

Divagações sobre a volta ao trabalho e a escolarização

Só agora me dei conta de que não voltei aqui para contar como tem sido a volta ao trabalho.

Deve ser porque foi uma volta tranquila, muito (muito) mais do que a minha primeira volta ao trabalho. Naquela vez, o Ben mamava exclusivamente, eu fui pega de surpresa com uma volta 2 semanas antes do esperado, e  não tivemos tempo nenhum para uma transição.

Dessa vez foi outra história. O Queridíssimo gosta de dizer que a gente fez a adaptação perfeita: durante quase seis meses, o Ben foi só por um período à escolinha. E depois de estar há quase 3 meses nessa mesma escola, a passagem para o integral foi mais tranquila.

É claro, não vou dizer aqui que estamos na situação perfeita. Ainda não me agrada nem um pouco o fato de que meu filho está o dia inteiro longe de mim. E não deve ser fácil pra ele também.

Ele passou a mamar muito mais durante a noite. E muitas vezes quando o busco ele está chupando e até mordendo os dedinhos.

Nas primeiras semanas eu ainda precisava ir para casa antes de ir buscá-lo, pois tinha algumas pendências com meus trabalhos anteriores. Mas logo nos demos conta de que não devia estar sendo fáicl para o Ben ficar tanto tempo “sozinho”. E mudei minha rotina: saio do trabalho e vou imediatamente buscá-lo. Foco nele desse momento (umas 17h) até a hora em que ele dorme (umas 20h). Só depois disso é que vou trabalhar nos meus frilas.

Ainda preciso continuar com esse frilas, pois dão um reforço bem importante no nosso orçamento. Sem falar que eu gosto deles, sabe quando a gente pega carinho pelo trabalho? Sou dessas.

Vez por outra me pego pensando e repensando (será que um dia isso vai ter fim?) sobre trabalhar fora X maternidade X dinheiro X educação.

Se por um lado foi muito bom estar em casa com o Ben, com horários flexíveis e muita disponibilidade, por outro, de nada adiantava ter todo o tempo do mundo para fazer natação com ele no meio da tarde, se não tivesse dinheiro para pagar por essa natação. Assim como uma sessão de Cinematerna, ou um café com as amigas… tudo isso custa! É ótimo ter todo o tempo do mundo, mas com a grana curta, chega a ser frustrante… Em compensação, agora terei esse dinheiro, mas e o tempo?

Aos poucos vou resolvendo essa questão do tempo. Felizmente esse trabalho permite jornada flexível, então assim que as coisas estiverem bem estabelecidas, vou tentar fazer um arranjo pra ir à natação com o Ben.

Nessa questão do dinheiro, carreira, trabalho, estou até que bem resolvida.

O que me dói, dói mesmo, é a questão da escolarização.

Apesar de gostar muito da escolinha que o Ben frequenta, ainda tem algumas coisas que deixam a desejar. O causo do dia das mães é um exemplo. Aquelas atividades clichê, que são feitas desde sempre e sem muito se questionar sobre o tema. O pior é que atende aos anseios da maioria dos pais, então não tem muito como lutar contra. No mundo ideal, eu teria disponibilidade de tempo e dinheiro para levá-lo somente a atividades de aprendizagem e socialização de qualidade.

Depois de uma conversa com duas amigas queridas, fiquei refletindo sobre a questão da escolarização. Hoje, conhecendo o Ben, sabendo da criança livre, criativa, entusiasta, alegre e tudo o mais que um serzinho de 16 meses pode ser, eu chego à conclusão de que existem 3 mitos sobre a escolarização de bebês que talvez as pessoas não se deem conta:

  1. Eles adoram.
  2. Eles logo acostumam.
  3. É bom pra eles.

Não, eles não adoram. Se eles fossem escolher, eles ficariam em casa, iriam pra casa da vovó, pra casa de um amigo, mas não iriam para a escola. E não, eles não se acostumam. Eles se resignam. Eles percebem que nada podem fazer para mudar isso e aceitam, simples assim: aceitam. E por fim, não, não é bom pra eles. É bom pra mãe, pro pai, pra sociedade. Mas pra eles não é bom. Bebê não precisa socializar, até porque eles nem socializam (essa semana eu vi o Ben brincando com outras crianças pela primeira vez, e todas mais velhas). Em tese, eles não precisam ser submetidos a um tratamento que envolve a disputa com outros bebês pela atenção e cuidado do cuidador.

Então, concluindo sobre meu retorno ao trabalho. É bom, é revigorante, é tranquilizante ter algo fixo e garantido. Mas meu coração não está feliz e tranquilo e revigorado de ter que deixar meu bebê aos cuidados de terceiros durante boa parte das horas em que ele está acordado, todos os dias.

 

 

Espalhe por aí:
Facebook Twitter Email