Oi?

Sim, muito tempo sem vir aqui. A boa notícia é que estou trabalhando muuuito, e quase não dá tempo de parar na frente do computador para fazer algo que não seja trabalho.

Sinto muita saudade do blog. Mas não tenho muito o que contar, sabe quando a vida entra em velocidade de cruzeiro? Claro que tem suas emoções, mas não são mais aquelas emoções de mãe de primeira viagem.

Um dos meus trabalhos é um projeto muito bacana que fala sobre a Primeira Infância. Volta e meia eu me deparo com uns artigos super interessantes, vou tentar traduzí-los para publicar aqui.

Vamos ver como me saio!

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O dia em que o Paco virou estrelinha…

img_5353Era um fato anunciado: o Paco, nosso cão, estava velhinho, e sabíamos que em breve ele partiria. Estava prestes a completar 15 anos.

Paco era o cão da minha família. Ainda éramos adolescentes quando ele foi adotado. E com mil e um ajustes familiares ao longo do tempo, ele acabou vindo morar com a gente em 2013, quando o Ben tinha 8 meses.

Na manhã do dia 19 de outubro, estava fazendo o café da manhã quando olhei pela janela da cozinha e achei estranho o que vi: o Paco estático dentro da casinha… Aproveitei uma distração do Ben, que brincava na sala, e fui lá conferir o que o coração já tinha certeza… ele tinha partido.

Comentei discretamente com o Queridíssimo e tentamos não tocar no assunto ao longo da manhã. Nem precisamos conversar: os dois sabíamos que era melhor que o Ben não visse o Paco daquele jeito.

Esperamos que ele fosse para a escola para fazer alguma coisa. O Paco foi enterrado em um terreno perto da nossa casa, e ainda fiz questão de plantar uma semente na terra que o cobriu…

À noite, na hora do jantar, resolvemos conversar com o Ben sobre o assunto. Era melhor que estivéssemos os três juntos, do que ele perguntar no dia seguinte e um de nós não saber responder…

Então eu comecei a conversa:

– Ben, sabia que o Paco virou uma estrelinha?

– Por que, onde ele está?

– Ele virou uma estrelinha e foi pro céu.

– Por que que ele foi embora??

– Ele estava muito velhinho, estava cansado de ser cachorro e agora virou uma estrela lá no céu. – completou o Papai.

– Mas eu não quero que ele vá embora…

– Mas ele tá lá em cima no céu cuidando da gente agora.

E o assunto terminou com:

– Por que… por que… por que que não tá na hora de almunçar agora? Eu quero, eu quero, eu quero uma água….

Mais ou menos assim terminamos o assunto. Alguns minutos mais tarde, ele pediu pra ir lá fora ver se encontrava o Paco no céu. Mas era uma noite chuvosa e não tinha estrelinhas. (não sei ainda se isso foi bom ou ruim) Mesmo assim, ele ficou na porta chamando: “Pacoooo”…

Foi bem tocante.

Não voltamos mais a falar no Paco até uns três ou quatro dias depois. Por acaso, eu tinha trabalhado em um artigo naquela semana que falava que as crianças pequenas levam mais tempo para assimilar uma informação nova. Podem não entender na hora, mas no dia seguinte lembram e processam a informação. Acho que foi isso que aconteceu com o Ben.

No final da semana ele resolveu tocar no assunto: “Quando for de noite, a gente vai ver o Paco!”. E essa frase tem se repetido diversas vezes desde então, assim, solta em alguns momentos do dia. Só que coincidentemente ou não, faz mais de 20 dias que não para de chover nessa cidade (#help) e ainda não tivemos uma noite estrelada para “ver o Paco”.

Confesso que de minha parte fiquei um pouco aliviada com a partida do Paco, pois ele estava realmente velhinho e debilitado. O Ben sabia disso. Acontece que até pra mim tem sido uma “ausência” esquisita de conviver. Imagino como deve ser pra ele, que cresceu com essa companhia…

Foi gostoso resgatar algumas imagens que mostram a parceria dos dois ao longo do tempo:

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Quatro dicas de ouro que aprendi com minha irmã e dou de brinde pra vocês

Minha irmã mais velha, Elisa, é minha guru na arte de criar crianças com apego. Acho que ela nem sabe que cria com apego, mas ela é pro nisso! Ela tem duas filhas, a Marina (minha afilhada), de 8 anos e a Natália, que vai fazer 6.

Nesses 30 e poucos meses de maternagem, já perdi as contas de quantas vezes recorri a ela e quantas dicas ela me deu (muitas vezes sem nem perceber) para aquelas situações que pareciam sem saída.

Reuni aqui as quatro dicas mais marcantes que eu tenho usado desde sempre e sempre funcionam.

  1. Foca nele.

Essa dica ela me deu quando eu estava perdida nas tentativas frustradas de fazer o Ben dormir durante o dia. Segundo a teoria dela, o Ben não dormia durante o dia por dois motivos básicos. O primeiro era porque ele precisava gastar mais a energia (que era muita) e o segundo era porque o momento que eu mais me dedicava a ele era durante minhas tentativas de fazê-lo dormir. Então, a primeira dica de ouro foi essa: cansa bastante ele entre uma soneca e outra, e foca nele. Assim, ele vai ficar cansado o suficiente para dormir e não vai querer aproveitar esses momentos juntos pra ficar acordado. Essa dica funciona até hoje, muitas vezes percebemos que o Ben quer aproveitar que o papai e a mamãe estão juntos pra continuar acordado, então a gente supre bastante ele com a nossa presença durante o dia.

2. Ele vai te dizer

Foi crucial durante a introdução alimentar e é algo que aplico em outras fases de desenvolvimento também. Eu recorri a ela porque não estava sabendo o momento de introduzir o jantar na rotina do Ben. Ele tinha uns 9 meses, comia de manhã, no almoço e à tarde, e o restante do dia era só mamá. Perguntei pra ela quando devia começar com as jantinhas. E em vez de ela me responder “com 10 meses e 1 semana”, por exemplo, ela me respondeu “ele vai te dizer”. Na hora fiquei meio perdida, mas não deu outra: umas duas ou três semanas depois, o Ben começou a pedir pra mamar em um horário que normalmente não mamava. E nessa hora percebi que ele estava querendo mais uma refeição.

Eu acho essa dica muito linda, porque permitiu que eu começasse a confiar nos sinais que o Ben estava dando de que podia passar para uma próxima fase. Com ela, aprendi que em vez de ficar confusa, o jeito era confiar nele e seguir seus sinais para juntos andarmos um passo à frente.

3. Lanche = fruta

Nada de papinhas elaboradas, muito menos biscoitos ou mingaus. A melhor opção para o lanche de criança pequena é fruta. Vamos combinar que nada mais prático que abrir uma banana, picar uma maçã, lavar umas uvas, hein? Serve para os adultos também (mas aí temos que quebrar alguns hábitos). Aqui em casa raramente temos na despensa outras opções além da fruta para o lanche. A exceção é na escola, pois lá oferecem frutas para todas as crianças e todas levam algum lanchinho para acompanhar (normalmente mandamos bolo caseiro, bolacha de água e sal, frutas secas, pão ou iogurte natural). Em casa, lanche = fruta em 90% das situações.

4. Não pergunte, dê opções

Fundamental para quando esses bebezucos começam a deixar claro que têm suas próprias opiniões. Um erro muito comum de quem costuma respeitar as vontades dos bebês, como a gente, é perguntar em vez de mandar a criança fazer  o que a gente quer. “Vamos jantar agora?”, “Quer colocar o casaco?”, “Vamos trocar a fralda?”. O problema é que não nos damos conta de que, apesar de ser importante respeitá-los, eles não têm maturidade para decidir coisas muito complexas. Ainda mais na fase em que descobrem o poder da palavra “não”. Como assim parar de brincar agora pra jantar? Pra quê colocar um casaco se estou confortável com essa roupa? Provavelmente é assim que eles se sentem. Então aprendi com minha irmã a dar duas opções, entre coisas que eu gostaria que ele fizesse. Por exemplo: “Você quer jantar no prato rosa ou azul?”, “Quer colocar esse casaco ou aquele?”, “Quer levar o pato ou o urso para trocar fralda com a gente?”. São perguntas que deixam a criança sem saída e não abrem espaço pra dizer não.

De nada 😉

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2 anos, 6 meses e 20 e poucos dias

Relato de desmame do Ben – 2 anos e quase 7 meses

Hoje fez três semanas que o Ben mamou pela última vez. Foram dois anos, seis meses e um pouco mais de 20 dias de amamentação. Seis dias depois ele faria 2 anos e 7 meses.

Estou desde então querendo escrever esse relato, e acho que demorei porque realmente não sabia por onde começar. Se eu começar do começo, vocês ficariam entediados. Se eu começar pelo fim, vai sair só um parágrafo de história. Decidi então começar pelo meio mesmo.

Se alguém me dissesse um dia que o desmame do Ben levaria pouco mais de um ano, eu teria desanimado antes mesmo de começar. Na verdade, me disseram que o desmame levaria bastante tempo, e por isso eu decidi nunca pensar nele.

No ano passado eu entrei em um grupo no Facebook chamado “Amamentação com desmame natural”. Eu gostava bastante do conteúdo, mas depois de um tempo comecei a perceber que a expressão “desmame natural” pode ter diversas interpretações. E pela postura da maioria do grupo, o desmame deveria partir única e exclusivamente do bebê, e jamais da mãe. Em vez de me frustrar, ou mesmo partir para a defensiva, o que eu fiz? Saí do grupo. Só hoje eu entendi melhor o que aconteceu ali: sem perceber, eu já estava interferindo na amamentação do Ben, pois a partir de um certo momento, precisei tomar para mim as rédeas da amamentação.

Esse foi o ponto crucial, no meu ponto de vista, da amamentação prolongada. A partir do momento que eu tomei as rédeas, a amamentação deixou de ser um fardo para mim, pois eu só amamentava quando estivesse confortável para mim. Calma, parece radical da minha parte, mas vou explicar como isso aconteceu de uma forma que o Ben quase nem percebeu.

O início do fim

Entre os 15 e 21 meses do Ben, eu trabalhei em período integral. Isso significou que na maior parte do dia (leia-se período diurno) ele não mamava. Eu o buscava a partir das 17h e então o mamá era em livre demanda até o dia seguinte.

Quando ele fez uns 18, 19 meses mais ou menos, basicamente mamava quando chegava da escola, antes de dormir (20h), e então algumas vezes à noite, e pela manhã.

(Agora uma pausa para lembrar que nesse período fizemos desmame noturno, então ficou meio confusa essa questão, pois ao mesmo tempo em que ele não mamava à noite, tivemos vários episódios de dentes nascendo – caninos e molares – e gripe que regredimos no desmame noturno. E as mais atentas, que me seguem no Facebook, vão lembrar também que uns seis meses depois eu ainda dizia que ele mamava à noite.)

Ainda nessa fase, entre 18 e 19 meses, eu passei a não dar mais o mamá quando ele pedia ao chegar da escola. Nessa hora, em vez de dar o peito, eu mostrava algum brinquedo, oferecia fruta, distraía ele com algo. Quase sempre funcionava, e aos poucos ele parou de pedir para mamar nessa hora. Ficou só com a mamada antes de dormir e as noturnas. Se não me engano eram perto da 1h e das 6h da madruga.

Com mais ou menos 20 meses, comecei a limitar a livre demanda, especialmente na rua. Quando ele pedia, eu dizia que não era hora, ou distraía, oferecia fruta. Em momentos críticos, obviamente eu cedia – especialmente quando queria muito que ele tirasse a soneca. Aos poucos, ele parou de pedir para mamar fora de casa.

Quando ele fez dois anos, eu tive diversos episódios de cândida nos seios. Era muito dolorido amamentar. Cheguei a pensar em desmamar, mas na noite de Natal, refletindo sobre tudo o que já tínhamos passado, observando o Ben mamar decidi que deixaria que ele decidisse a hora de parar. Afinal, já tínhamos chegado até ali. Eu simplesmente não me via interrompendo essa história.

Em janeiro eu viajei pela primeira vez sem ele, por 3 dias. Como contei neste post do Facebook, nessa e outras vezes que eu viajei fiquei secretamente torcendo para que ele desmamasse. E em todas as vezes ele plugou imediatamente no peito quando nos reencontramos.

Nesse verão, apesar de o Ben não mamar muito durante o dia, tinha dois momentos fixos em que ele mamava, o que me fazia acreditar que o desmame estava muito longe: antes de dormir e ao acordar. Muitas vezes ele ainda mamava de madrugada, quando acordava e vinha para a nossa cama.

Só que aos poucos, meio naturalmente, ele passou a sair do banho (que ele toma com o pai) e ir direto para o quarto assistir ao boi de mamão e dormir. Acho que ele nem percebeu quando deixou de precisar do mamá para pegar no sono à noite. Assim, só restou o mamá das 7h da manhã, que era meio que um ritual dele:

Acordava, vinha para a nossa cama, deitava do meu lado, pedia para mamar. Se eu não desse o mamá (coisa que chegamos a tentar em fevereiro), ele acordava para sempre, de modo que para garantir alguns minutos extras de “sono” eu cedia. Então ele mamava um peito, largava, pedia “eu quero esse outro mamá aqui”. Mamava o outro peito, largava, saía da cama, dava a volta na cama, ia até o pai: “papai, vem, vamos lá em baixo assistir à peppa que a mamãe vai dormir mais um pouquinho”.

Era o ritual dele, criado por ele. Não tinha por que mudar.

O fim do fim

É nessa hora que o relato começa a ficar mais detalhado, mas só para mostrar para vocês que, apesar de eu considerar que o desmame tenha começado um ano atrás, o desmame em si aconteceu muito rápido, e quase me pegou de surpresa.

Em julho, a fotógrafa Natália Brasil me convidou para um especial sobre amamentação, especialmente amamentação prolongada, que ela queria produzir para a Semana Mundial de Amamentação.

No dia 04/07, havíamos combinado que o Ben iria passar a noite com a vovó. Como dormiu com a vovó, não mamou na manhã de domingo. Chegou segunda-feira, e a mesma coisa, não pediu pra mamar. Não lembro muito bem por que. E ficou tudo bem, ele nem percebeu!

Nisso, estávamos marcando a sessão de fotos com a Natália, eu avisei a ela que o Ben não mamava desde sábado. Ela sugeriu antecipar as fotos para quarta-feira. E aqui devo confessar que nem negociei o mamá quando ele pediu, porque queria garantir que ele ainda estivesse mamando na quarta-feira!!

No dia das fotos, ele estava super feliz porque a gente ia tirar foto “do Ben mamando!”. Na hora da sessão foi muito engraçado, ele ficou eufórico de mamar às 10h da manhã! Ele dava gargalhadinhas felizes e incrédulas enquanto eu abaixava a blusa para ele mamar. Fofo.

A sessão durou pouquíssimos minutos, porque foi o tempo que ele se interessou em mamar ahaha.

A quinta e a sexta-feiras foram dias normais em relação à amamentação. Acordou, veio pra cama, mamou um, mamou o outro, chamou o pai pra ver a peppa, e a mamãe dormiu mais um pouquinho.

Eis que no sábado de manhã, algo aconteceu: ele acordou e chamou o pai. O pai atendeu, os dois desceram pra tomar café. E ninguém falou em mamá.

No domingo, a mesma coisa, para minha estupefação.

Nos dois dias, ele chegou a pedir pra mamar, mas fora de hora, fora de casa, eu conversei com ele, expliquei que não era hora de mamar. Ele reclamou um pouco, mas logo aceitou.

No domingo à noite, ele estava jantando no meu colo. Eu comecei a conversar “em códigos” com o Queridíssimo. Dei a entender que, do jeito que tinha sido o fim de semana, se ele pedisse para mamar na segunda-feira de manhã eu não daria mais. Queridíssimo pegou a ideia, e deu total apoio. Afinal, se eu não desse o mamá, era a ele que o Ben iria recorrer.

Nisso, o Ben sacou a conversa e perguntou:

– Por que mamãe?
– Porque tu já estás grande. Não precisa mais mamar, né?
(ele me olhou, olhou pro mamá e sorriu pra mim)
– Por que?
– Porque tu já és grande, já vai ao banheiro sozinho, já come de tudo, já fala, brinca. Não precisa mais mamar, né?
(me olhou, olhou pro mamá, sorriu pra mim)
– Ben, fala tchau pro mamá?
– Tchau mamá! (abanando a mão)

Nessa hora fez-se um silêncio em casa. Pra mim, foi um momento super emocionante, apesar de ainda não assimilar tudo o que estava acontecendo.

No dia seguinte, ele teve uma crise de tosse de madrugada e pediu pra mamar.Só que não era hora de mamar (estávamos levando a sério o desmame noturno), e eu aproveitei o momento para lembrá-lo:

– Lembra, que a gente deu tchau pro mamá?

Ele lembrou. Parou de pedir e voltou a dormir imediatamente.

Passaram-se cinco dias, e no dia em que completou 2 anos e 7 meses, ele pediu mais uma vez pra mamar. Eu novamente relembrei que ele tinha dado tchau pro mamá.

E desde então, tivemos mais umas 2 ou 3 recaídas, mas quando eu lembro que ele deu tchau pro mamá, ele de conforma e relaxa, ou volta a dormir.

E assim ficou registrada a antepenúltima vez que o Ben mamou em sua vida:

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Foram quase 31 meses. Não vou dizer que foram fáceis. Mas certamente foram muito gratificantes. Ver meu filho crescer com saúde, e ter respeitado seu tempo valeu por cada dor, mastite e cansaço por que passei.

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5 presentes de aniversário de 2 anos e alguns extras

Escolher um presente de aniversário, especialmente para crianças pequenas, pode ser um desafio. A gente nunca sabe se a criança vai aproveitar, se vai ser um presente de grego para os pais, ou se vai virar o presente predileto da criança. Eu, particularmente, adoro escolher aquele presente para aquela criança, pensando com carinho sobre o que ela (e porque não, seus pais) mais gosta.

Hoje trago cinco sugestões de presentes com base no que o Ben ganhou de aniversário, e resolvi incluir também alguns extras que ele ganhou de Natal, ou que vi seus amiguinhos ganharem e foi sucesso.

Diferentemente de 1 ano de idade, quando o desenvolvimento dos bebês é meio parecido, aos 2 anos já conseguimos perceber algumas preferências entre as crianças. Então, essas dicas são baseadas nos gostos específicos do Ben – é importante conhecer um pouco a criança que será presenteada para ver se aquele presente vai agradá-la também.

Eu acho que todas as opções podem ser dadas para meninos e para meninas. Adoro brinquedos unissex e gosto de mostrar para o Ben que ele pode brincar com tudo o que quiser!

Aí vão:

CAVALINHO DE PAU

Ben abraçado em um cavalinho de pau
Estimula o movimento, a imaginação, e se a criança tiver vários (como o Ben), ainda envolve toda a família.

FANTOCHES

Ben com fantoches do Boi de Mamão e do Cavalinho
Estimulam a imaginação e a interação entre adultos e crianças. Estes em especial são do Boi de Mamão (não diga!), mas qualquer personagem rende boas histórias!

BLOCOS DE MONTAR

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Blocos de encaixe: estimulam o raciocínio, a imaginação (podem virar qualquer coisa!), a matemática, o aprendizado das cores. Esse caminhão que vem com blocos de montar é demais: porque adoramos brinquedos 2 em 1!

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LIVROS

Livros: especialmente aqueles que têm a ver com algum aspecto do cotidiano, como desfralde, alimentação, escovar os dentes. Indico este especialmente, que lida com a questão do Rosa X Azul
Sugiro temas que tenham a ver com algum aspecto do cotidiano que a criança esteja passando, como desfralde, alimentação, escovar os dentes, chegada de um irmãozinho. Este livro em questão, que lida com a questão do Rosa X Azul, é ótimo nessa idade em que as relações na escolinha passam a ter tanta influência. O livro foi lançado no ano passado pela Nívea Salgado, Mil Dicas de Mãe, e tivemos a honra de receber com dedicatória <3

CANETINHA RISCA E SAI

Canetinha Risca e Sai: esta pode ser usada no azulejo do banheiro e é lavável. Estimula a criatividade e ainda torna o banho mais divertido
Esta pode ser usada no azulejo do banheiro e é lavável. Estimula a criatividade e ainda torna o banho mais divertido. Nem preciso dizer que nosso banheiro vive colorido, né?

EXTRAS:

  • Talheres de alumínio na versão infantil: porque eles adoram imitar os adultos.
  • Carros, carrinhos, carrões: presente infalível, até para as meninas.
  • Panelas e pratinhos: nessa fase começa o faz-de-conta, imitar atos do dia a dia é cada vez mais comum.
  • Roupas: nunca são demais. Pijama é um plus.
  • Calcinhas e cuecas: uma mão na roda para os pais, já ter as roupinhas de baixo quando iniciar o desfralde.
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O desfralde do Ben

O desfralde do Ben começou de forma totalmente despretenciosa. Antes de começar a contar, preciso dizer que eu achei que tudo aconteceu mais cedo do que imaginei. Que eu sempre fui aquele tipo de pessoa que defende que quanto mais tarde o desfralde, melhor. Acompanhei diversos casos de desfralde depois dos 2a6m que foram super tranquilos, e outros tantos desfraldes aos 2 anos e pouquinhos meses que foram super conturbados.

Mas aí veio o Ben mais uma vez me mostrar que tudo pode ser diferente do que eu sempre imaginei.

No final do ano passado, ele começou a lutar contra as trocas de fralda, e se mostrava realmente incomodado com a situação. Queridíssimo e eu combinamos então que, como em janeiro o Ben ficaria de férias com a gente, deixaríamos que ele ficasse pelado sempre que estivesse em casa. Na rua e a noite, voltaria a usar fralda.

No dia 03 de janeiro, depois de uma briga básica para colocar as fraldas, decidimos então deixá-lo pelado mesmo. Assim, sem nenhum preparo inicial nem qualquer estratégia. E assim foi. É claro que o primeiro xixi foi no chão né. Nesse mesmo dia, eu, que não me guento sem teorias, resolvi buscar o termo “desfralde” no Google. Veja: eu realmente nunca tinha lido nada sobre o tema. E nem tinha o mínimo interesse nos relatos de desfralde alheio.

Acabei topando com esse relato aqui, da Lu e da Lily, sobre um tal de desfralde relâmpago. Esse texto me abriu os olhos pra diversas coisas, entre elas o fato de que passar dos 30 meses pode tornar mais difícil o desfralde.

A Lu conseguiu desfraldar a Lily em 4 dias utilizando um método intensivo que está muito em voga no hemisfério norte (leia mais sobre isso no texto, a partir do subtítulo “O Método”). Como não tínhamos tamanha pretensão, apenas seguimos algumas linhas gerais do tal método:

  • Um adulto (eu ou o pai) ficou 90% do lado do Ben, observando seus sinais (o método diz que tem que ser 100% do tempo, e somente uma pessoa)
  • Ele ficou 90% do tempo pelado ou de cueca (os outros 10% se devem a passeios ou aniversários nas primeiras semanas)
  • Sempre que rolava um escape, a gente lembrava que o xixi era no penico. E sempre que molhasse uma cueca, a gente trocava por outra e reforçava que aquela era “a cueca sequinha”
  • O penico ficava sempre perto de onde estávamos, seja na sala, no quarto, banheiro, ou ao lado da piscininha dele no quintal.
  • Nunca perguntávamos (ou quase nunca) se ele queria fazer xixi. A frase era “Ben, se quiser fazer xixi é só falar com a mamãe, tá?”, no que ele respondia “e pro papai!”. Essa frase é repetida até hoje.
  • Paciência foi a palavra-chave do mês. E olha, tive que engolir a frustração infinitas vezes e limpar o chão como se não fosse nada demais.
  • Criamos a música do “xixi no penico!”, e todos da casa cantavam e dançavam a cada sucesso.

Bom, nós consideramos que o Ben estava desfraldado após 3 semanas de processo. Como falei, foi no dia 03/01 que tiramos sua fralda. A primeira semana foi repleta de xixis no chão, e o máximo que conseguíamos era terminar o xixi no penico, já que ele estava sempre à mão. E comemorávamos os poucos ml que caiam dentro. O primeiro xixi espontâneo foi com 7 dias, quando o Ben fez questão de levar seu penico até onde estavam nossos amigos e fez xixi na frente de todo mundo!

Mas aí veio a segunda semana. E o Ben simplesmente passou a se recusar a sentar no penico ou no vaso com redutor (usamos os dois o tempo todo, sem regra). Ou ele sentava, ficava um tempo, dizia “fez”, mas não fazia nada. Cinco minutos depois, aparecia um xixi ou um cocô fora do lugar.

No início da terceira semana, lá pelo dia 20, eu já estava desistindo. Comecei a imaginar que teríamos que refraldá-lo para o início das aulas e retomar o assunto depois da adaptação na nova escola (que começa só agora dia 09/02, eu estava realmente sem esperanças). Mas aí, no dia 21, fomos passa a tarde na piscina na casa de uma amiguinha do Ben, e para minha alegria ele pediu 3 vezes para sair da piscina e fazer xixi. Sendo que em duas vezes ele conseguiu segurar até chegar ao banheiro. Na quinta-feira, dia 22, ele pediu mais algumas vezes para fazer xixi no banheiro, mas escapou algumas vezes também.

Preciso contar também que durante todo esse tempo, ele ficava pelado ou de cueca em casa, mas usávamos fralda nas saídas. As fraldas de pano foram muito úteis nesse período, principalmente porque elas mudaram de nome: passaram a  se chamar cuequinhas, e só assim para o Ben aceitar colocar fralda.

Eis que no dia 23/01, exatos 20 dias de processo, precisamos ir a um escritório de advocacia, em família. Como o Ben já tinha pedido diversas vezes para ir ao banheiro, decidimos apostar levando-o sem fraldas. Deu tudo super certo! Lá pelas tantas, eu senti vontade de fazer xixi e levei o Ben junto. Ele sentou e fez o xixi tranquilamente, mesmo sendo em um local totalmente novo. Nesse momento ele foi oficialmente declarado um menino desfraldado!

Acontece que ele ainda nega até o fim quando perguntamos “quer fazer xixi?”. Então o jeito é ficar levando ao banheiro de tempos em tempos. Meu timer sou eu mesma. Se eu estou com vontade, mesmo que bem pouquinha, ele deve estar também. Então vamos ao banheiro e ele faz, nem que sejam algumas gotas. Sempre comemoramos! (Dia desses ele perguntou: “fez xixi mamãe? Parabéns!!” ahahah)

Mas para passarmos de fase nesse game, precisamos derrotar o chefão: o cocô. Esse ainda tem sido um certo desafio para a gente. Sabemos que o Ben funciona feito um reloginho, mas esse relógio ficou meio descompassado durante o desfralde. FIcou uma confusão, na verdade. Dias sem cocô, cocô na hora errada, cocô parcelado… Ainda estamos trabalhando nisso. Atualmente, com mais sucessos do que fracassos.

Ah, mas mesmo sem derrotar o chefão da primeira fase, já conseguimos dominar a segunda: o desfralde noturno.

Já havia um tempo que o Ben vinha acordando com a fralda seca pela manhã, mesmo antes de pensarmos em desfralde. O primeiro xixi era sempre logo após acordar. Então no processo de desfralde começamos a observar para tentar pegar esse xixi a tempo de preservar a fralda. Algumas vezes conseguíamos, outras não. Quando finalmente ele passou a pedir para ir ao banheiro, começou a pedir também pra fazer o primeiro xixi do dia no banheiro, mas não conseguia segurar e o xixi escapava enquanto eu abria a fralda. Isso ocorreu umas três vezes. Acontece que ele conseguia segurar muito bem o xixi se estivesse de cueca, mas não segurava se estivesse de fralda. Então no terceiro dia decidimos colocá-lo para dormir sem fralda. E foi sucesso: no dia 27/01/2015, o Ben dormiu sem fraldas pela primeira vez na sua longa vidinha!

Na segunda noite não tivemos tanto sucesso. Mas percebemos que deixamos escapar alguns sinais que o Ben deu pouco antes te fazer o xixi na cama. Ele resmungou, chorou um pouquinho. Eu fui consolar achando que era pesadelo, e quando ele se acalmou, fez um xixizão. Foi preciso acontecer isso uma única vez para a gente aprender a ficar ligado nos sinais!

É claro que houve outros acidentes, tanto de dia quanto de noite. Mas agora esses é que são a exceção.

Antes de terminar, algumas observações sobre tudo isso:

  1. Quando começamos o processo de desfralde, o Ben nunca tinha avisado antes que ia fazer xixi ou cocô.
  2. Ter ficado pelado ou de cueca ajudou muito a perceber a relação causa-consequência. Por isso considero que as cueca de treinamento devam ser usadas somente em ocasiões especiais (como passeios no meio do processo).
  3. O método sugere que um adulto fique 100% do tempo ao lado da criança. E realmente, era só eu olhar pro lado, pro celular, ou sair pra buscar algo em outro ambiente que pimba: escape.
  4. Quando começamos o desfralde, fazia poucos dias que o Ben tinha começado a dormir a noite toda (todas comemora!), mas com essa história de desfralde noturno, voltamos a acordar algumas vezes na madruga (todas chora!), AND ele voltou a mamar na madruga pra voltar a dormir (todas se descabela!!).
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Como estão as coisas?

  • O Ben está de férias este mês. Passa as manhãs com o papai (enquanto eu trabalho) e as tardes comigo (enquanto o pai trabalha).
  • Tem sido maravilhoso estar com ele, mas ao mesmo tempo cansativo e desafiador, pois a energia dele não acaba nunca (help!)
  • Eu consigo trabalhar cerca de duas horas pela manhã, e o restante faço às pressas durante a soneca.
  • O problema é que o garotinho resolveu brigar contra o sono e tem dias que não tem soneca. Resultado: não sobra tempo para trabalhar.
  • Tudo isso pra justificar a ausência do blog! Sorry, simplesmente não tem sobrado tempo. Mas to aqui, e to mais ainda no facebook 😉

E como está esse pequenucho?

  • No início de janeiro ele começou a se revoltar nas trocas de fraldas, aproveitamos que vinham as férias e resolvemos nos aventurar num desfralde.
  • Três semanas e muitos (muitos!) xixis no chão (e cocos também) depois, acho que estamos no caminho. Depois conto em detalhes como foi e como tem sido.
  • O menino passa 90% do dia pelado. Tanto que já está até perdendo a marquinha de sol do bumbum!
  • Por falar em marquinha, está puro bronze, resgatando suas origens africanas, e com cabelos dourados (ressaltando a ascendência polonesa, porque não?).
  • Está um tagarela, não para de falar e de fazer perguntas um segundo sequer (help 2): o papai não tem mamá? não tem? não tem mamãe? só a mamãe? é? O Marcelo tá dormindo? O Marcelo não qué mamar? O Marcelo tá dormindo com a tia Ana? O vovô viajou no avião? A mamãe voltou no avião? O avião memelho? Olha o aviãooo! Tchau avião, boa noite! O avião foi embora? Onde tá o outro avião? O avião azul?
  • Resolveu agora falar o R corretamente, coisa mais fofa: pteto (preto), badanco (branco), pdaia (praia).
  • As aulas da escola nova começam só dia 09/02 (help 3), mas ele sempre passa em frente e fala: olaaa a cola novaaa (olha a escola nova). Sempre. sempre. sempre.
  • Ainda mama.
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Foi um ano incrível!

Querido Ben,
foi um ano incrível ao teu lado.

Um ano de muitas transformações por minuto, muito aprendizado, muita adaptação.
Obrigada por nos ensinar o valor e o sabor da alimentação saudável. Obrigada por me lembrar que maçã era minha fruta predileta na infância. E me lembrar de como é gostoso comer laranja, especialmente começando pela “tampinha”.

Obrigada por encher nossas vidas de música. Por trazer de volta nossas músicas da  infância e por nos ensinar novas e inventar outras tantas também.

Obrigada por nos mostrar que a vida pode ser doce, alegra e que o que realmente importa está sempre aqui e é de graça: nosso amor, nossa família e nossa saúde.

Obrigada por me ensinar que o objeto mais simples pode se transformar nos personagens mais mágicos. E que uma árvore de natal pode virar a maricota, um pedaço de madeira pode virar um avião, um jacaré pode ser muito bem a bernunça.

Por falar em bernunça e maricota, muito obrigada por rechear nossas vidas com os mais variados personagens do Boi de Mamão. Mesmo que seja para ouvir as 11 músicas do Boi em looping no som do carro.

Muito obrigada por ser esse menino incrível e por nos ensinar tantas coisas todos os dias.

Com amor, mamãe.

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Palavrinhas erradas que não queremos corrigir #aos23meses

  • “Tigãnus!” ou “Tinãgus!” (Chegamos!)
  • “Tili” (Tigre)
  • “Memelho” (Vermelho)
  • “Quinguim” (Pinguim)
  • “Péu” (Capacete)
  • “meselho” (Travesseiro)
  • “tála” (Toalha)
  • “Quêj Pão” (Pão de queijo)
  • “Guti” (Iogurte)
  • “Calé” (Colher)
  • “Não cabe” (qualquer coisa que ele não consegue fazer)
  • “Fecha” (Abre)
  • “Abiu?” (Fechou?)
  • “Pimpa” (Limpa – como em “Pimpa o chão mamãe”)
  • “Tila” (Mochila/bolsa)
  • “Vam á?” (Vamos lá?)
  • “Mimi” (dormir)
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Que escola nós queremos para nossos filhos?

Ilustração: Caio Cardoso

Ilustração: Caio Cardoso

Que tipo de espaço nós buscamos quando pesquisamos escola para nossos filhos? Quais nossos objetivos ao matricular o bebê ou a criança em uma instituição de cuidado/ensino? O que esperamos que ela realize enquanto nossos filhos estão sob seu cuidado?

Acho que as respostas a estas questões podem nos ajudar a escolher a melhor escola para nossos filhos. Pelo menos são as respostas que busquei ao escolher as escolas onde matriculamos o Ben.

Desde quando o Ben entrou no mundo escolar (aos 6 meses de idade) até hoje, eu estou sempre me questionando qual o papel da escola em nossas vidas e em qual proposta nós melhor nos adaptamos. Mais precisamente nos últimos dois meses, essa reflexão tem sido ainda mais presente na minha vida, por uma série de fatores que têm acontecido.

Uma coisa que eu sempre tive em mente (desde que o Ben nasceu, porque antes eu pensava diferente), é que a criança tem um único e exclusivo compromisso até os 6 anos de vida: brincar.

Brincando a criança aprende a se relacionar com o mundo ao redor, adquire conhecimentos sobre linguagem, formas, tamanhos, cores, letras números, desenvolve suas próprias teorias de física, química, matemática, aprende a se relacionar com outras pessoas. Tudo isso acontece naturalmente, como consequencia da brincadeira e de sua observação sobre o mundo.

Dessa forma, sempre considerei que a escola ideal é aquela que permite o livre-brincar. Onde a brincadeira é a base do currículo, e o restante é apresentado naturalmente, entre uma brincadeira e outra. Minha maior preocupação em relação à escola, era que fosse um local amigável, que proporcionasse o cuidado e o carinho que o Ben precisava naquele momento de nossas vidas. Eu contei um pouco sobre isso aqui.

Eu conheço algumas experiências com a pedagogia Waldorf, concordo e admiro. Pelo menos na escola que conheço, as professoras realizam trabalhos manuais enquanto as crianças brincam livremente em um ambiente preparado para elas. O trabalho dos adultos é somente evitar acidentes e eventualmente mediar algum conflito. Além, é claro, do cuidado básico (troca de fralda, higiene, alimentação). A pedagogia Waldorf é provavelmente a que mais se encaixa na minha visão de escola ideal.

Bom, nesse mês de outubro, muitas coisas mudaram em nossa vida, e acabamos optando por mudar o Ben de escola. Tirando aquele episódio dos palhaços que visitaram a escola (que eu contei no Facebook, e o Ben não foi à aula esse dia), aquela foi a escola que mais se encaixou no meu ideal, e, claro a mais próxima da nossa realidade. Toda sexta-feira as crianças têm aula de horta, com um professor que realiza a compostagem de todos os resíduos orgânicos produzidos pela escola. É um momento maravilhoso de contato deles com a natureza, de livre brincadeira e exploração do espaço. Mas por outro lado, eu não sabia direito o que acontecia nos outros dias da semana, pois a norma era entregar e buscar a criança na recepção, não podíamos entrar. Isso sempre me incomodou, pois gostaria de conhecer melhor o espaço onde o Ben passava 8 horas todos os dias, ter um contato direto com a sua professora, enfim, vivenciar um pouco da escola já que meu filho passava tantas horas por dia lá.

Então, optamos por matricular o Ben numa escola mais próxima, de forma que fosse possível levá-lo de bicicleta, ou até a pé, se esse fosse o caso. E assim fizemos. Mudamos ele (eu com o coração apertado) para uma escola com um parque lindo, muito mais estruturada que a antiga (que por ser recente, ainda estava melhorando sua estrutura), e com uma proposta pedagógica um pouco mais clara. Nessa nova escola, a adaptação é feita com a presença dos pais em sala, e dependendo do horário, podemos entrar até a porta da sala para buscar a criança. Nossa vida mudou muito desde que levá-lo e buscá-lo de bike se tornou uma possibilidade – nem preciso dizer que ele ama, né? Porém, tive um choque de realidade quando passei a buscá-lo na porta da sala de aula, e me deparei com diversas crianças (o Ben inclusive) hipnotizadas em frente à televisão assistindo àqueles produtos audiovisuais de gosto duvidoso direcionados a manter crianças quietinhas. Isso me corta o coração, cada dia um pouco. Em outros dias eu chego e ele está se esbaldando no parquinho, que é da altura dele, e é uma delícia! Aí eu lembro os motivos que nos fizeram matriculá-lo ali, e o coração se acalma. Preciso ressaltar que essa escola trabalha bastante o “Boi de Mamão”, um personagem do nosso folclore que o Ben ama. E é muito legal ver que eles valorizam nossa cultura – só que os personagens do Boi se misturam àqueles outros personagens famosos com qualidade cultural duvidosa e alto apelo comercial.

A televisão nessa escola, e ao que me parece na maioria das escolas com esse perfil, tem um papel quase de protagonista. Ela fica LIGADA o dia inteiro, como plano de fundo de todas as atividades ali realizadas. Me preocupa muito essa banalização do papel da televisão no ambiente escolar. Algumas pessoas podem achar que é pré-requisito, como se a presença da televisão fosse um atestado de que a escola está bem equipada para receber crianças. Conversando com outras mães sobre o assunto, percebi que a maioria considera ótimo o conteúdo desses audiovisuais, possui vários dvds em casa, e canta e dança com a criançada. Não é o nosso caso. Aqui em casa, assistimos televisão muito raramente, não temos tv a cabo e nem sentimos falta dela. Porque consideramos o tempo que temos em família (que é super escasso) muito precioso para ser gasto em frente à telona. Consideramos a interação interpessoal pura e simples muito mais interessante do que se fosse mediada por um aparato tecnológico. E, principalmente, adoramos criar, inventar, sujar, bagunçar, e por que não dançar nossas próprias músicas, juntos. Não precisamos de nenhuma musiquinha que ensine letras e números e cores – até porque essa não é nossa prioridade no momento.

Outra coisa que tem me incomodado na escola, e que também é mais do que comum nas escolas com o mesmo perfil, é a falta de comprometimento com a alimentação das crianças. A impressão que eu fico é de que estão mais preocupadas em preencher no formulário da agenda se a criança comeu, sim ou não, muito ou pouco. Não importando que tipo de comida ela comeu. Poxa, os pequenos passam tantas horas por dia nesses locais, é lá que fazem as principais refeições do dia. Elas precisam ser alimentadas com qualidade, já que a alimentação na primeira infância é a base para uma vida/alimentação saudável. Educação alimentar deve fazer parte do currículo de qualquer escola. Mas o que vemos são cardápios com biscoito, bolo, sucrilhos, industrializados e sucos com muito açucar. O almoço se salva um pouco, mas a salada crua normalmente é ignorada pelas crianças sem maiores preocupações por parte dos adultos.

A escola em que o Ben estava antes (a da horta) tinha um comprometimento um pouco maior nesse tema. O açúcar era proibido, e percebia-se uma real intenção da equipe de incentivar a criança a comer saudável. Mas nessa escola atual não tem isso. Tem criança que não come fruta, e a mãe manda um iogurte “de morango” na mochila, e tudo bem. Eu não concordo com isso. Acho que uma escola realmente comprometida com a infância faria um esforço junto à família para mudar os hábitos alimentares daquela criança. Afinal, ela é uma criança, e não existe essa de ” ela não come fruta”. Ninguém com 2 anos de idade simplesmente “não come fruta”. Se não come algumas frutas especificamente, então a escola deveria fazer um acordo com a mãe e oferecer naqueles dias uma fruta que a criança aceitasse. Não parece tão complicado assim.

Duas semanas depois de começarmos a frequentar esta escola, houve uma reunião para falar sobre rematrícula e valores para 2015. Saímos de lá com um envelope em nome do Ben com os valores para o próximo ano devidamente anotados, e uma semana para dar uma resposta. A princípio eu já estava dando como certa a rematrícula. Mas, como eu falei que muitas coisas mudaram na nossa vida, uma delas é que a partir desse mês volto a trabalhar só meio período (todas comemora! \o/). Tendo isso em mente, comecei a me questionar se precisava matriculá-lo na mesma escola, já que essa questão da televisão realmente estava me incomodando. Assim, comecei a procurar as outras opções do bairro.

(Abro parêntese para destacar que nosso foco era encontrar escolas dentro do nosso bairro, para evitar o máximo a necessidade de grandes deslocamentos, trânsito e demais inconvenientes)

Nosso bairro é bem servido de escolas infantis, e tem para todos os gostos:

3 escolas do Infantil ao 9º ano (2 delas com propostas alternativas)
5 escolas infantis (1 alternativa, 3 padrão, 1 alto-padrão-estilo-grama-sintética)
3 escolas públicas
2 escolas waldorf

Entre tantas opções, nosso critério de seleção foi:
1° distância de casa
2° real comprometimento com a infância
3º valor da mensalidade/possibilidade de matrícula

No quesito distância de casa, as 2 escolas waldorf e 1 infantil alternativa (a antiga do Ben) foram descartadas, pois teríamos necessariamente que ir e vir de carro. No quesito real comprometimento com a infância, foram descartadas todas que tinham personagens de gosto-duvidoso-alto-apelo-comercial na decoração do ambiente (desculpem o preconceito mas pra mim isso diz muito sobre o senso crítico de uma escola). No quesito possibilidade de matrícula, foram semi-descartadas as públicas, pois o critério deles de seleção é a renda, e na última tentativa o Ben ficou em 33º na lista de espera (sendo que as turmas comportam 15 alunos).

Com a mudança para meio período, uma nova escola passou a ser uma opção, pois havia descartado por não oferecer turno integral – uma das escolas alternativas que vão do Infantil ao 9º ano. Então resolvi ir lá conhecer. E bastou somente uma visita para que eu me apaixonasse.

Para começar, a primeira coisa que ouvi quando entrei lá foi: qual o seu nome? Sim, incrivelmente ela perguntou o meu nome, e em momento algum me chamou de mãe (teve um momento em que uma das pessoas me chamou de Renata, e depois se desculpou. Eu respondi: só de não me chamar de mãe já tá valendo. Me chama de Renata, Maria, Ana, mas não me chama de mãe plmdds). Depois, por ser uma escola que vai até o 9º ano, achei a postura em geral muito mais madura e profissional. Na parte pedagógica, a escola trabalha com projetos, e oferece aulas de musicalização, inglês, educação física e artes dentro do currículo. Infelizmente tem televisão na sala, mas seu uso é restrito para fins pedagógicos, ou momentos recreativos específicos. A escola possui cantina natural/integral, e coloca frutas e suco natural à disposição dos alunos do infantil ao 9º ano durante o lanche (devemos levar lanche individual, mas as frutas sempre estarão lá). E o melhor: fica praticamente na esquina da nossa casa, dá pra ir a pé. Decidimos então matriculá-lo ali para o ano letivo de 2015.

Tu deves estar pensando: mas e toda aquela teoria linda sobre o livre brincar, onde foi parar?

Calma, ainda está aqui. Sempre estará.

Eu continuo achando que o livre brincar é a melhor forma de as crianças desenvolverem seu potencial durante a primeira infância. Mas por outro lado, acredito que tem que ser um livre-brincar com algum embasamento teórico, não apenas um livre brincar que subestima a capacidade das crianças e usa a televisão como muleta.

Nesse segundo ano de vida, o Ben demonstrou uma capacidade incrível de absorção de informações (como qualquer outra criança saudável da idade dele). E essa capacidade incrível pode ir tanto para informações positivas, quanto negativas. Por isso, acho que a melhor forma de garantir que ele absorva boas informações, é cercá-lo de boas referências, em um ambiente que seja similar ao que acreditamos em casa.

Outro ponto a levar em consideração é que agora estaremos meio período do dia juntos. E esses momentos serão repletos de livre brincar, de exploração, de brincar junto, sozinho, passeios, enfim. Vou conseguir praticar com ele todas as manhãs o tipo de educação que acredito.

Uma outra questão que pesou bastante foi a financeira. A partir do momento que a escola que tem televisão ligada o dia inteiro custa o mesmo valor que uma escola que tem diversas atividades no currículo, acho que a primeira está muito mais cara que a segunda. Quer dizer, valorizo demais meu rico dinheirinho para que o Ben veja TV o dia inteiro e se alimente mal.

Concluo toda essa reflexão elencando alguns pontos:

1. cada família escolhe a escola que melhor se encaixa dentro do seu contexto. Longe de mim julgar a decisão de cada um. Tudo o que escrevi aqui diz respeito a minhas crenças.

2. Trabalhar em meio período me permitiu fazer toda essa reflexão e tomar essa decisão. Se continuasse em período integral, provavelmente eu não teria muita opção e ele ficaria na mesma escola, mesmo com todos os problemas.

3. O objetivo desse texto não é falar mal de quem curte os dvds audiovisuais para crianças. Eu não gosto, e isso é muito importante pra mim. Se a escola do teu filho tem, e vocês costumam assistir em casa, ótimo, estão todos felizes.

4. Quem leu até aqui (ufa!) e quer ler um pouco mais sobre o assunto, recomendo estes textos/vídeos:

1, 2, 3 Saco de Farinha: Einstein não fazia prova no sábado

Mil Dicas de Mãe: Que tipo de escola queremos para nossos filhos?

Pesquisa: Alimentação Infantil e Resultados a longo prazo (em inglês)

Pesquisa: Televisão e o desenvolvimento das crianças até 2 anos

Artigo: Brincar é o trabalho da infância

Documentário: Quando sinto que já sei

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